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RELATÓRIO DE PESQUISA

Life Trends 2026

Testemunhamos uma mudança profunda no modo de vida contemporâneo. Esta evolução não se limita à tecnologia; abrange a estabilidade, a prosperidade humana impulsionada pela IA, a reinvenção dos espaços comunitários e a constante mutação das trajetórias de vida. Estes sinais não são casos isolados, mas sim indicadores de uma transformação estrutural centrada nas pessoas. Descarregar o relatório.

Cinco tendências emergentes que definem o futuro: compreender, conceber e agir para um crescimento com propósito.

  • 01. O prémio da estabilidade

  • 02. Percursos humanos

  • 03. À procura de Neo

  • 04. Boas vibrações (Good Vibes)

  • 05.A nova maturidade

TENDÊNCIA 1

O prémio da estabilidade

Num mundo de mudanças implacáveis, as pessoas anseiam, mais do que nunca, por estabilidade emocional, económica e social.

O panorama geral

À medida que as pessoas lidam com a constante oscilação de narrativas, onde crenças e normas mudam de um dia para o outro, cada notícia de última hora parece ter consequências profundas. A necessidade de estabilidade manifesta-se em pequenos confortos, em boicotes ou no armazenamento de bens como forma de obter segurança. Para os líderes empresariais, a pressão é igualmente real. No entanto, estabilidade não é sinónimo de estagnação ou monotonia; é um diferencial competitivo. É o pilar da confiança, da previsibilidade e do bem-estar. Os líderes que equilibram a capacidade de resposta com a reflexão conseguem construir legados dinâmicos e duradouros.

O que está a acontecer

O primeiro impulso do dia para muitos é pegar no telemóvel. "O que é que me escapou?" Estratégias mediáticas agressivas e segmentadas alteram agendas do dia para a noite. Este fluxo é exaustivo, tanto emocional como intelectualmente, e os comportamentos para lidar com este ruído variam drasticamente.

A confiança nos meios de comunicação tradicionais continua a diminuir, enquanto as "opiniões polémicas" (hot takes) nas redes sociais invadem os feeds. O distanciamento tornou-se um mecanismo de defesa. Alguns procuram alívio em pequenas doses de dopamina e gratificações instantâneas; outros desafiam o sistema através de protestos ou restringindo os seus hábitos de consumo.

No centro do furacão? As organizações. Muitos líderes confessam sentir-se "distraídos" e admitem o receio de "ficar do lado errado da mudança".

Por que razão é importante?

Num período definido pela imprevisibilidade e pelo espetáculo, as marcas não se podem dar ao luxo de navegar ao sabor da corrente. Precisam de âncoras, alicerces claros e firmes que permaneçam estáveis perante a agitação externa. As oportunidades de crescimento surgirão da capacidade de ligar as marcas aos clientes de forma autêntica, refletindo valores que se sobreponham ao caos constante do mundo que as rodeia.

65%

dos líderes afirmam ter criado uma unidade de crise permanente (ou equipa de resposta rápida) para gerir a instabilidade económica, política e regulamentar.

46%

das pessoas admitem que o desejo de estabilidade se tornou uma prioridade central nas suas vidas.

45%

dos indivíduos declaram estar "viciados" na tensão constante e nas mudanças vertiginosas do dia a dia.

O que fazer

Priorizar a recuperação estratégica

Aborde a gestão da mudança incluindo momentos de pausa e recuperação, em vez de focar apenas na produção contínua. Num cenário de incerteza total, o propósito da organização (o seu "why") torna-se o seu ativo mais estratégico.

Estabilizar a comunicação institucional

Defina com clareza quando e se a organização se deve pronunciar. Identifique os temas prioritários e os canais mais relevantes para a marca, garantindo uma mensagem coerente para os clientes.

Desenvolver soluções focadas no bem-estar emocional

Desenhe produtos, serviços e experiências que transmitam segurança e reforcem a confiança na marca, funcionando como um porto seguro para o consumidor.

TENDÊNCIA 2

Percursos humanos

A IA está a transformar tanto as rotinas diárias como os momentos de mudança de vida. Se, por um lado, traz eficiência, por outro, coloca em causa a profundidade da experiência e o domínio das competências.

O panorama geral

A vida desenrola-se entre o quotidiano e os momentos de transformação, e a IA está agora a moldar ambos. No dia a dia, a IA oferece respostas instantâneas que reduzem a descoberta a interações de "zero cliques". Para o utilizador, o processo é fluido; para as marcas, é uma ameaça à visibilidade e relevância. A IA começa também a entrar em domínios sensíveis como a aprendizagem, o amor e o luto. O desafio para os líderes é satisfazer as necessidades funcionais com eficiência, preservando a profundidade e a ligação humana. O futuro da IA não é apenas técnico; é, acima de tudo, humano.

O que está a acontecer

A IA está a ser integrada em quase todas as esferas da vida, ora de forma intencional, ora quase impercetível. O que começa com a procura de respostas rápidas acaba por alterar comportamentos à escala global. Onde antes a pesquisa exigia vários cliques e exploração, os resumos de IA e as interfaces de chat entregam agora resultados imediatos. A conveniência vence, mas o preço é a perda de exploração e da capacidade das marcas definirem a sua própria narrativa. Num ambiente mediado por algoritmos, as plataformas controlam o que é visível, forçando as empresas a reinventarem-se.

Com o aumento da dependência tecnológica, a IA estende-se a áreas mais profundas: educação, trabalho e até apoio emocional. Embora os tutores de IA possam estimular o pensamento crítico, o uso de "atalhos" pode comprometer a compreensão real e a criatividade. Há quem procure nos chatbots conforto ou aconselhamento, mas será possível comprimir processos de luto ou de crescimento pessoal sem consequências? A promessa de facilidade é real, mas o risco de perder a capacidade de reflexão, o discernimento e o caminho para a especialização é igualmente elevado.

Por que razão é importante?

Das respostas rápidas às transformações profundas, a IA está a entranhar-se na experiência humana. Nesta nova realidade, colocar "as pessoas no centro" não pode ser apenas um cliché de marketing. As marcas que derem prioridade à realidade vivida pelos seus clientes serão as que permanecerão relevantes. Seja para facilitar uma tarefa rotineira ou para acompanhar um momento pessoal delicado, as marcas precisam de saber qual é o seu papel e, crucialmente, quando devem recuar.

64%

das pessoas acreditam que, se for utilizada corretamente, a IA pode potenciar e melhorar a sua forma de pensar.

47%

dos jovens (entre os 18 e os 24 anos) consideram mais fácil expressar emoções e sentimentos pessoais a um chatbot do que a outro ser humano.

31%

dos utilizadores diários de IA afirmam que o uso da tecnologia os tornou mais conscientes da falta de diferenciação nas mensagens das marcas.

O que fazer

Reavaliar a jornada integral do cliente

Compreenda quais as etapas da jornada que a sua marca assegura e de que forma estas são impactadas pela utilização autónoma da IA por parte dos utilizadores.

Reforçar o compromisso com a excelência

Dê prioridade máxima à qualidade excecional em todos os pontos de contacto onde a sua marca ainda mantém influência direta.

Otimizar conteúdos para interfaces de IA (sem esquecer o fator humano)

Garanta que todo o conteúdo da marca é rigoroso, bem estruturado e transmite confiança imediata, assegurando que este mantém o seu apelo e relevância para os clientes finais.

Estabelecer diretrizes éticas para interações emocionais com a IA

Defina políticas claras sobre a forma como as suas ferramentas de IA devem reagir e processar partilhas de cariz emocional por parte dos utilizadores.

TENDÊNCIAS 3

À procura de Neo

A ansiedade face à automatização é real. As pessoas procuram líderes que defendam tecnologias desenhadas para potenciar, e não substituir, o potencial humano.

O panorama geral

A tecnologia sempre teve como propósito o aperfeiçoamento humano. Contudo, com a IA, surgem narrativas que alimentam o receio da substituição, ameaçando empregos, intelecto e o próprio sentido de propósito. As organizações que priorizam a IA sem considerar o impacto humano correm o risco de alienar tanto o talento como os clientes. Por outro lado, as que promoverem um diálogo aberto e posicionarem a IA como uma ferramenta ao serviço da humanidade sairão fortalecidas. O futuro não passa pela substituição, mas sim pela ampliação das capacidades. As organizações que liderarem esta visão serão as referências que a sociedade procura.

O que está a acontecer

Existe uma preocupação profunda quanto ao impacto da IA no trabalho e na sociedade. Previsões tecnológicas falhadas no passado tornaram o público cético em relação a otimismos fáceis. O debate público foca-se, muitas vezes, na substituição de funções, alimentando a insegurança quanto à perda de sustento e de relevância social.

Nas organizações, os colaboradores sentem, frequentemente, que as suas vozes não são ouvidas, o que gera uma quebra de confiança. Os trabalhadores procuram orientação clara sobre quais as competências que devem valorizar e como serão as suas funções no futuro. Há também uma preocupação latente sobre como preparar as próximas gerações para este mercado de trabalho em mutação. Exige-se responsabilidade: não apenas um roteiro para máquinas, mas uma visão para as pessoas.

Por que razão é importante?

Nos próximos anos, o debate sobre o papel dos seres humanos na era das máquinas inteligentes irá intensificar-se. E é fundamental que assim seja. Esta poderá ser a conversa mais importante que a sociedade já enfrentou.

60%

dos colaboradores afirmam que os seus líderes oferecem, na melhor das hipóteses, apenas uma orientação moderada sobre como trabalhar com IA.

48%

dos jovens (18-24 anos) temem que a IA venha a substituir os seus postos de trabalho ou a reduzir as suas oportunidades de carreira.

28%

da população ativa acredita que os seus líderes compreendem as preocupações reais dos colaboradores em relação à IA.

O que fazer

Escutar ativamente a experiência dos colaboradores

Crie canais de feedback seguros para que as equipas possam partilhar opiniões honestas sem receio de represálias.

Definir um posicionamento de IA Humanocêntrico

Estabeleça uma posição clara e credível sobre o papel da IA na organização, priorizando a dignidade e a segurança psicológica dos colaboradores.

Transformar o talento humano numa vantagem competitiva

Desenvolva planos de formação e upskilling intencionais, focados na criação de valor prático para cada função.

Comunicar uma visão de futuro clara

Quando definir de que forma a IA contribuirá para a valorização humana, partilhe-a. Mantenha a flexibilidade; é natural que a mensagem evolua à medida que a tecnologia avança.

TENDÊNCIA 4

Boas vibrações (good vibes)

O instinto de "diversão" está a redefinir a cultura dominante e o conceito de bem-estar.

O panorama geral

Estamos a assistir a uma reinvenção dos locais onde as pessoas passam o seu tempo, transformando espaços comuns em "terceiros espaços" vibrantes. Lavandarias automáticas que acolhem concertos, ginásios que se tornam pontos de encontro ou barbearias instaladas em pubs. Estes espaços comunitários privilegiam a autenticidade em detrimento do requinte; a maioria das pessoas prefere agora experiências imperfeitas, mas reais, a conteúdos meticulosamente curados. Mais do que nunca, o importante é "estar presente". As marcas devem desviar o foco da escala digital e começar a promover ligações em espaços físicos. A cultura ganha vida onde há diversão: é algo vibrante, local e que faz as pessoas sentirem-se vivas.

O que está a acontecer

A diversão está a emergir como uma força cultural poderosa, redefinindo a forma como nos ligamos, o sentido de pertença e a criação de significado. Nas cidades, o lazer e a espontaneidade estão a ser resgatados como partes essenciais da vida, estimulando a criatividade e a alegria. Central nesta mudança é a reinvenção de espaços que vão além da casa e do trabalho. Ginásios, bibliotecas, cafés e até locais de culto estão a transformar-se em centros de convívio, enquanto eventos de nicho e encontros informais resistem à exposição em massa.

A cultura está a migrar para o mundo offline: eventos pop-up, jantares temáticos e atuações ao vivo surgem como alternativas à saturação digital. Experiências gastronómicas íntimas e genuínas rivalizam com estabelecimentos sofisticados. O bem-estar é a nova fronteira da diversão, com as pessoas a priorizarem a saúde física e mental através de momentos de descontração.

Por que razão é importante?

As pessoas estão a reconstruir a cultura através do lazer de formas que são, propositadamente, difíceis de quantificar. Existem oportunidades valiosas para as organizações que saírem para a rua e encontrarem as pessoas no exercício do seu "direito à diversão". As marcas que souberem apoiar estes movimentos de forma discreta garantirão novas vias de crescimento.

82%

dos líderes afirmam ser crucial identificar mudanças subtis no comportamento dos clientes no mundo offline.

77%

das pessoas valorizam momentos de diversão espontânea, especialmente quando estes não têm um fim utilitário ou prático.

77%

das pessoas desejam que as marcas criem produtos que promovam a alegria e o bem-estar.

O que fazer

Focar a estratégia digital na ligação e não apenas no alcance

Crie ofertas, sejam elas digitais, físicas ou híbridas, que promovam a emoção genuína, a presença partilhada e uma memória cultural duradoura.

Abraçar a narrativa da "marca em construção"

Quando apropriado, abandone o conteúdo excessivamente polido e mostre os bastidores: os momentos reais e humanos que dão vida à marca.

Ser um cocriador na dinamização do espaço local

Apoie a emergência de "terceiros espaços" na comunidade, sem sentir a necessidade de ser o protagonista ou a "personagem principal".

Investir em inteligência qualitativa no terreno

Transfira parte do investimento em estudos digitais para investigação qualitativa e etnográfica, realizada em contexto real e no mundo físico.

TENDÊNCIAS 5

Alcançar a maturidade

As pessoas com mais de 40 anos estão a reescrever as regras, impulsionando a inovação, o empreendedorismo e a influência cultural.

O panorama geral

O conceito de envelhecimento está a ser radicalmente redefinido. A pirâmide populacional inverteu-se e, hoje, o número de seniores supera o de jovens. Esta geração +40 é mais saudável, detém maior poder de compra e é mais influente do que nunca. São ícones, empreendedores e verdadeiros catalisadores culturais. Os avanços científicos não estão apenas a prolongar a esperança de vida, mas a expandir a vitalidade e as possibilidades. Uma coisa é certa: o futuro já não é um exclusivo da juventude.

O que está a acontecer

Os estereótipos que associavam energia apenas à juventude e declínio ao envelhecimento estão a desaparecer. Surgem novas narrativas pessoais: a nível físico, financeiro e cultural, quem está na meia-idade (ou além dela) está a redefinir o que significa envelhecer e como isso se reflete na sua autoimagem.

Esta geração prioriza a saúde e o bem-estar como nunca antes. Na moda e na beleza, provam que o estilo e a autoexpressão não têm prazo de validade. Vemos modelos de cabelos grisalhos a dominar as passerelles, "grandes influenciadores" (granfluencers) a conquistar audiências massivas e DJs seniores a esgotar discotecas. Com carreiras que se estendem muito para além da reforma tradicional e uma nova vaga de empreendedorismo tardio, os maiores de 40 anos estão a moldar mercados e a ditar o crescimento económico.

Por que razão é importante?

A ascensão da energia física, social e criativa na meia-idade é visível em todo o lado. Para as organizações, estes "segundos atos" de vida representam oportunidades de crescimento extraordinárias, que exigem novos produtos, serviços e abordagens narrativas.

80%

dos líderes admitem que as suas organizações precisam de redefinir as estratégias de marketing para abraçar a vitalidade das gerações mais velhas.

50%

das pessoas com 55 ou mais anos planeiam ou admitem a necessidade de trabalhar além da idade da reforma.

28%

da população com mais de 55 anos afirma sentir-se fisicamente mais forte do que há 5 anos.

O que fazer

Identificar novas oportunidades de crescimento

Desenvolva ofertas focadas na "reinvenção", seja em viagens, educação contínua, serviços financeiros ou beleza, que respondam às necessidades em evolução de diferentes faixas etárias.

Redefinir o envelhecimento na narrativa da marca

Diversifique a comunicação e as diretrizes visuais da marca para refletir um público-alvo capacitado, dinâmico e multigeracional.

Adaptar modelos de trabalho e de reforma

Reveja as políticas de emprego para normalizar as "segundas carreiras", apoiando tanto quem opta por continuar ativo como quem precisa de o fazer após a idade da reforma.

Democratizar o acesso a soluções de longevidade

Explore opções acessíveis e escaláveis que permitam a um público mais vasto o acesso a produtos de bem-estar e longevidade.

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Sobre o estudo

Anualmente, a rede global da Accenture, composta por designers, criativos, tecnólogos, sociólogos e antropólogos em mais de 40 estúdios de design e agências criativas, analisa os sinais de mudança nos seus respetivos países. O conjunto destes sinais dá origem às tendências preliminares. Estas são, posteriormente, cruzadas com as perspetivas de líderes seniores de diversos setores, académicos e futuristas, para consolidar as tendências emergentes.

Através de entrevistas externas aprofundadas com mais de 100 pessoas em 10 países, exploramos a forma como estas tendências se manifestam no seu quotidiano. Por fim, validámos a dimensão e as expressões destas tendências através de um extenso inquérito online a mais de 25 000 pessoas em 23 países, e a 800 líderes em 7 países, definindo assim as conclusões do Accenture Life Trends 2026.

Este relatório é o resultado de um trabalho desenvolvido com enorme dedicação e gostaríamos de expressar o nosso agradecimento a todos os que contribuíram para a sua realização.

Autores

Nick Law

Creative Strategy & Experience Lead – Accenture Song

Katie Burke

Global Thought Leadership Lead – Accenture Song

Agneta Björnsjö

Global Research Lead – Accenture Song

Jake Brody

Senior Managing Director – Accenture Song