Fjord Trends 2022: o novo tecido da vida
As nossas próximas escolhas podem impactar nosso mundo e sua estrutura de maneiras que nem podemos imaginar. Todas essas escolhas apontam para mudanças nos relacionamentos das pessoas - com colegas, marcas, sociedade, lugares e com aqueles com quem se importam. As pessoas também estão percebendo o impacto que estão causando no planeta e finalmente aceitando que não podem continuar se comportando como se não fizessem parte da natureza.
Vivemos dois anos de disrupções aos sistemas que regulam a nossa sociedade, e estamos pagando o preço. Mas acreditamos que também teremos grandes oportunidades para criar novos sistemas e novas formas de existir.

Neste ano, o tema dominante em todas essas tendências é a necessidade de reagir às mudanças em todos os relacionamentos. Devemos definir como costurar conscientemente - tanto de forma coletiva quanto individual - relacionamentos positivos para criar um novo tecido da vida que seja bom para as pessoas, para os negócios e para o planeta.

Vemos surgir cinco grandes tendências que terão implicações significativas para o próximo ano.

1. VENHA DO JEITO QUE VOCÊ É

O que está acontecendo

Uma era de crescimento pós-traumático está começando, manifestando-se em relações mais profundas, abertas e com um maior senso de força pessoal e espiritualidade, além de uma valorização mais profunda da vida.

As pessoas se perguntam quem são e o que importa para elas, e estão encontrando uma nova confiança para se mostrarem como são de verdade. Também há uma maior humanização da força de trabalho; as vidas profissionais e privadas estão cada vez mais mescladas, e admitir não estar bem não é mais um sinal de fraqueza.

Tudo isso faz parte de uma tendência ao individualismo e à independência. As pessoas estão tendo maior protagonismo sobre como e onde investem seu tempo e sua atenção. Em meados de 2021, as economias globais estavam reabrindo e a procura por trabalhadores era grande. A Grande Renúncia viu pessoas saírem de seus empregos motivadas por novas prioridades que surgiram durante os períodos de confinamento na pandemia.1
Complementar a principal fonte de renda ficou mais fácil graças às plataformas de tecnologia com canais e ferramentas para transformar hobbies em negócios. Nos Estados Unidos, as pessoas ganham em média US$ 10.972 por ano com atividades paralelas como ensinar, escrever blogs/newsletters, alugar suas casas e programar, entre outras.2

Essa mudança nas oportunidades e atitudes em relação ao trabalho tem um impacto direto nos empregos tradicionais. Muitas empresas, lutando com os efeitos de ter uma força de trabalho fisicamente distante há tanto tempo, estão preocupadas com a dinâmica da equipe, a inovação eficaz e com o trabalho colaborativo. A tensão aumentou, pois as preferências dos talentos não necessariamente coincidem com o que é melhor para as empresas.

O aumento do individualismo, marcado por uma mentalidade do tipo "eu acima de nós", está dificultando a empatia entre colegas nas empresas e mudando as aspirações dos clientes, o que traz novos desafios e oportunidades tanto para empregadores quanto para marcas.3
O aumento do individualismo, marcado por uma mentalidade do tipo "eu acima de nós", traz novos desafios e oportunidades tanto para empregadores quanto para marcas.

O que vem por aí

As organizações precisam entender as mudanças nas ambições, no senso de protagonismo e nos modos de vida das pessoas. O desejo das pessoas de satisfazer suas necessidades individuais conflita com as obrigações de suas comunidades.

Os empregadores agora enfrentam um importante desafio de liderança: equilibrar a flexibilidade que oferecem às pessoas com as necessidades da equipe - e trabalhar em prol do bem maior da organização para que a criatividade, a diversidade e a confiança possam prosperar. É importante atrair e reter os talentos certos e, ao mesmo tempo, reconhecer que eles estão se preparando para o futuro em relação às empresas. É hora de rever a proposta de valor, tendo em mente o contexto de hoje:

  • O pacote de benefícios: após ter adaptado os benefícios para o mundo digital, os empregadores continuarão a avaliar se eles são adequados para uma força de trabalho flexível e remota.
  • Um esforço coletivo: a cultura de trabalho precisa de um reforço no "nós". As empresas terão que se empenhar para garantir que os talentos entendam a sua responsabilidade com o coletivo, bem como os benefícios do trabalho coletivo.
  • Uma experiência diferenciada: o trabalho passou a ser mais transacional graças ao aumento das ferramentas de tecnologia; portanto, as empresas devem equilibrar a experiência para que ela vá além da produtividade da tarefa.
Com o crescimento da economia informal e criativa, também crescerão as necessidades de infraestrutura - do apoio ao design e produção ao acesso e entrega ao público. As empresas terão que reconhecer que os criadores - pessoas que ganham dinheiro diretamente do seu público ou via projetos pessoais - não são apenas seus clientes, mas também seus concorrentes e talentos, e deverão mudar seu comportamento.

No centro dessa tendência está uma tensão social mais ampla entre o individualismo e o coletivo. Ela se espalha de forma desigual pelo mundo, mas acreditamos que continuará a ser um debate cultural determinante, com consequências econômicas em todo o mundo.

NOSSA SUGESTÃO

Pense

Reflita sobre o aumento do protagonismo e da mentalidade “eu acima de nós” e as implicações para sua organização - como você atrairá e reterá talentos e clientes neste novo contexto?
Diga

Verbalize claramente o valor dos grupos, comunidades e equipes, e como o aumento do protagonismo e a necessidade do coletivo podem coexistir para o bem da sua organização.
Faça

Seja criativo sobre a forma como a proposta de valor da sua empresa pode evoluir para se adaptar a pessoas com diversas fontes de renda. Encare quaisquer pontos fracos para garantir que seus talentos não peçam demissão.

2. O FIM DA MENTALIDADE DA ABUNDÂNCIA?

O que está acontecendo

No último ano, muitos de nós testemunhamos e sentimos como é encarar prateleiras vazias, contas de energia aumentando e escassez nos serviços cotidianos. Isto é um choque para alguns de nós que conseguíamos ter o que quiséssemos sem muito esforço. Nós temos a sorte de aproveitar a "mentalidade da abundância".

A crise na cadeia de suprimentos, que começou com o impacto do confinamento na indústria, continuou com bloqueio do Canal de Suez pelo navio porta-contêiner Ever Given4, e foi agravada pela escassez de caminhões e motoristas, paralisando o fluxo de tráfego em um dos portos mais movimentados do mundo.5 Uma grande variedade de materiais, peças e mercadorias ficou em falta, desde café até chips semicondutores.

Em muitos países, esses problemas frearam a mentalidade da abundância. De uma hora para outra, a escassez se tornou constante da vida das pessoas.
As mudanças climáticas têm sido outro catalisador chave. Na esteira dos desastres naturais, desde inundações fora de época até incêndios florestais, as pessoas começam a entender o impacto que seus hábitos de consumo têm sobre o planeta.

Os eventos do último ano também deixaram claro o quão interligada e interdependente é nossa infraestrutura comercial. Por exemplo, quando o aumento global nos preços do gás forçou o maior fabricante de fertilizantes do Reino Unido a suspender a produção, um impacto não previsto foi uma forte queda no fornecimento de um dos seus subprodutos - o CO2 industrial - que, por sua vez, ameaçou a oferta de alimentos embalados em plástico, como a carne fresca.6

Embora a escassez na cadeia de suprimentos possa ser um desafio temporário, o impacto deve persistir e abrir a porta para uma mudança em nossa "mentalidade da abundância", particularmente em relação ao meio ambiente. A escassez de mercadorias pode afetar os clientes, e as marcas devem gerenciar as expectativas em torno da conveniência e sustentabilidade.
Ao desenhar visando o equilíbrio entre acessibilidade econômica e sustentabilidade, as organizações precisam desassociar a inovação da noção de "novo".
O que vem por aí

Em nossa tendência de Infraestrutura Líquida, previmos que a cadeia de suprimentos seria um novo ponto para geração de valor.7 Desde então, nosso pensamento evoluiu em duas frentes:

  • Prevemos uma necessidade urgente de unir marketing, atendimento ao cliente e cadeia de suprimentos para proteger e sustentar a reputação da marca.
  • Acreditamos que visar o equilíbrio entre acessibilidade econômica e sustentabilidade pode ser a próxima grande oportunidade para as marcas trilharem novos caminhos. Muitos clientes vão colocar na balança o bem do planeta versus as necessidades básicas das suas famílias ao tomarem decisões de compra. Este equilíbrio deve estar no centro da inovação da sustentabilidade das marcas.
Uma mudança de mentalidade necessária será dissociar a inovação da noção de "novo". Costuma-se dizer que as pessoas precisam mudar de comportamento, mas isso é difícil de fazer quando elas estão constantemente sendo influenciadas a fazer o contrário. As marcas terão que pensar de forma diferente.

Uma saída pode ser a geração de novo valor para os clientes por meio de serviços que prolongam a vida útil de um produto. Melhorias incrementais, por outro lado, servem apenas para descartar itens ainda em funcionamento e comprar novos.

Prevemos um aumento no ritmo dos "negócios regenerativos" que substituem o modelo tradicional de "pegar, fazer, descartar" por uma abordagem mais circular. Esse caminho inclui a exploração de novas práticas, como precificação dinâmica, microfábricas e manufatura hiperlocalizada. Também é provável que o movimento “nature positive" ganhe popularidade nos próximos anos. Isto significa aumentar a resiliência do nosso planeta e das sociedades para deter e reverter a perda dos biomas.

As empresas precisarão fazer mais do que simplesmente mitigar os impactos negativos. Elas precisarão manter a capacidade da natureza se reabastecer, o que pode envolver uma revisão dos sistemas dos quais as pessoas dependem.

Ao questionarmos a "mentalidade da abundância" nos negócios, menos ("less") não necessariamente significa perda ("loss"). Repensar nossa configuração de padrão de abundância é um grande primeiro passo. O segundo é começar a colaborar com outras pessoas no ecossistema para enfrentar as mudanças climáticas.

NOSSA SUGESTÃO

Pense

Reflita sobre o que essa disrupção na cadeia de suprimentos significa para seus negócios e seus clientes. Será que é possível criar novos modelos de negócios prolongando a vida útil dos produtos?
Diga

Deixe claro para as suas equipes de inovação e de desenvolvimento de produtos que inovação não necessariamente significa novidade. Trabalhar com restrições muitas vezes leva às soluções mais criativas.
Faça

Defina sua rota de sustentabilidade para que sua empresa e clientes se tornem "net neutral" - e, consequentemente, "nature positive".

3. A PRÓXIMA FRONTEIRA

O que está acontecendo

A febre do metaverso está se espalhando pelo mundo, trazendo promessas, empolgação e perguntas ainda sem respostas.

O metaverso é uma nova convergência dos mundos físico e digital, uma evolução da internet que permite às pessoas irem além de "navegar" para "vivenciar" uma experiência compartilhada, enriquecida por avanços em 3D, Realidade Aumentada (AR) e Realidade Virtual (VR). É um lugar onde as pessoas podem se encontrar e onde ativos digitais - terrenos, edifícios, produtos e avatares - podem ser criados, comprados e vendidos. Esse novo ambiente mudará nosso comportamento digital e tem tudo para se tornar uma nova era cultural. As marcas precisarão entender como/se seus clientes existirão nesse novo mundo.

Para alguns, o metaverso está indo além das suas raízes nos games e se tornando um novo lugar para ganhar dinheiro. A economia dos criadores está crescendo para englobar o emprego futuro no metaverso: os criadores gerarão os ativos; os performers criarão conteúdo em tempo real; os intermediários conectarão o mundo físico ao mundo digital; os participantes aprenderão e aperfeiçoarão; os construtores projetarão experiências; a comunidade ajudará e se engajará.8 Os modelos "jogar para faturar", "criar para faturar" e "aprender para faturar" estão transformando atividades divertidas em trabalho.

Criadores e artistas estão cunhando ativos digitais como fotografias, vídeos, música e arte em tokens não-fungíveis (NFTs). Um NFT autentica a propriedade de um ativo digital por uma determinada pessoa, o que significa que o registro de propriedade não pode ser copiado. Isso gera escassez e aumenta o desejo por itens digitais, algo nunca antes visto.

Observamos também que as pessoas estão em busca de uma experiência multi-player para atividades não ligadas aos jogos, como assistir a filmes. Por exemplo, a Netflix criou um recurso para as pessoas assistirem conteúdos juntas, mesmo estando separadas.9

O metaverso tem menos a ver com ficar imerso num mundo fantástico de unicórnios e dragões e mais com ultrapassar os limites físicos para passar tempo num espaço virtual que é uma versão, ou uma extensão, da vida real.

Será interessante ver os desdobramentos do futuro do metaverso. Temos mais perguntas do que respostas sobre o que metaverso virá a ser, mas podemos ter certeza de que a primeira visão dele não será a última.

À medida que as marcas capitalizam as oportunidades no metaverso, incentivamos o debate aberto em torno da ética relacionada às pessoas e o que fazem lá.
O que vem por aí

Mudanças culturais tendem a começar em um lugar - como o Florença no período do Renascimento, Viena nos anos 1900 e Londres nos anos 1960 (Swinging Sixties). O local da próxima mudança é o metaverso. Ele mudará a forma como as pessoas experimentam a arte, a música, o cinema e, é claro, as marcas.

Em um futuro próximo, esperamos ver um período de questionamentos, aprendizado e experimentação daquilo que é possível. Qualquer marca ou criador que queira operar no metaverso deve estar pronto para muitas tentativas e erros, com foco na experiência do usuário final.

Experiências únicas provavelmente serão a chave para atrair pessoas de fora da comunidade de games. Acreditamos que as marcas criarão seus próprios espaços dentro do metaverso, ou buscarão as gigantes da tecnologia para criar plataformas com as quais possam interagir. Esses espaços irão então evoluir para além dos tradicionais websites das marcas ou das empresas para espaços mais neutros, onde possam ocorrer interações sutis e sofisticadas, e de forma fluida e livre.

Como tudo é baseado em 3D, designers, desenvolvedores, criativos e tecnólogos terão um papel central na construção desse mundo virtual e na distribuição de conteúdo. O desenvolvimento de games se tornará convencional à medida que mais experiências passarem a ser online. Por exemplo, o "playtesting", quando os jogadores dão feedback sobre suas experiências antes do lançamento de um jogo.

Incorporar a ética desde o início é imprescindível. Os danos causados pela internet são evidentes - as organizações devem melhorar na próxima iteração, com maior transparência. À medida que as marcas buscam capitalizar sobre as oportunidades apresentadas pelo metaverso, a ética em torno do controle do comportamento, sustentabilidade e acessibilidade deve ser prioridade para todos.

O metaverso ganhou grande força durante a pandemia. O que ainda não temos como saber é como ele evoluirá daqui para a frente. Ele pode continuar a prosperar e a crescer; pode se transformar em algo novo; ou pode se enfraquecer, a menos que um número suficiente de pessoas encontre nele valor ou relevância contínuos.

Podemos muito bem estar à beira de uma nova época cultural. Se isso for verdade, essa mudança será associada ao metaverso. Aconteça o que acontecer, o metaverso pode oferecer um potencial infinito como um novo e corajoso espaço para as empresas explorarem, testarem e inovarem, o que o torna – para dizer o mínimo – tremendamente excitante.

NOSSA SUGESTÃO

Pense

Imagine seu produto no metaverso - como ele é visto, como é comprado, para onde vai, como é usado pelos seus clientes no metaverso. O ciclo de vida do seu produto, marca e experiências requer uma mudança completa de mentalidade. O metaverso é um lugar e não apenas mais um canal.
Diga

Pergunte às pessoas (especialmente aos jovens) sobre os games que estão jogando e as roupas que compram para seus avatares. Converse sobre as experiências que eles têm com seus amigos online para entender melhor o potencial do metaverso.
Faça

Aborde o metaverso com curiosidade e de ludicidade, mas sempre com integridade, ética, cuidado e respeito ao meio ambiente.

4. ISSO É VERDADEIRO

O que está acontecendo

Já se passaram 24 anos desde a criação do Google10, e um dos seus efeitos mais profundos é o de como ele evoluiu o nossa relação com as perguntas. Obter uma resposta ao toque de um botão (ou uma breve conversa com um assistente de voz) está tão incorporado em nossas vidas que é uma expectativa que quase não consideramos.

Mas à medida em obtemos respostas de mais fontes, tais como as mídias sociais11, o volume de desinformação nos faz duvidar dessas respostas. Há quem diga que, nos últimos 18 meses, a confiança tem sido tão testada que estamos passando por uma "Falência das Informações" - caracterizada por níveis baixíssimos de confiança em todas as informações, juntamente ao aumento dos temores em torno da segurança no trabalho, segurança pessoal e autonomia.12

Incidentes envolvendo linguagem inflamatória, falta de integridade, desinformação e a politização têm acelerado a queda na confiança em especialistas e governos. No entanto, as pessoas querem e precisam poder confiar em todas as fontes das respostas que procuram.

Recentemente, questões emocionais e éticas estão tornando o processo ainda mais complexo. O consumo consciente continua a crescer, com foco nos valores éticos e de sustentabilidade.13 As pessoas querem se sentir bem sobre o que o compram. Elas estão fazendo mais perguntas que precisam de respostas, no ponto de venda, sobre questões como o tratamento ético dos trabalhadores e dos animais.

As pessoas esperam obter respostas nos pontos de interação com o produto ou o serviço que desejam comprar e no momento da compra. As marcas precisam saber como conduzir essa troca nesses momentos.

Uma marca é um conjunto de promessas, e os clientes querem saber mais do que nunca sobre essas promessas - eles também esperam que as marcas as cumpram. As camadas de informação que as marcas escolhem transparecer devem, portanto, ser uma demonstração clara e aberta a seus clientes de como elas estão desempenhando.

As marcas provavelmente competirão cada vez mais entre si nas camadas de informação - se uma marca decidir não incluí-las, uma rival poderá fazê-lo.
O que vem por aí

À medida que se esforçam para responder às perguntas das pessoas, as marcas devem fazer escolhas estratégicas sobre quais informação devem ser implantadas e como desenhá-las nos pontos de contato para gerar confiança. As camadas devem ser simples de usar, oferecendo as informações corretas da forma mais adequada e no momento certo.

O volume de informações apresentadas deve variar de acordo com o local, com a interface e com as modalidades em constante mudança. Afinal, em qualquer momento, a mesma pessoa pode estar fazendo compras na condição de designer de interiores, chefe de família, ou atleta amador. Essa pessoa pode deixar de procurar pela opção mais barata e passar a querer esbanjar.

A conversa é uma parte natural da experiência humana - é como compartilhamos e descobrimos informações, como estruturamos quem somos, e como crescemos e aprendemos. Acreditamos que as conversas das marcas com seus clientes podem evoluir e ser usadas para resolver o desafio de oferecer a resposta certa no momento certo. A Inteligência Artificial (IA) já alimenta uma série de serviços básicos de perguntas e respostas, mas as abordagens provavelmente evoluirão tanto em ambição quanto em sofisticação.

As marcas têm a oportunidade de incentivar a fidelidade ao recompensar os clientes por fazerem compras mais responsáveis do ponto de vista ecológico. Clientes que compram de forma sustentável, por exemplo, podem ganhar pontos ao longo do tempo. Programas de fidelidade podem incluir um componente comunitário, assim as pessoas verão seus esforços contribuindo para algo impactante.

Cada vez mais, as marcas competirão umas com as outras nas camadas de informação. Decisões de design terão implicações estratégicas diretas, expandindo o trabalho. Na verdade, as tarefas relacionadas às camadas de informação abrangerão toda a organização, especialmente marca, marketing, atendimento ao cliente e operações.

Provas confirmam verdades. Não podemos esperar que todos os clientes questionem a veracidade das informações que lhes são oferecidas; portanto, a expectativa é que as marcas comprovem o que dizem em suas camadas de informação para reduzir a carga mental do cliente. Esta também pode ser uma oportunidade marcante para conquistar confiança.

NOSSA SUGESTÃO

Pense

Pesquise os tipos de perguntas que os clientes fazem sobre o seu setor, dentro e fora dele. Além dos seus canais de venda, aonde as pessoas vão para obter informações, e como você pode criar camadas de informação que façam com que elas não tenham que ir até lá.
Diga

Diga para seus clientes que você quer garantir que eles se sintam confiantes ao comprar de você, dando-lhes mais transparência e informações no ponto de venda.
Faça

Desenhe novas camadas de informação para conquistar a confiança dos seus clientes e comunidades e prove seu compromisso em responder as perguntas, de maneiras que possam ser facilmente encontradas tanto dentro quanto fora do canal de vendas. Use dados para entender o máximo que puder sobre as camadas que cada cliente está procurando.

5. MANUSEIE COM CUIDADO

O que está acontecendo

Cuidado e compaixão fazem parte da natureza humana: são os traços de caráter que definem a humanidade.14 Cuidado é um ato de bondade e preocupação com os outros. Ele vai além da empatia e gera confiança. Em todas as suas formas, o cuidado ganhou destaque neste último ano: o autocuidado, o cuidado com o outro, serviços de cuidado e os canais (digitais e físicos) para oferecer cuidado:

  • Temos visto o aumento da importância do autocuidado. A pandemia causou estragos à saúde mental em todo o mundo - este foi um dos maiores sinais globais vindos dos nossos estúdios de design à medida que identificávamos estas tendências.
  • O acesso a serviços que permitem às pessoas cuidar dos seus entes queridos foi reduzido ou interrompido. Aqueles que cuidam dos outros, portanto, assumiram mais responsabilidades: educar seus filhos, ajudar nas consultas médicas, fazer compras para seus pais, além da vida agitada que já tinham antes da pandemia.
  • A quantidade de tempo e de atenção agora dedicadas aos cuidados dos colegas provavelmente também aumentou. A compaixão e a atenção diante dos dificuldades pessoais de um colega - tais como problemas de saúde mental, luto ou um transtorno súbito devido a doenças - foram normalizados.

A tecnologia se tornou tanto um novo canal quanto uma fonte de soluções para o cuidado, à medida que a pandemia forçou a adoção e a aceitação em massa da tecnologia para a saúde e o bem-estar.

Essa abertura ao uso da tecnologia para o cuidado foi acelerada pelo uso dos passaportes da vacina contra a COVID-19 em muitos países. Devido à responsabilidade coletiva com aqueles que são vulneráveis na sociedade, as pessoas começaram a trocar informações de saúde sobre seu status de vacinação para ter acesso a espaços públicos como restaurantes, cinemas e aeroportos. Isso também sinaliza outra mudança comportamental: o compartilhamento público de informações de saúde que antes eram privadas. Os níveis de aceitação para compartilhar essas informações variam de pessoa para pessoa, mas a maioria o faz, dando às comunidades a confiança para se abrir sabendo que esta é uma boa maneira de minimizar os riscos.

O foco no cuidado está indo além do setor de saúde, uma vez que empresas e serviços não relacionados à saúde estão encontrando novas maneiras de cuidar dos seus clientes. O autocuidado, o cuidado dos outros e o cuidado com os cuidadores tornou-se um foco importante.

Cuidar dos clientes de forma visível gera confiança. Significa estar alinhado aos momentos que importam, criar novos serviços e explorar a tecnologia.

O que vem por aí

As responsabilidades em torno do autocuidado e do cuidado com os outros provavelmente continuarão a ser prioridades. Para as marcas, cuidar dos clientes de forma visível gera confiança. Elas devem criar novos serviços e explorar a tecnologia de forma adequada e mensurável.

Olhando para o futuro, combinar bondade e compaixão pelos outros é uma oportunidade de negócios com a qual o design pode ajudar. Existem muitas maneiras de agregar valor:

  1. Expandir a acessibilidade
    É fundamental que as marcas avaliem se estão sendo amplas o suficiente em sua definição de acessibilidade. Existem barreiras para cuidar dos outros - especialmente para as pessoas que mais precisam de cuidados. As marcas devem avaliar a acessibilidade de seus canais, produtos e serviços na esteira da mudança em massa para o cuidado digital.
  2. Priorize o bem-estar mental e a segurança
    É fundamental desenhar visando o bem-estar mental e a segurança das pessoas. Esta abordagem não é nova, mas o uso irresponsável de "dark patterns" (padrões obscuros) para influenciar o comportamento digital das pessoas tem sido alvo do escrutínio público cada vez maior. Desenhar KPIs que meçam o benefício/risco para as pessoas e seus relacionamentos provavelmente será um diferencial para um negócio que se importa.15
  3. Explore o design multissensorial para promover a inclusão
    O design multissensorial é uma abordagem que reconhece as muitas formas que as pessoas têm de experimentar e reagir a um produto ou serviço, ambiente ou experiência - de forma sutil, consciente e inconsciente.16 Ele vai além do foco predominante no design visual. com características que também apelam para outros sentidos, como olfato ou tato.
  4. Reveja os detalhes da experiência do talento
    Criar processos e regras internas para reduzir a carga mental dos talentos é uma forma sutil, mas importante de mostrar cuidado. Em todos os aspectos do trabalho, os empregadores podem deixar as experiências custosas mais imperceptíveis e fáceis - e com isso dar às pessoas espaço para fazer seu trabalho.
O cuidado sempre foi uma parte importante de ser humano, mas a diferença é que agora ele é mais visível e discutido abertamente - uma mudança bem-vinda. Designers e empresas precisam abrir espaço para praticar o cuidado - não basta falar sobre ele. O objetivo deve ser deliberadamente desenhar e incorporar cuidado aos sistemas.

NOSSA SUGESTÃO

Pense

Trate o cuidado tanto de maneira formal como informal. Reconheça que cuidar é um trabalho importante e emocionalmente desgastante. Pense em como você pode desenvolver produtos e serviços em torno das necessidades das pessoas.
Diga

Comunique claramente que o cuidado não é transacional. Defina o que o cuidado significa para sua organização e use-o como uma diretriz em seu design e em sua comunicação.
Faça

Exclua da sua organização aquilo que mais frustra seus talentos e clientes. Busque maneiras de minimizar o ruído (como comunicações, processos internos, produtos/serviços externos), para dar às pessoas mais tempo e espaço para as coisas que importam.

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