Resumo

Resumo

  • Como as companhias podem seguir na transformação digital em tempos de demanda retraída e supply chain instável? Pondo foco na colaboração multifuncional.
  • Mesmo em tempos "normais", uma falta de colaboração diante de desafios complexos, como a transformação digital, pode custar caro às organizações, tanto no ROI quanto no futuro crescimento das receitas. Em tempos de COVID-19 e retração econômica, o velho problema dos silos pode ser desastroso.
  • Nós nos debruçamos sobre um grupo de empresas que resolveu bem a difícil questão da colaboração—que se estende por todas as linhas funcionais para inovar, manter-se relevante e impulsionar crescimento rentável.


A essência da colaboração multifuncional

Crises globais como a atual pandemia são tão complexas que elas somente podem ser enfrentadas quando equipes de diferentes disciplinas e áreas organizacionais trabalham em conjunto. Impõe-se a derrubada urgente de silos, custe o que custar. Médicos trabalhando com líderes governamentais, enfermeiros lidando com gestores de supply chain, infectologistas discutindo com CEOs de praticamente todos os setores.

Do seu lado, companhias globais na linha de frente da crise conseguiram colaborar bem fora de suas organizações, aproveitando suas ideias, pessoas e recursos para o bem maior da humanidade. Mas e dentro das suas organizações? Será que as funções de negócio estão colaborando entre si a fim de resolver as mais complexas questões enfrentadas pela companhia, não relativas à COVID-19, tais como novas ameaças competitivas e transformação digital? Será que estão alavancando tecnologias-chave como cloud, data analytics e compartilhamento de dados para impulsionar valor?

O estudo da Accenture X.0 Research mostra que muitas companhias estabelecidas ainda lutam com a colaboração multifuncional. Numa pesquisa com mais de 1.500 executivos globais seniores e altos diretores de empresas de diferentes setores conduzida antes da pandemia da COVID-19, 75 por cento disseram que várias funções de negócio (ex.: P&D, engenharia, produção, marketing, operações e vendas) competem entre si em vez de colaborarem em prol dos esforços da digitalização.

O problema dos silos ainda se faz presente—mas desta vez em plena transformação digital das empresas. E está impactando ambas as pontas do negócio: as vendas (topline) e a rentabilidade (bottom line). Avalie estas conclusões do nosso estudo.

  • A competição entre áreas funcionais causa investimentos redundantes em projetos digitais—com executivos esperando um aumento de 6,3% nos custos como consequência. Os números reportados para o mesmo período de 2017 a 2019 estavam próximos—com custos reais crescendo quase 6 por cento durante o mesmo período.
  • A expectativa sobre investimentos digitais feitos pelos líderes funcionais era de ajudar o crescimento das receitas em cerca de 11,3% a cada ano, de 2017 a 2019. Os números reais reportados para este período? Pouco acima de 6 por cento de crescimento de receitas por ano em média—quase a metade do esperado.
  • Duas em cada três companhias (64%) não chegam a ver qualquer contribuição dos investimentos digitais sobre o crescimento das receitas.

Mesmo em tempos "normais", a falta de colaboração multifuncional tem impacto negativo tanto no ROI quanto no crescimento das futuras receitas. Em tempos de retração econômica, a competição entre áreas funcionais—especialmente em questões relacionadas à transformação digital—poderia ser desastrosa.

Assim, para os executivos, a pergunta é: como conduzir a questão? Como permitir suficiente experimentação, fragmentação e competição entre funções para obter benefícios da iterativa inovação e experimentação? E como você domina e introduz nos processos a quantidade necessária de alinhamento, colaboração e harmonização? Quando e onde você entra, corrige e realinha os procedimentos?


Nigel Stacey

Líder global de Industry X.0


Raghav Narsalay

Managing Director, líder da Global Research, Industry X.0


Aarohi Sen

Principal, Thought Leadership, Industry X.0

Benefícios
da colaboração
multifuncional



Cientes da conclusão de que a falta de colaboração multifuncional está atrapalhando o futuro crescimento e a ampliação dos objetivos da transformaçãp digital, nós buscamos identificar aquelas empresas que lograram resolver esta questão. Nossa intenção era conhecê-las e descobrir como conseguiram derrubar os silos a fim de promover maiores colaboração e inovação. Começamos por observar empresas que suplantaram suas concorrentes no mesmo setor e que impulsionaram receitas por meio dos investimentos digitais, alcançando índices de crescimento superiores à média da sua indústria nos últimos três anos.

Um pequeno grupo de empresas industriais e de transformação se destacou. Representando 22 por cento da nossa amostra, estas Campeãs investiram 1,5 vez mais (39 por cento das suas receitas) que as demais na digitalização de suas funções. Mas obtiveram ganhos de receitas quatro vezes maiores—27 por cento contra 6,6 por cento. (ver Figura 1)


Figura 1. Investimentos na Transformação Digital

Média de investimentos feitos na digitalização de múltiplas funções como % das receitas (2017-2019)




Média % de ganhos nas receitas como resultado dos investimentos na transformação digital de múltiplas funções (2017-2019)



Mas será que o fato das Campeãs investirem mais de um terço das suas receitas em projetos digitais implicaria em maior lucro decorrente das crescentes receitas? Examinanos o EBIT (lucro antes de juros e impostos) atual e verificamos que as Campeãs obtiveram crescimento de 27 por cento do EBIT durante o período de 2017 a 2019, enquanto as demais somente alcançaram um crescimento de 2,9 por cento. (ver Figura 2)



Figura 2. Maiores lucros com o digital

Média % de lucro das receitas como resultado dos investimentos na transformação digital de múltiplas funções (2017-2019)


Figura 3. Os mercados apostam nas Campeãs

Índice do preço médio diário das ações (data base: 01 janeiro 2020)



Claramente, as Campeãs saíram-se melhor no impulso dos lucros decorrente dos seus investimentos digitais. Mas isso foi visto antes da COVID-19. Estariam elas aptas a superar a tempestade? Estudamos os movimentos dos preços das ações das companhias da nossa pesquisa e vimos que os mercados têm expectativas de que as Campeãs tenham desempenho destacado durante a crise (ver Figura 3)

Acima de tudo, estas companhias aprenderam como derrubar silos por meio da alavancagem da força de plataformas baseadas em cloud e do compartilhamento de dados, extraindo bons resultados deste processo.

O segredo
das Campeãs


Também identificamos 5 comportamentos-chave que as diferenciaram das demais companhias. Estas Campeãs estão mais propensas a:

  1. Deixar claro o objetivo comum. Elas explicam "o que" significa transformação digital para as suas áreas e por que todas deverão colaborar para uma missão conjunta.
  2. Manter responsabilidade executiva. Elas induzem responsabilidade aos seus gestores de promoverem estreita colaboração entre as diversas funções de negócio.
  3. Escolher as apostas certas. As Campeãs priorizam projetos que requerem ou incentivam grande colaboração entre funções.
  4. Interoperar plataformas. Elas investem em plataformas colaborativas e as escalam, ao mesmo tempo que evitam soluções isoladas, os "jardins murados".
  5. Convergir IT-OT. Elas estabelecem regras para suas áreas de Tecnologia da Informação e Tecnologia de Operações de forma a fazê-las trabalhar em conjunto.


Um roteiro de
colaboração entre equipes


Para a transformação digital, uma questão-chave é a garantia que o que se ganha numa função não é desperdiçado em outra como resutado de uma definição díspare de valor. As Campeãs garantem que cada função adiciona valor à atuação das demais funções de negócio.

Para superar desafios usuais de colaboração e harmonizar os esforços da digitalização sobre várias funções, as empresas concentram-se nestas cinco ações-chave que são tomadas pelas nossas Campeãs.


01. Planejar o trabalho e trabalhar o plano (estabeleça clareza e um objetivo em comum).

Seja específico, prescritivo e claro quanto à visão e missão da sua transformação digital.

Não basta preparar uma estratégia de negócio abrangente e listar resultados desejados. É crucial planejar uma estratégia digital específica e multifásica—e disseminá-la amplamente para todos os envolvidos. Também é imperativo desenvolver um plano de execução para acompanhar cada passo da transformação.

Atribua domínio e responsabilidade em torno da colaboração multifuncional.

82 por cento das Campeãs têm um executivo da alta direção que conduz a transformação digital e é responsável pelo seu sucesso em cada função. Se houver um líder encarregado pela digitalização das operações, então essa pessoa também deverá ter a responsabilidade de influenciar as mudanças organizacionais requeridas a fim de obter o máximo dos investimentos digitais da empresa. Sendo a mesma pessoa em ambos os casos, aumentam as chances de sucesso.

Dê prioridade a projetos que estimulem a colaboração multifuncional.

As Campeãs sabem onde e como alocar o capital. Elas fazem isso na medida em que priorizam projetos que requerem colaboração entre funções, os quais são bancados e executados por toda a organização.

Assegure que todas as soluções e plataformas digitais sejam interoperáveis.

As Campeãs sabem como harmonizar diferentes plataformas técnicas na nuvem, garantindo que elas trabalhem bem em conjunto para obter resultados mútuos. As Campeãs tendem a ter plataformas digitais que funcionam e se comunicam bem entre si.

Construa políticas inteligentes de governança de IT-OT desde o início.

A colaboração multifuncional tem melhor resultado quando as equipes estão munidas de tecnologia e conhecimento para reunir, entregar e analisar dados de forma a liberar os melhores insights.

Conclusão:
Se você quiser andar rápido,
vá sozinho. Se quiser ir mais longe, vá acompanhado.


A colaboração multifuncional não é um modo final nem mesmo um meio para um objetivo. Precisa ser um imperativo organizacional central para empresas numa fase pós-COVID-19, um mundo "nunca normal", e um foco estratégico para executivos encarregados de sustentar os esforços da transformação digital. Quando executada de forma eficiente, a maior colaboração sobre os limites organizacionais pode trazer não apenas a redução de desperdício e custos mas também criar retornos financeiros mensuráveis.

À medida que as companhias continuem a brigar com a adoção e implementação das tecnologias digitais, ou a apressar a sua transformação digital, elas podem facilmente perder a visão sobre a colaboração multifuncional. Mas as Campeãs reconhecem-na como fundamental para os seus negócios. Tal como eficiência e produtividade, ela está se tornando um barômetro cada vez mais importante para o sucesso em tempos difíceis.

Materiais

20 minutos de leitura

Relatório completo

Como superar a crise em conjunto

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Sobre a pesquisa


Nos meses de janeiro e fevereiro de 2020, entrevistamos 1.550 executivos seniores de empresas de 14 diferentes indústrias distribuídas por 11 países, com vendas anuais superiores a US$ 1 bilhão.

Na pesquisa, pedimos aos executivos para reportar os nomes de suas companhias e os investimentos direcionados à transformação digital das principais funções de negócio. Também coletamos os dados do impacto destes investimentos sobre custos e receitas. Comparamos dados dos investimentos em digital e seus impactos com as informações financeiras reportadas publicamente a fim de apurar perda de valor devido à competição interfuncional. Identificamos as Campeãs como sendo aquelas empresas que satisfazem dois critérios separados:

  1. Elas ultrapassaram a média do setor em termos de impacto multifuncional dos investimentos em transformação digital sobre as receitas, no período entre 2017 e 2019, e
  2. o crescimento total de suas receitas no período dos três anos foi superior ao das suas concorrentes no setor.
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