Fjord Trends 2022: The new fabric of life
As escolhas que iremos fazer podem impactar o nosso mundo e na sua estrutura mais do que podemos antever, e todos os cenários apontam para mudanças nas relações inter-pessoais - com colegas, marcas, sociedade, lugares e com todos aqueles com quem se preocupam. As pessoas estão também a ser confrontados com o impacto das suas ações no planeta, tendo finalmente de aceitar a ideia de que não podem continuar a comportar-se como se estivessem separadas da natureza.
Tivemos dois anos de disrupção dos sistemas que gerem a sociedade, e o desgaste é visível. Há tempos desafiantes pela frente, mas acreditamos que há também grandes oportunidades para conceber novos sistemas, e novas formas de ser.

Este ano, o tema dominante ao longo destas tendências é a necessidade de responder às mudanças em todas as relações. Devemos definir como conscientemente – enquanto colectivo e individuo - vamos coser relações positivas para criar um novo tecido de vida que seja bom para as pessoas, os negócios e o planeta.

Vemos emergir cinco grandes tendências que têm implicações significativas para o próximo ano.

FJORD TRENDS 2022

1. Come as you are

As pessoas estão fundamentalmente a pensar de forma diferente sobre o seu sentido de controlo e responsabilidade sobre as suas próprias vidas, apoiadas por novas oportunidades como side-hustle economy. O aumento do individualismo e da independência tem grandes implicações para as organizações, as relações entre colaboradores e os consumidores-criadores. As empresas devem ter isto em consideração ao definirem a sua proposta de valor para atrair e reter talento.
2. The end of abundance thinking?

Aqueles que têm confiado na disponibilidade e conveniência dos produtos e serviços que necessitam, têm de repensar os seus hábitos. Escassez, falta de acesso a produto, atrasos na distribuição, leis de austeridade e factores de sustentabilidade estão a impulsionar o movimento de natureza positiva e uma forma mais ponderada do consumo.
3. The next frontier

O metaverso está a mostrar oportunidades para além de gaming oferecerendo às pessoas e marcas um novo lugar para interagir, criar, consumir e lucrar. O seu verdadeiro potencial está ainda por descobrir, mas já demonstra os ingredientes de uma nova evolução cultural. Encontrar o sucesso aqui, dependerá da capacidade das marcas de compreender os seus clientes neste novo mundo.
4. This much is true

Fazer perguntas e tê-las respondidas imediatamente tornou-se parte da vida quotidiana, mas as pessoas estão a duvidar cada vez mais das respostas obtidas. Combinando a proliferação de canais e fontes,este é um desafio para o design e de negócio. Aqueles que o superem ganharão confiança e vantagem competitiva.
5. Handle with care

O desejo de cuidar é uma característica fundamentalmente humana, mas agora é cada vez mais visível, valorizada e discutida abertamente. Independentemente da sua ligação com a saúde, as organizações devem agora definir como incorporam o ato de cuidar nas suas práticas e ofertas - para colaboradores, clientes e a sociedade em geral.

1. COME AS YOU ARE

What’s going on

Uma era de crescimento pós-traumático está a ganhar forma, em escala, manifestando-se em forma de relações mais profundas, maior abertura a novas oportunidades, um sentimento maior de força pessoal, um sentido mais forte de espiritualidade, e uma apreciação mais profunda da vida.

As pessoas estão a questionar quem são, os seus valores e, em muitos casos, estão a encontrar uma nova confiança para se afirmarem como elas próprias. Há também uma crescente humanização da força de trabalho; vidas profissionais e pessoais misturaram-se cada vez mais, e admitir que não se está bem já não é sinal de fraqueza no trabalho.

Tudo isto faz parte de uma tendência para o individualismo e a independência. As pessoas estão a sentir um maior sentido de controlo e responsabilidade sobre como e onde dispendem o seu tempo e a sua atenção. Em meados de 2021, as economias globais estavam reabrir e a colaboradores eram precisos. Uma onda de pedidos de despedimento surgiu com as pessoas a deixassem os seus empregos devido às suas novas prioridades que surgiram durante os confinamentos pandémicos1.
Complementar ou substituir o rendimento principal é mais fácil, graças às plataformas tecnológicas com canais e ferramentas necessárias para transformar os passatempos e talentos em negócios. Nos Estados Unidos, as pessoas ganham uma média de 10.972 USD por ano a partir de side-hustles como explicações, escrever blogues/notícias, alugar as suas casas, programação freelance, etc.2

Esta mudança de oportunidades e atitudes em relação ao trabalho e ao rendimento tem um impacto direto no emprego tradicional. Muitas empresas, lutam com as repercussões de uma força de trabalho que está fisicamente afastada há demasiado tempo, preocupam-se com a dinâmica da equipa, a inovação eficaz e o trabalho colaborativo. A tensão está a aumentar à medida que as preferências dos trabalhadores não correspondem necessariamente aquilo que é melhor para o negócio.
O individualismo crescente sublinhado por uma mentalidade de "eu acima de nós" está a gerar tensão na empatia entre colegas dentro das empresas e a mudar as aspirações das pessoas enquanto consumidores, o que apresenta novos desafios e oportunidades tanto para as empresas empregadoras como para proprietários de marcas.3

What’s next

As organizações precisam de compreender as alterações nestas ambições das pessoas, iniciativas e estilos de vida, bem como examinar e responder aos potenciais impactos. A vontade das pessoas de satisfazer as suas necessidades individuais choca com as suas obrigações e com as comunidades a que pertencem e, em última análise, onde se suportam.

As organizações enfrentam um importante desafio de liderança: equilibrar a flexibilidade que oferecem aos indivíduos e as necessidades da equipa, e trabalhar para o bem maior da organização, para que a criatividade, diversidade e confiança possam prosperar. Atrair e reter o talento certo, ao mesmo tempo reconhecendo que os colaboradores testam o futuro desafiando o negócio, também é importante. Chegou o momento de repensar de forma disruptiva a proposta de valor entregue aos colaboradores, tendo em consideração o contexto atual:

  • O pacote de benefícios: Após terem sido alinhadas as vantagens do mundo digital, as organizações vão continuar a avaliar a sua aptidão para a uma mão-de-obra mais flexível e remota.
  • Um esforço coletivo: A cultura de trabalho precisa de boost shot de "Nós", e as organizações podem precisar de trabalhar arduamente para assegurar que os colaboradores compreendem a sua responsabilidade - e os beneficios do - coletivo.
  • Uma experiência diferenciadora: O trabalho tornou-se mais transacional graças à disseminação das ferramentas tecnológicas, assim as empresas têm de se ajustar ao equilíbrio da experiência do colaborador por forma a ser mais do que um tema de produtividade no trabalho.
À medida a side-hustle economy cresce, também as necessidades de infra-estruturas que a suportam - do design à produção até ao acesso e entrega ao público. As organizações terão de reconhecer que os creadores - pessoas que ganham dinheiro diretamente do seu público ou de outros trabalhos paralelos - não são apenas clientes, mas também concorrentes e colaboradores, e devem adaptar os seus comportamentos em conformidade.

No centro desta tendência está uma tensão social mais ampla entre o individualismo e o coletivo. Esta tensão está distribuída de forma desigual pelo mundo, mas acreditamos que continuará a ser um debate cultural determinante, com consequências económicas e experenciais a ser sentidas em todo o lado.

WE SUGGEST

Think

Reflita sobre a ascensão da auto-determinação e da mentalidade "eu vs. nós", e as implicações para a sua organização - como irá atrair e reter talentos bem como clientes neste novo contexto?
Say

Verbalize claramente o valor dos grupos, da comunidade e das equipas, e como o aumento da auto-determinação e a necessidade de coletivismo podem coexistir para o bem da organização.
Do

Seja criativo sobre como a proposta de valor da sua organização pode evoluir para adaptar-se a pessoas com múltiplas fontes de rendimento. Identifique os pontos fracos da sua organização e assegure que os seus colaboradores não o abandonam.

2. THE END OF ABUNDANCE THINKING?

What’s going on

Ao longo do último ano, muitos de nós testemunharam e sentiram o que é enfrentar prateleiras vazias, contas de energia crescentes e falta de serviços do quotidiano. Foi um choque para aqueles de nós que conseguimos tudo o que necessitamos com um esforço minimo - aqueles que tiveram a sorte de desfrutar do pensamento da abundância.

A crise da cadeia de distribuição começou com o impacto do bloqueio na indústria de transformação, continuou bloqueio do Canal do Suez4 pelo cargueiro Ever Given, e foi agravada pela pior escassez de camiões e motoristas, o que bloqueou o tráfego de bens nos portos mais movimentados do mundo5. Uma diversidade de materiais, peças e mercadorias escasseou, desde o café aos chips semicondutores.

Em vários países, estes temas travaram a pensamento da abundância. De repente, a escassez tornou-se num fator importante na construção das expetativas.
As alterações climáticas têm sido outro catalisador fundamental. No despertar das catástrofes naturais, desde inundações não sazonais a incêndios devastadores, as pessoas começam a compreender o impacto dos seus hábitos de consumo no planeta.

Os acontecimentos do ano passado também revelaram o quão interligadas e interdependentes estão as nossas infra-estruturas comerciais, algo que os consumidores poderiam não ter consciência anteriormente. Por exemplo, quando um aumento dos preços mundiais do gás obrigou o maior fabricante de fertilizantes do Reino Unido a suspender a produção, uma consequência imprevista foi aqueda acentuada do fornecimento de um dos seus subprodutos - o CO2 industrial - que, por sua vez, ameaçou o fornecimento de alimentos embalados em plástico como a carne.6

Enquanto a escassez da cadeia de distribuição possa ser um desafio temporário, espera-se que o impacto persista e abra portas a uma mudança no nosso pensamento de abundância, particularmente no que toca no ambiente. A escassez de bens pode afetar a moral dos consumidores, e os proprietários de marcas devem preparar-se para gerir as expetativas em relação à conveniência e sustentabilidade.
Ao definir o equilíbrio entre a preços acessiveis e a sustentabilidade, as organizações precisam de desagregar inovação da noção de "novo".
What’s next

Na nossa tendência de infra-estruturas líquidas do ano passado, previmos a cadeia de distribuição como um novo ponto de criação de valor7. Desde então, o nosso pensamento evoluiu de duas formas principais:

  • Esperamos uma necessidade urgente de aproximação do marketing, do serviço ao cliente e da cadeia de distribuição para proteger e apoiar a reputação da marca.
  • Acreditamos que desenhar para o equilíbrio entre preço acessível e sustentabilidade pode ser a próxima grande oportunidade para as marcas explorarem novos territórios. Numa última análise, muitos consumidores provavelmente pesarão o bem do planeta contra as necessidades básicas da sua família quando a fazer decisões de compra. O equilíbrio entre ambos deve estar no centro da inovação da sustentabilidade das marcas.
A necessária mudança de mentalidade, será a de separar a ideia de inovação da noção de "novo". Diz-se frequentemente que as pessoas têm de mudar comportamentos, mas isto é difícil quando elas estão constantemente a ser influenciadas contrariamente. Para os comportamentos sustentáveis se consolidarem, as marcas vão ter de pensar de maneira diferente.

Um método pode ser criar uma nova proposta de valor para os clientes com serviços que prolonguem a vida do produto. As melhorias incrementais, em contraste, apenas tentam os consumidores a deitar fora artigos ainda operacionais e comprar novos.

Prevemos um crescimento de momentum para "negócio regenerativo" que substitui o modelo tradicional "comprar, usar, descartar" por uma abordagem mais circular. Este caminho pode envolver a exploração de novas práticas tais como preços dinâmicos, micro-fábricas e fabrico hiper-localizado. Provavelmente o movimento "natureza positiva" pode também ganhar popularidade nos próximos anos. Natureza positiva significa incrementar a resiliência do nosso planeta e das sociedades de forma a parar e reverter a perda ambiental.

As organizações terão de fazer mais do que atenuar os impactos negativos. Elas terão de apoiar a capacidade do nosso planeta para se reabastecer, o que poderá significar desmantelar os sistemas dos quais as pessoas dependem.

Ao questionarmos o papel da pensamento de abundância no negócio, "menos" não tem que significar "perda". Repensar a nossa configuração standard de abundância, é o primeiro passo. O segundo passo, é começar a colaborar com outros no ecossistema para enfrentar as alterações climáticas - o nosso desafio mais urgente.

WE SUGGEST

Think

Contemple o que esta disrupção da cadeia de distribuição significa para o seu negócio e para os seus clientes. Será possivel criar novos modelos de negócio, prolongando a vida útil dos produtos existentes?
Say

Diga às suas equipas de inovação e equipas de desenvolvimento de produto que inovação não tem de significar "novo". Com bastante frequência, trabalhar sob restrições leva a soluções mais criativas.
Do

Estabeleça um seu roadmap de sustentabilidade para a levar o negócio e os clientes a uma impacto neutro - e, mais além, a natureza positiva.

3. THE NEXT FRONTIER

What’s going on

A febre do Metaverse está a chegar aos quatro cantos do mundo, trazendo promessas, entusiamo e dúvidas.

O Metaverse é uma nova convergência de mundos físicos com digitais, uma evolução da Internet que permite às pessoas para além do "browsing", "habitar" uma experiência partilhada - reforçada pelos avanços do 3D, Realidade Aumentada (RA) e Realidade Virtual (VR). É um lugar onde as pessoas podem encontrar-se e onde assets digitais - território, edifícios, produtos e avatares - podem ser criados, comprados e vendidos. Este novo sistema de espaço irá modificar o nosso comportamento digital e tem as caraterísticas de uma nova época cultural. As marcas terão de compreender como/se os seus clientes vão existir neste novo mundo.

Expandindo-se para além do conceito de gaming, para alguns, o metaverse está a tornar-se um novo espaço para fazer dinheiro. A "economia criativa" está a crescer no sentido de englobar o emprego futuro no metaverse: os Creators vão produzir assets; os Performers vão criar conteúdos em tempo real; Os Bridgers vão ligar o mundo físico ao digital; os Participantes vão aprender, explorar e melhorar; os Builders vão desenhar e organizar experiências; a comunidade vai ajudar, atrair e envolver.8 Outras pessoas estão a lucrar por jogar e aprender. Jogar-para-lucrar, criar-para-lucrar, e aprender-para-lucrar são modelos que estão a transformar atividades de lazer em trabalho.

Os criativos e artistas estão a produtizar bens digitais tais como fotografias, vídeos, música e arte em NFTs (non-fungible tokens). Um NFT autentifica a propriedade de um bem digital, por outras palavras o certificado de propriedade não pode ser copiado. Isto promove escassez e promove o desejo pelos bens digitais, algo que nunca vimos antes.

Durante o ano passado, observámos também que as pessoas estão a procurar uma experiência multi-player para atividades não relacionadas com gaming, como ver filmes. Por exemplo, a Netflix criou uma nova funcionalidade para pessoas em localizações diferentes poderem ver o mesmo conteúdo juntas9.

O Metaverse não é tanto sobre uma imersão num mundo de fantasia de unicórnios e dragões mas mais sobre escapar aos limites do mundo físicos para passar tempo num espaço virtual que é uma versão, ou extensão, da vida real.

Será interessante ver o desenrolar do futuro do metaverse. Temos mais perguntas do que respostas sobre como se configurará o Metaverse, mas podemos estar certos de que esta primeira configuração do não será a final.

À medida que as marcas capitalizam as oportunidades no metaverso, encorajamos o debate em torno da ética relacionada com quem e o que fazem estas pessoas que o frequentam.
What’s next

Mudanças culturais significativas tendem a começar em num lugar - como a Florença Renascentista, Viena em 1900 ou os Swinging Sixties em Londres. O lugar para a próxima é no metaverse. O metaverse irá afectar a forma como exprienciamos a arte, a música, o cinema e, obviamente, as marcas.

No futuro imediato, esperamos assistir a um período de interrogações, aprendizagem e experimentação sobre o que é possível. Qualquer marca ou criador que queira operar no metaverse deve estar preparado para muita tentativa e erro, focando-se na experiência do utilizador final.

Experiências únicas serão provavelmente a chave para atrair pessoas fora da comunidade de gaming. Inicialmente, acreditamos que os donos das marcas vão estabelecer os seus próprios espaços dentro do metaverse, ou vão procurar uma Big Tech para criar plataformas metaverse-as-a-service que possam usar. Estes espaços irão então evoluir para além dos websites da marca ou da organização que são hoje lugares comuns, para espaços mais neutros onde interacções mais subtis e sofisticadas podem ter lugar, de forma fluída e flexível.

Como tudo se baseia em 3D, designers, designers de produtos digitais, criativos e tecnologistas vão desempenhar um papel central na construção de um mundo virtual e na criação de conteúdos. Métodos de desenvolvimento de gaming serão massificados à medida que mais experiências em 3D são colocadas online - como playtesting por exemplo, quando os jogadores fazem teste de qualidade da experiências do jogo antes do seu lançamento para o público em geral.

Incorporar ética desde o início é uma necessidade absoluta. Os danos causados pela atual experiência na Internet é evidente - as organizações devem fazer melhor na próxima interação, tendo mais transparência. As marcas procuram capitalizar as oportunidades apresentadas pelo metaverse mas a ética em torno do controlo do comportamento, sustentabilidade e acessibilidade para todos deve estar sempre presente.

O metaverse ganhou imensa tração durante a pandemia. O vai acontecer a partir daqui é o que ainda não podemos saber. Pode continuar a explodir e a crescer ou pode transformar-se noutra coisa qualquer. Pode desaparecer se um número suficiente de pessoas não continuar a encontrar no metaverse valor ou relevância.

Podemos muito bem estar às portas de uma nova era cultural. Se isto for verdade, esta mudança será associada com o metaverse. Aconteça o que acontecer, o metaverse pode oferecer um potencial infinito como um novo espaço para as empresas corajosas explorarem, testarem, e inovarem.

WE SUGGEST

Think

Considere o seu produto no metaverse - como é visto, como é comprado, para onde vai, como seria utilizado pelos clientes do metaverse. O ciclo de vida do seu produto, marca, ou experiências requer uma mudança de mentalidade completa. O metaverse é um lugar e não apenas mais um novo canal.
Say

Pergunte às pessoas (especialmente aos jovens) sobre os jogos que estão a jogar e as roupas que estão a comprar para os seus avatares. Converse sobre as experiências que têm com os seus amigos online para aprender mais sobre o potencial do metaverse.
Do

Aborde o metaverse com curiosidade e diversão, mas sempre com integridade, ética, cuidado e respeito pelo ambiente.

4. THIS MUCH IS TRUE

What’s going on

Passaram 24 anos desde a fundação da Google10, e um dos seus efeitos mais profundos é a forma como tem evoluído a nossa relação com o ato de questionar. A obtenção de respostas ao toque de um botão (ou uma breve interação com uma assistente de voz) está tão enraizada nas nossas vidas, que já assumimos como uma certeza. Isto levou-nos a fazer ainda mais perguntas.

Contudo, à medida que obtemos respostas de mais fontes como as redes sociais11, a proliferação da desinformação faz-nos duvidar das respostas encontradas. Tem sido sugerido que, durante os últimos 18 meses, a confiança foi tão desafiada que estamos a experimentar uma "Falência de Informação" - um estado caracterizado por níveis recordes de desconfiança na informação que seguem em paralelo de um crescimento acentuado de receios relacionados com segurança no trabalho, segurança pessoal, autonomia, e assuntos sociais.12

Incidências com linguagem inflamatória, falta de integridade, desinformação e a politização de tudo têm vindo a acelerar o declínio na confiança nos especialistas e governos, no entanto manter a confiança é crítico. As pessoas querem e precisam de poder confiar em todas fontes de respostas que procuram.

Mais recentemente, as preocupações emocionais e éticas estão a tornar o processo ainda mais complexo. O consumismo consciente continua a crescer, com um foco particular em ética e sustentabilidade.13 As pessoas querem sentir-se bem com o que estão a comprar. Estão a fazer mais perguntas que precisam de respostas no ponto de venda, sobre temas como o tratamento ético dos trabalhadores e dos animais ou o comércio justo.

As pessoas esperam obter respostas nos pontos de interação com o produtos ou serviços que querem comprar e no momento da comprar. As marcas têm de saber como gerir essa troca de informação nesses momentos.

Uma marca é um buddle de promessas, e os clientes querem saber mais do que nunca sobre essas promessas - o cliente também espera que as marcas cumpram essas promessas. Os níveis de informação que o dono da marca opta por partilhar devem, portanto, ser uma demonstração clara e transparente aos seus clientes sobre o seu desempenho.

Cada vez mais, as marcas irão provavelmente concorrer umas com as outras nos níveis de informação - se o dono de uma marca decidir não incluir uma layer, uma marca rival poderá fazê-lo.
What’s next

Enquanto se esforçam para responder às perguntas dos consumidores, as marcas devem definir estrategicamente quais os níveis de informação a ativar e com entregar transversalmente nos pontos de interação para construir confiança. Os níveis, devem ser simples de utilizar e entregar a informação certa no momento certo.

A quantidade de informação incluída deve variar de acordo com o local, a interface e os estado dos consumidores em constante mudança. Afinal, em qualquer momento, a mesma pessoa pode estar a fazer compras enquanto designer de interiores, por exemplo, ou enquanto pai ou como atleta amador. Os consumidores podem passar de procurar a opção mais racional e barata para o mood de esbanjar dinheiro.

A conversação é uma parte natural da experiência humana - é como partilhamos e descobrimos informação, como enquadramos quem somos, e como crescemos e aprendemos. Acreditamos que as conversas entre as marcas e os seus clientes podem evoluir e ser utilizadas para resolver estruturalmente o desafio de fornecer a resposta certa na altura certa. A Inteligência Artificial (IA) conversacional já potencia uma série de serviços básicos de perguntas e respostas, mas as abordagens vão provavelmente evoluir tanto em ambição como em sofisticação.

As marcas também têm uma oportunidade de encorajar a fidelização, recompensando os clientes por fazerem compras ecologicamente mais responsáveis. Os clientes que compram de forma sustentável poderão ganhar pontos ao longo do tempo, por exemplo. Programas de fidelização como este, pode incluir uma componente de comunidade, para que as pessoas sintam que os seus esforços estão a contribuir para algo impactante.

Cada vez mais, as marcas vão competir umas com as outras nos níveis de informação. Decisões granulares de desenho terão implicações diretas na estratégia, expandindo o âmbito do trabalho dos designers. De facto, as tarefas relacionadas com os níveis de informação irão abranger toda organização, especialmente a marca, marketing, serviço ao cliente e operações.

Provas demonstram a verdade. Não podemos esperar que todos os clientes interroguem a veracidade da informação que lhes é oferecida, pelo que a expetativa é de que as marcas substanciem o que dizem nos níveis de informação de forma a aliviar a mente dos clientes. Esta pode ser uma poderosa oportunidade de construção de confiança com os consumidores.

WE SUGGEST

Think

Pesquise os tipos de perguntas que os clientes estão agora a fazer dentro - e sobre - a sua indústria. Fora dos seus canais de venda, considere onde as pessoas obtêm informações sobre a sua organização ou produtos, e como pode criar níveis de informação que evite que os seus clientes consultem esses locais.
Say

Diga aos seus clientes que quer assegurar-se que eles sentem confiança ao comprar os seus produtos, dando-lhes mais transparência e informação no ponto de venda.
Do

Desenhe novos niveis de informação para construir confiança com os seus clientes e comunidades e prove o seu compromisso em responder as crescentes perguntas dos clientes sobre produto e serviços - de formas fáceis de descobrir dentre e fora do canal de vendas.

5. HANDLE WITH CARE

What’s going on

Cuidar e compaixão estão enraizados na natureza humana - são indiscutivelmente os traços de carácter que definem a humanidade14 Cuidar é um ato de bondade e demonstra preocupação pelos outros. Ultrapassa a empatia e constrói confiança. Em todas as suas formas, cuidar tornou-se mais proeminente no ano passado: cuidado próprio, cuidado pelos outros, serviços de cuidados e os meios para prestar cuidados (tanto digitais como físicos):

  • Temos visto a importância crescente do cuidado próprio. A pandemia causou danos à saúde mental em todo o mundo - este foi um dos maiores sinais globais vindos dos estúdios de design das Fjord trends e ficou visível à medida que fomos desenvolvendo estas tendências.
  • O acesso a serviços que permitem às pessoas cuidar dos seus entes queridos foi reduzido ou perturbado. Aqueles que cuidam dos outros assumiram assim mais responsabilidades - educar os seus filhos, ajudar nas consultas médicas, fazer compras para os seus pais - para além das vidas ocupadas que tinham antes da pandemia.
  • A quantidade de tempo e atenção agora dedicada ao cuidado do bem-estar dos colegas também aumentou. A compaixão e a empatia pelas lutas pessoais de um colega - tais como problemas de saúde mental, luto ou uma súbita perturbação através da doença - normalizaram-se.

A tecnologia tornou-se simultaneamente um novo canal e uma fonte de soluções para os cuidados, devido à pandemia que forçou a sua adoção e aceitação massificada para os cuidados de saúde e bem-estar.

Esta abertura à utilização da tecnologia para cuidados foi ainda mais acelerada pela utilização inevitável dos certificados de vacinação contra a Covid-19 em muitos países. Devido ao sentimento de responsabilidade coletiva para com aqueles que são vulneráveis na sociedade, as pessoas começaram a trocar informações sanitárias sobre o seu estado de vacinação para acesso a espaços públicos como restaurantes, teatros e aeroportos, geralmente utilizando um smartphone. Também de assinalar outra importante mudança comportamental: a partilha pública de informação de saúde anteriormente privada. Os níveis de conforto na partilha desta informação variam de pessoa para pessoa, mas a maioria está a fazê-lo, dando às comunidades a confiança para se abrirem sabendo que esta é uma boa maneira de minimizar o risco para os seus clientes.

O ênfase em cuidar está a expandir-se para além da indústria da saúde, com as empresas e serviços tradicionalmente não relacionados com a saúde, a encontrar novas formas de cuidar dos seus clientes. O cuidado próprio, o cuidado dos outros e o cuidado dos prestadores de cuidados tornou-se um foco importante.

Ter cuidado visível para com os clientes ajuda na construção de confiança na marca. Significa estar-se alinhado nos momentos importantes, criar novos serviços, e aproveitar a tecnologia.

What’s next

As responsabilidades em torno do cuidado próprio e dos cuidados com os outros continuarão provavelmente a ser uma prioridade. Para as marcas, cuidar visivelmente dos clientes constrói confiança. As marcas devem alinhar-se com os momentos que interessam, criar novos serviços e aproveitar a tecnologia de uma forma adequada e comedida.

Olhando em frente, difundir bondade e compaixão pelos outros é uma oportunidade de negócio na qual o design pode ajudar. Há muitas maneiras de criar novo valor no ato de cuidar através do design:

  1. Expandir a acessibilidade
    É fundamental que as marcas considerem se estão a ser suficientemente expansivas na sua definição de acessibilidade. Existem barreiras ao cuidado dos outros - especialmente para as pessoas cuja necessidade de cuidados é maior. As marcas devem avaliar a acessibilidade dos seus canais, produtos e serviços na sequência da mudança massiva dos cuidados para o digital.
  2. Dar prioridade ao bem-estar mental e à segurança
    Desenhar para o bem-estar mental e a segurança das pessoas é crítico. Esta abordagem não é nova, mas o uso irresponsável de padrões escuros para influenciar o comportamento digital das pessoas tem estado sob crescente escrutínio público. A concepção de KPIs que medem o benefício/risco para as pessoas e as suas relações será provavelmente um fator diferenciador para um negócio de cuidados15.
  3. Explorar o design multissensorial para impulsionar a inclusividade
    O design multissensorial é uma abordagem empática que reconhece as muitas formas como as pessoas experimentam e reagem a um produto ou serviço, ambiente ou experiência - subtil e óbvia, consciente e inconscientemente16. Para propostas relacionadas com o cuidado, o áudio tem um potencial significativo.
  4. Veja com um olhar novo os detalhes da experiência do colaborador
    O desenho de processos e regras internas para reduzir a carga mental nos colaboradores é uma forma súbtil, mas importante, de mostrar cuidado. Em todos os aspetos do trabalho, as organizações podem simplificar e tornar experiências complexas invisíveis e fáceis, dando espaço aos seus colaboradores para fazer o trabalho que é suposto estarem a fazer.
Cuidar sempre foi uma parte importante de ser humano, mas a diferença é que agora é mais visível e discutido abertamente - uma mudança bem-vinda. Tanto os designers como as organizações precisam de criar espaço para a prática de cuidar - não é suficiente falar sobre isto. O objetivo deve ser de desenhar e construir deliberadamente as ferramentes de cuidado dentro dos sistemas.

WE SUGGEST

Think

Trate os cuidados tanto os formais e os informais. Reconheça que cuidar é importante. Considere como pode desenvolver produtos e serviços - e os KPIs relacionados - que respondam às necessidades das pessoas que têm de cuidar como parte do seu trabalho diário.
Say

Comunique claramente que o cuidar não é transaccional. Defina o que significa cuidar para a sua organização e use-o como um princípio orientador no seu trabalho de design e comunicação.
Do

Remova da sua organização as coisas que mais frustram os seus empregados e clientes. Procure formas de minimizar o ruído, (tais como comunicações, processos internos, produtos/serviços externos), para dar às pessoas mais tempo e espaço para as coisas que importam.

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