Hoje, no dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, vamos conhecer a história do Daniel Ceratti, Diretor de Infrastructure Outsourcing. Sem nunca ver sua deficiência como um fator limitador, Daniel superou barreiras até chegar aonde está hoje, com muita resiliência e bom humor.

“Nasci em 13 de abril de 1973 e, naquele dia, aconteceu um fato no mínimo “inusitado” que jamais saiu das lembranças de meus pais e minha avó materna. Logo após meu nascimento, o médico e as enfermeiras me levaram para uma sala separada de onde estava minha mãe e estavam avaliando a minha deficiência. Eu havia nascido sem 4 dedos da mão esquerda. Até aquele momento minha mãe não tinha me visto. De fato, todos estavam com medo de que se ela me visse com aquela deficiência, poderia entrar em pânico.

Comigo ainda na sala ao lado, minha mãe pediu para que me trouxessem para ela. Meu pai e minha avó disseram que estava tudo bem e que logo eu estaria lá. Minha mãe então disse: “Não importa o problema na mão dele. Isso nós damos um jeito. O importante é que ele esteja bem e tenha saúde”. Mas ela ainda não tinha me visto, como ela sabia que eu tinha um “problema” na mão? Embora o ponto alto dessa história é a forte união que existe entre mãe e seu filho, aquele que, por 9 meses era parte dela, o fato é que minha mãe disse uma coisa que se tornou um lema para minha vida: Tendo saúde, o resto a gente dá um jeito!

E é assim que conduzo minha vida até hoje, encarando minha deficência como algo que faz parte de mim, que me faz único e que, com ela, eu posso ser e fazer o que quiser.

Meus pais me ensinaram a não ver limites para as coisas que eu poderia fazer. De fato, eles não permitiam que eu tivesse esses limites, e como sou grato à eles por isso. Desde muito cedo, ajudava minha mãe em casa, limpando, lavando, arrumando o quarto. Meu pai era chaveiro e também, desde muito cedo, eu o ajudava na oficina dele e nos serviços que ele fazia.

Então, pegar e usar as ferramentas, segurar algo para que ele pudesse trabalhar, tudo vinha de forma natural e quando surgiam pequenas dificuldades, eles não ignoravam a situação e nem permitiam que eu desanimasse, mas me ajudavam a “dar um jeito”. Foi esse sentimento que me conduziu e guiou várias situações na minha vida.

Aos 7 anos de idade, fui com um amigo na quadra municipal da cidade de Araras, minha cidade natal. O irmão desse meu saudoso amigo estava lá, treinando vôlei. Eu imediatamente me apaixonei por aquele esporte e pedi para o técnico para jogar. Ele ao ver minha mão me disse: “Mas você não tem dedos. Não vai conseguir jogar. Não tem como tocar na bola”. O irmão desse meu amigo discutiu com o técnico e disse que se eu quisesse eu poderia, sim, jogar (ele era jovem, atleta, mas já mostrava saber liderar. Hoje ele é um tecnico de vôlei super bem sucedido e formador de jovens talentos do esporte).

Bem, o desafio estava lançado e, ao contrário do que o técnico disse, eu joguei vôlei por muitos anos onde tive várias conquistas e aprendizados, sendo os 2 maiores:

  • Nosso limite não vem de como os outros nos veem, se acham que somos capazes de algo ou não. Nosso limite está onde nossa mente nos coloca. Portanto, devemos estabelecer nossos próprios limites e buscar nossos objetivos, desejos e sonhos;
  • Graças àquele técnico que não acreditou que eu poderia jogar, eu fiz grandes amigos no esporte - amizades que continuam vivas mesmo depois de 30 anos.

Na vida adulta também enfrentei situações bem constrangedoras vindas da mente e da atitude de pessoas despreparadas e sem o mínimo de sensibilidade. Uma vez participei de um processo de seleção para uma vaga de consultor. Já no início, o entrevistador disse que a vaga não era para mim. Obviamente eu queria saber o que ele havia identificado em mim que não era apropriado para aquela vaga, já que haviamos conversado apenas por alguns minutos. Resumindo, ele disse que eu teria que digitar muito e sem 4 dedos em uma das mãos isso seria dificil. Quando disse que eu digitava bem rápido, ele abriu um documento do Word no computador dele, olhou para mim e pediu que eu digitasse uma redação.

Outra situação bem difícil que vivi foi uma das vezes que fui renovar minha CNH. Eu já tinha habilitação por 10 anos na época e podia dirigir motos. Mas ao fazer aquele exame, quando o médico viu minha mão esquerda sem 4 dedos, disse que era impossível que eu tivesse condições de dirigir motos e tirou da minha CNH a classifcação que me permitia conduzí-las. O código nacional de trânsito havia mudado, haviam novas regras e obviamente eu sempre fui e sempre serei um cidadão que observa as leis. Mas ao me confrontar com aquela situação totalmente inesperada, demonstrei meu descontentamento e ouvi do médico: “Não tenho culpa que você é um deficiente complexado”.

Situações assim me deixavam muito triste, não por ser complexado ou por ter um problema com minha deficiência, mas pela ignorância e pelo despreparo das pessoas.

Quando olho para trás, analisando as coisas que já vivi, e penso nos últimos 2 anos de minha vida trabalhando na Accenture, fico muito feliz de estar onde estou. Aqui na Accenture não olhamos a cor, a classe social, a nacionalidade, nem nenhum dos viéses que infelizmente ainda existem.

Aqui nós olhamos para o indivíduo, com suas características únicas e para tudo o que ele pode contribuir, não só para o processo produtivo da empresa, mas também para o quanto sua visão e personalidade únicas podem agregar para que nossa empresa seja um lugar melhor para se trabalhar. E esse conjunto enorme de variedades e singularidades que temos na Accenture, somado ao talento profissional de cada um, faz da nossa empresa um lugar excepcional de se trabalhar.

Aqui nós somos valorizados pelo que somos e as oportunidades de crescimento e desenvolvimento estão abertas à todos. Dentre tantos outros, esse é um dos motivos que me deixa orgulhoso de pertencer à família Accenture. É muito bom sentir o respeito das pessoas, não só pelo meu trabalho, mas também pelo que eu sou. E eu sou uma pessoa com deficiência física! Mas qual o problema em ter uma deficiência física? 

Tendo saúde, o resto a gente dá um jeito!”

 

Daniel Ceratti tem ampla experiência em suporte ao cliente e 18 anos de experiência em entrega de projetos de estruturação de negócios de TI, sempre com foco na melhoria da qualidade e experiência do usuário, associada ao P&L e margem. Pelos últimos 2 anos, tem atuado na Accenture como Diretor de Infraestrutura para o portifolio de Produtos. Conecte-se via LinkedIn

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