"Innovation DNA" é a quinta e última tendência considerada pelo Accenture Technology vision 2020. Organizações líderes exploram de forma proativa as novas ferramentas e recursos com ideias inovadoras para criar abordagens diferenciadoras.

Paula Fernandes desenvolveu a sua carreira profissional na Accenture, na qual está há quase 20 anos. Ingressou na consultora em Lisboa em março de 2001, ano em que se licenciou em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão. Atualmente é associate director na Accenture Portugal, responsável pelas área de transportes, retalho e distribuição na vertente de tecnologia.

Negócios: O que é que o atual ambiente competitivo exige em termos de inovação? A inovação incremental já não é suficiente ou terá de ser inovação em várias frentes?

Paula Fernandes: O ambiente atual é sobretudo caracterizado pela incerteza, à qual as empresas, com algum caminho consolidado a nível tecnológico, tentam dar resposta, tendo sempre a inovação como principal arma no combate à pandemia. Algumas reinventaram-se dentro das suas áreas de negócio e outras utilizaram os seus recursos para criar produtos e serviços específicos de apoio à comunidade.

A covid-19 acelerou as intenções inovadoras das empresas abrindo uma nova atmosfera de possibilidades. Multiplicam-se startups com ideias emergentes que nos fazem crer que a inovação incremental, necessária no dia a dia das empresas, já não é suficiente para criar relevância, sobretudo em tempos de tamanha instabilidade.

Apar das novas respostas à linha da frente, e para evitar simultaneamente o colapso da economia, surgiram parcerias, novos produtos e serviços que vieram revolucionaras formas de trabalhar, dentro e fora de casa, de entretenimento, comércio, serviços e até informação que terão de certa continuidade numa realidade pós-pandemia.

Se por um lado a inovação foi imprescindível para a resposta à economia e à sociedade, continuará a ser de extrema importância na adequação de empresas a este novo mundo, com mutações a ritmos inimagináveis.

N: Como é que um sistema de inovação empresarial se deve estruturar para enfrentar os próximos tempos? Através de uma estratégia de inovação integrada e contínua?

PF: Com oportunidades sem precedentes provenientes das tecnologias emergentes e em maturação, a inovação tornou-se mais crítica do que nunca, para atingir o seu potencial. Organizações líderes, independentemente da sua missão e objetivos de negócios, exploram, de forma proativa, estas novas ferramentas e recursos com ideias inovadoras e alavancando as mesmas, de forma a criar abordagens diferenciadoras para os desafios que enfrentam.

A tecnologia é cada vez mais uma aliada na reestrutu ração dos modus operandis e as várias soluções que surgem, fruto do sistema de inovação empresarial, devem ser encaradas como formas de adaptação a um novo mundo, no curto prazo, explorando os processos de transição digital como uma oportunidade de consolidação para o futuro.

O grande desafio passa, claramente, pela adoção de uma estratégia de inovação e transformação contínua, que procure a correspondência às novas necessidades da sociedade, aumentando os níveis de confiança de clientes perante as empresas, sem nunca esquecer a velocidade de mutação da economia no período atual e a importância do amanhã.

N: Uma estratégia de inovação empresarial tem de ter em conta desafios societais como as mudanças climáticas, o desenvolvimento sustentável e a energia?

PF: Assistimos a uma explosão da produção e consumo e todos os dias são pensados e desenvolvidos novos produtos e serviços, o que conduz a uma exploração excessiva dos recursos naturais. No entanto, sabemos que, por outro lado, existem opções de tecnologias sustentáveis capazes de oferecer beneficios à sociedade e ao meio ambiente, alterando profundamente os processos de fabrico e a maneira como consumimos.

Neste contexto, acreditamos que a evolução tecnológica e a inovação podem ser fortes aliadas da sustentabilidade, colaborando no combate ao desperdício, na melhoria da qualidade dos transportes e da saúde, na criação de produtos com uma maior duração e na reciclagem, por exemplo.

Esta é uma oportunidade para incluir premissas sustentáveis que possibilitem a renovação dos compromissos das empresas para com o planeta, ajustando comportamentos com menor impacto climático ou com maior eficiência energética. O desenvolvimento tecnológico facilita o caminho para um percurso sustentável e este momento de paragem é sem dúvida um período de reflexão a vários níveis, nomeadamente ambiental.

Negócios | 04/11/2020 | Paula Fernandes

Paula Fernandes

Associate Director da Accenture Technology

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