O panorama nacional, embora a maioria das empresas tivesse planos para transformar digitalmente o seu negócio, a realidade é que a implementação desses programas, na sua generalidade, se afigurava lenta. Ou não tinham saído do papel, ou não avançavam com a celeridade necessária, perdendo por vezes prioridade para outras iniciativas.

A pandemia surge como o grande impulsionador da transformação digital a nível global, e Portugal não foi exceção. Confrontadas com a necessidade de mudar radicalmente o seu modelo de negócio, como condição necessária à sobrevivência, as empresas tiveram que tirar "da gaveta" os seus planos de transformação digital e passá-los para o topo das prioridades de investimento.

De repente, para sobreviver, é necessário adaptar o negócio a um novo modelo de interação com os clientes: estabelecer uma relação à distância implica reforçar os canais digitais. Inicialmente pensados como uma forma alternativa de aceder ao consumidor, estes são agora o canal primordial de acesso e a "cara" da empresa. É necessário conhecer melhor a pessoa a quem se destina o nosso produto, personalizar a experiência - da compra, ao serviço ao cliente - até percebermos qual o nível de fidelização que temos, para agirmos sobre ele quando necessário.

Características essenciais para o sucesso são: inovação, agilidade, relação com o cliente e eficiência de custos. Coincidentemente, estas são também as vantagens que se obtêm através da adoção de serviços de "Nuvem". A Amazon, a Google ou a Microsoft disponibilizam, através das suas plataformas, as ferramentas necessárias para que as empresas atinjam os seus objetivos. Falamos, por exemplo, da capacidade de exploração dos dados e de implementação de funcionalidades de inteligência artificial, que permitem inovar, disponibilizando novos produtos ou serviços. A capacidade de mobilização e desmobilização rápida de recursos de infraestrutura, e os modelos "Pay-as-you-go", permitem experimentar soluções e novos conceitos sem necessidade de grande investimento. Estes modelos de faturação possibilitam também adaptar os recursos utilizados às reais necessidades. Já não é necessário fazer avultadas apostas a longo prazo em infraestruturas, que depois não obedeciam às imposições do mercado. As empresas têm, agora, a capacidade de fazer o right-size da infraestrutura e consumir apenas o que precisam.

O modelo digital permite, em simultâneo, a recolha de vastos volumes de informação sobre o cliente e a concorrência. A nuvem vem dotar as empresas de capacidade de processamento de dados em tempo quase real, permitindo recolher e processar a informação em volumes nunca vistos. Assim, personalizamos toda a experiência do cliente e permitimos uma relação mais próxima.

A mudança dos modelos de investimento para subscrição permitem, também, a obtenção de ganhos a vários níveis. Não só as empresas pagam apenas aquilo que consomem, mas têm também a capacidade de aumentar a sua escala, para, de forma muito mais rápida e com o mínimo de esforço, responder a variações no negócio. Novos modelos de infraestrutura (por exemplo serverless, SaaS) permitem, inclusive, pagar apenas quando é necessário o processamento de dados, e não quando os servidores estão disponíveis, reduzindo radicalmente o risco de novos produtos que possam não ter adoção por parte dos consumidores.

Antecipando estes factos, na Accenture efetuámos também uma transformação no nosso negócio, melhorando ainda mais a forma como servimos os nossos clientes. Constatando que a "Nuvem" não era uma opção, mas sim uma obrigação, adotámos o que chamamos de atitude "Cloud First". Isto significa que já não apresentamos a "Nuvem" como uma das muitas opções que os clientes têm à sua disposição, mas que recomendamos vivamente a sua prioritização. Alertamos para o facto de que não se trata apenas de uma questão tecnológica, é acima de tudo necessário repensar os modelos de negócio, repensar os processos, o IT, os recursos humanos e a área financeira.

Não significa isto que descuramos a tecnologia, bem pelo contrário, acompanhando os nossos serviços de advisory da área estratégica, estamos também a investir fortemente no desenvolvimento destas capacidades. O panorama, nesta área, mostra-se cada vez mais complexo e de rápida evolução tecnológica. Exemplo disso é o investimento que temos feito em Google Cloud no Advanced Technology Center de Portugal. Através da criação de um centro de excelência para a Europa, especializado nesta tecnologia, desenvolvemos soluções não só para clientes nacionais como internacionais. Hoje em dia, mais de 200 profissionais qualificados ajudam os nossos clientes a obter o máximo de vantagens da "Nuvem".

Através do "Cloud First" reunimos os nossos serviços de tecnologia, consultoria, estratégia, desenvolvimento de software e operação de processos de negócio num só. Prestamos um serviço integrado em que a transformação do negócio, alavancada pela "Nuvem", é a prioridade.

Dinheiro Vivo | 29/05/2021 | Francisco Prata

Francisco Prata

Associate Director da Accenture Technology

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