A transformação digital é muito mais do que tecnologia. É estratégia e mudança na forma de pensar e de trabalhar. É esta a visão da vice-presidente da Accenture Portugal, responsável pelas áreas de Indústria, Transportes, Consumo, Distribuição e Retalho, Manuela Vaz.

O mundo mudou a um ritmo que ninguém previa. 2020 ficará para sempre na história como o ano da pandemia global, da crise económica mundial e de uma consciencialização generalizada para os desafios da sustentabilidade. As pessoas mudaram, bem como os seus hábitos, atitudes e comportamentos e, consequentemente, o que compram, onde e quando. O setor do retalho, desde a área alimentar ao especializado, em medidas diferentes, tem estado a desenvolver há vários anos um processo de transformação, alavancando novas tecnologias, cujo efeito combinado potencia exponencialmente esta transformação (Cloud, Big Data, Robótica, Machine Learning, Inteligência Artificial, Robotic Process Automation). Temos vindo a assistir ao crescimento acelerado dos pure players digitais e à reinvenção dos players mais tradicionais, no sentido de proteger e/ou crescer o negócio.

Acompanhámos o momento em que a Amazon entrou no top 5 dos maiores retalhistas do mundo e foi subindo até ao segundo lugar, e o momento em que o gigante chinês Alibaba entrou neste grupo. Assistimos também ao surgimento de negócios baseados em modelos completamente impensáveis até há pouco tempo, como a Blue Apron ou a HelloFresh, em que o cliente recebe em casa kits para preparar refeições com as respetivas receitas, ou a Stitch Fix, que envia periodicamente para casa do cliente vestuário escolhido de forma personalizada. Os reptos colocados por este novo normal impuseram uma híper aceleração deste processo de transformação, e ficou muito claro que os retalhistas com maturidade digital mais elevada responderam de forma mais rápida e eficaz a esta alteração profunda na vida dos seus colaboradores e consumidores. É disto exemplo o crescimento da Wallmart (maior retalhista a nível mundial) durante este ano, o que premeia a transformação digital que tem em curso há já alguns anos. A maturidade digital manifesta-se na forma como o retalhista serve o seu consumidor de forma verdadeiramente omnicanal (loja, e-commerce, mobile, social, marketplace...); como utiliza extensivamente a análise de dados para melhor conhecer o consumidor e proporcionar experiências verdadeiramente diferenciadoras e personalizadas nos diferentes pontos de contacto; na forma como colabora com o ecossistema, de modo perfeitamente integrado, gerando valor para os diferentes intervenientes; através da gestão da cadeia de abastecimento, de forma ágil e eficiente, orientada ao cliente, e integrando conhecimento extraído de informação interna e externa, nos processos de tomada de decisão; na forma como opera o seu negócio de forma eficiente recorrendo, por exemplo, a automação; e, por fim, como contribui para a sustentabilidade do planeta.

Estes últimos meses deixaram evidentes, se alguma dúvida havia, o imperativo e a urgência da digitalização. É uma questão de sobrevivência. O retalho serve hoje um consumidor que é muito mais exigente num mundo em constante mudança. Existe um conjunto de tecnologias incontornáveis nesta jornada: Cloud, Big Data, Machine Leaming e Inteligência Artificial, loT e equipamentos inteligentes, Realidade Aumentada, Micro serviços. Os dados têm de ser vistos como um dos principais ativos do retalhista e é mandatária a sua correta gestão, potenciando o seu valor nas distintas dimensões do negócio. No entanto, é importante salientar que esta não é uma transformação tecnológica. As tecnologias estão maduras e disponíveis, mas, para realmente acontecer a transformação no negócio, esta tem de ser guiada por um propósito forte e mobilizador, uma estratégia clara e um modelo operativo reinventado para a agilidade. É preciso aliar a mudança tecnológica com a mudança das formas de pensar e trabalhar. É preciso preparar as pessoas, os processos e as métricas para, de facto, fazer acontecer a transformação digital de que o retalho precisa. E é crucial antecipar o negócio de amanhã.

Store Magazine | 31/12/2020 | Manuela Vaz

Manuela Vaz

Vice-Presidente, responsável pelas áreas de Indústria, Transportes, Consumo, Distribuição e Retalho – Accenture Portugal

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