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RELATÓRIO DE PESQUISA 10 MINUTOS DE LEITURA

Pulse of Change

15 janeiro 2026

Após dois anos de rápida aceleração da IA, os líderes globais entram em 2026 com uma confiança inegável. Contudo, por trás do otimismo, os dados revelam uma realidade mais complexa: um conjunto crescente de disparidades que impedem a escala e a geração de valor.

As assimetrias no sentimento dos colaboradores, nos padrões de adoção e as falhas na infraestrutura determinam, silenciosamente, se a IA trará resultados concretos. O balanço de 2026 não se foca em saber se as organizações estão ou não a adotar a IA - porque estão. A questão central é se conseguem transformar o impacto inicial em valor sustentável.

A mudança está a acelerar e os líderes mantêm-se confiantes no investimento orientado para o crescimento.

Os investimentos prioritários em tecnologia digital e IA estão a reforçar o otimismo dos líderes quanto ao crescimento do negócio. Mas estarão as organizações realmente preparadas para a IA?

82%

da alta direção espera um nível de mudança mais elevado em 2026 do que no ano anterior - uma discrepância de 24 pontos percentuais face à perceção dos colaboradores.    

55%

dos líderes C-level sentem-se preparados para a disrupção tecnológica em 2026 (um aumento face aos 49% registados no verão de 2025).

71%

dos líderes apontam o investimento em ferramentas digitais como a sua principal estratégia de gestão da mudança (um crescimento acentuado face aos 53% registados no verão de 2025).

Em comparação com as transformações vividas na sua organização em 2025, quais são as suas expectativas para o nível de mudança em 2026?

O investimento em IA reforça o otimismo dos líderes

A IA mantém-se como o pilar central das estratégias de investimento para 2026. Quase nove em cada dez organizações planeiam aumentar o seu investimento, impulsionadas sobretudo pela evolução contínua das capacidades da inteligência artificial.

86%

dos líderes C-level planeiam aumentar o investimento em IA em 2026.

78%

consideram agora a IA mais benéfica para o crescimento da receita do que para a redução de custos (um aumento significativo face aos 65% registados em junho de 2024).

32%

consideram agora a IA mais benéfica para o crescimento da receita do que para a redução de custos (um aumento significativo face aos 65% registados em junho de 2024).

Quais das seguintes prioridades estratégicas ganharam relevância para a sua organização devido ao nível de transformação sentido em toda a estrutura?

E quanto à chamada "bolha da IA"?

O otimismo dos líderes para 2026 não é abalado pelas preocupações em torno de uma eventual "bolha da IA".

46%

dos líderes afirmam que continuariam a aumentar o investimento em IA, mesmo perante uma correção do mercado.

12%

Apenas 12% dos líderes referem o ROI (Retorno sobre o Investimento) como o principal fator de motivação para o investimento em IA, o que reforça a necessidade de diretrizes mais claras sobre como gerar valor efetivo.

Caso a bolha da IA rebentasse, de que forma é que isso afetaria a estratégia de investimento da sua organização?

A confiança dos trabalhadores na resposta organizacional continua desigual

O otimismo que se faz sentir na gestão de topo não se coaduna com a experiência dos colaboradores, apesar de o talento ser o principal motor para a escalabilidade da IA.

23%

dos líderes C-level afirmam que um melhor acesso a talentos qualificados e à formação aceleraria a sua capacidade de implementar e expandir a IA.

38%

dos colaboradores acreditam que as suas organizações são capazes de responder eficazmente à disrupção tecnológica; no entanto, apenas 30% sentem confiança na forma como as instituições irão gerir a disrupção ao nível do talento.

48%

dos profissionais sentem-se seguros no seu emprego, o que representa uma queda de onze pontos percentuais face aos 59% registados no verão de 2025.

59%

acreditam também que os jovens profissionais estão a ter mais dificuldade em entrar no mercado de trabalho devido à automação e à IA.

Em que medida acredita que a sua organização está preparada para responder às seguintes áreas de disrupção em 2026?

A convicção na IA sai reforçada, mas as perspetivas internas divergem

A IA é amplamente vista como um motor de crescimento da receita, mas apenas 32% dos líderes referem ter alcançado um impacto sustentável da IA em toda a organização.

32%

dos colaboradores afirmam trabalhar regularmente com agentes de IA, e apenas 27% concordam plenamente que se sentem confortáveis em delegar-lhes tarefas.

39%

dos colaboradores experimentam ferramentas de IA antes de recorrerem a um colega (uma queda de 15 pontos percentuais face ao verão de 2025).

81%

dos colaboradores acreditam que a liderança compreende a realidade quotidiana do impacto da IA no trabalho; no entanto, muitos ainda se sentem excluídos do processo de decisão.

20%

Apenas 20% dos colaboradores sentem-se cocriadores ativos na forma como a IA transforma as suas funções.

17%

afirmam gostar de utilizar a IA e procuram novas formas de a aplicar (uma descida face aos anteriores 21%).

13%

referem deparar-se frequentemente com resultados falaciosos ou de baixa qualidade provenientes da IA.

A crescente hesitação quanto à qualidade dos resultados da IA e à robustez dos alicerces de dados da organização constitui um risco sério para a adoção sustentada no local de trabalho.

 

Como descreveria a sua experiência com os agentes de IA?

O fator humano e a IA definirão o sucesso em 2026

O maior obstáculo à geração de valor através da IA já não é a tecnologia, mas sim o alinhamento com os colaboradores, que demonstram uma elevada predisposição para aprender.

43%

afirmam que uma formação clara lhes daria mais confiança na utilização de ferramentas de IA.

79%

referem ter sentido uma evolução positiva na sua capacidade de aprendizagem e de desenvolvimento de novas competências; registam-se também melhorias na capacidade de inovação (72%) e nos níveis de compromisso com o trabalho (68%).

40%

indicam que a formação os preparou para eventuais mudanças de funções.

A capacitação, por si só, não está a conseguir gerar prontidão operacional nem a consolidar a confiança, o que coloca em risco o valor da IA a longo prazo. Os colaboradores necessitam de uma visão comunicada de forma transparente.

À medida que o debate sobre como converter o impacto inicial na produtividade em valor sustentável transita das salas de reuniões para o resto da organização, torna-se evidente que a maior barreira à concretização do potencial da IA é o envolvimento das pessoas no processo. Em 2026, as organizações que alinharem a confiança nos seus investimentos tecnológicos com o compromisso perante as necessidades da sua força de trabalho serão as mais beneficiadas.

Metodologia

A Accenture realizou dois inquéritos globais complementares entre novembro e dezembro de 2025. O primeiro inquiriu 3650 líderes C-level das maiores organizações do mundo (com receitas anuais superiores a 500 milhões de dólares), abrangendo 20 setores e 20 países. O segundo inquérito abrangeu 3350 profissionais (não pertencentes à gestão de topo) de organizações da mesma dimensão, também em 20 setores e 20 países.

Em conjunto, os inquéritos recolhem perspetivas sobre o atual contexto empresarial, incluindo fatores de disrupção, a preparação para responder às mudanças e o impacto de tecnologias emergentes, como a IA e a Generative AI, no talento. Os resultados apresentam uma margem de erro de +/- 1,6% para a gestão de topo e de +/- 2,1% para os colaboradores.

Funções de topo:

  • CEO
  • Chief Strategy Officer
  • Chief Innovation Officer
  • Chief Technology Officer
  • Chief Information Officer
  • Chief Operating Officer
  • Chief Supply Chain & Operations Officer
  • Chief Production OfficerDiretor de Produção
  • R&D Lead
  • Chief Marketing Officer
  • Chief Sales Officer
  • Chief Customer Officer
  • Chief Financial Officer
  • Chief HR Officer
  • Chief Data Officer
  • Chief Analytics Officer
  • Chief Experience Officer

Apenas Governo Federal dos EUA/Serviços Públicos:

  • Chief Compliance Officer
  • Chief Digital Officer
  • Chief Procurement Officer
  • Director General/Minister/Executive Director
  • Deputy Minister/Deputy Director
  • Secretary/Assistant Secretary
  • Division Chief
  • Chief Marketing Officer/Director of Communications
  • Chief Security Officer
  • Austrália
  • Brasil
  • Canadá
  • China
  • França
  • Alemanha
  • Índia
  • Irlanda
  • Itália
  • Japão
  • Países Baixos
  • Singapura
  • Arábia Saudita
  • África do Sul
  • Espanha
  • Suécia
  • Suíça
  • Emirados Árabes Unidos
  • Reino Unido
  • Estados Unidos
  • Aeroespacial e defesa
  • Companhias aéreas, viagens, transportes
  • Automóvel
  • Banca (retalho)
  • Mercados de capitais (incluindo banca de Investimento)
  • Produtos químicos
  • Comunicações, meios de comunicação e entretenimento
  • Bens de consumo
  • Energia
  • Saúde
  • Alta tecnologia
  • Produtos e equipamentos industriais
  • Seguros
  • Life sciences
  • Recursos naturais
  • Administração pública
  • Retalho
  • Software e plataformas
  • Governo Federal dos EUA
  • Serviços públicos