A Accenture inaugurou, em Lisboa, o primeiro "Delivery Center" em janeiro de 2014. E o que mudou nestes cinco anos? "Essencialmente, a imagem internacional de Lisboa como destino tecnológico e digital", diz, em entrevista ao Negócios, Susana Mata, responsável pelos centros tecnológicos da Accenture. "O que sinto principalmente é um número grande de empresas a querer vir para Portugal. Nós quando abrimos o centro, há cinco anos, tínhamos de fazer um trabalho de marketing da localização muito significativo. Tínhamos de permanentemente estar a ‘vender’ o destino Portugal, tínhamos de estar muito ativos, mesmo dentro da Accenture, desse ponto de vista", refere. "Ultimamente, temos quase o inverso. Quase todas as semanas, tenho colegas internacionais a telefonarem-me a dizer: tenho um cliente que vai criar operações em Portugal". "Claramente, Lisboa está na moda", remata.

A responsável assinala a importância do Web Summit na afirmação de Lisboa internacionalmente. "Do ponto de vista de imagem contribuiu bastante, para uma imagem mais inovadora, mais digital". A instalação de cada vez mais centros tecnológicos de empresas internacionais em Portugal tem também impacto no mercado de trabalho no setor, reconhece Susana Mata. "A entrada de mais ‘players’ cria pressão adicional no mercado, sem dúvida", afirma. Mas, a responsável aponta que essa realidade também "cria mais oportunidades para os jovens recém-licenciados".

Ainda assim, a concorrência "é positiva". "Nós temos um nível de rotação e de saídas que consideramos saudável", defende, ainda que lembre que "embora na área de tecnologia nunca tenha havido propriamente dificuldades, sempre houve escassez de pessoas". Aliás, "no pico da crise económica em Portugal a área de informática tinha pleno emprego".

Falta de jovens informáticos

Susana Mata mostra-se otimista quanto a um fator que estava a prejudicar o mercado neste setor: a saída direta de jovens licenciados para o estrangeiro, principalmente para a Europa. "Eu sinto que há alguma diminuição porque neste momento há uma maior crença no país e as pessoas já gostam mais de ficar. Esta tal imagem que internacionalmente temos de ser um destino mais digital está a favorecer não só no negócio que vem como também ajuda as pessoas a permanecerem". Ainda assim, a responsável lamenta o "volume insuficiente" de jovens formados na área de engenharia informática. "Neste momento vemo-nos obrigados a reconverter muitas pessoas que vêm das engenharias e também de economia e gestão. Temos de dar muita formação de base em informática".

"Cloud" e "big data" são tendências mais fortes

As principais tendências no setor são atualmente o desenvolvimento de soluções para a "cloud", bem como a análise de dados em grandes quantidades ("big data analytics"), assinala. Também a inteligência artificial, robótica e "machine learning" (aprendizagem das máquinas) são áreas bastante dinâmicas. Já a internet das coisas (IoT, na terminologia anglo-saxónica Internet of Things – a conexão digital entre diversos objetos de uso quotidiano) está ainda muito presente mas "no domínio da investigação, mais do que no da aplicação concreta".Mas, as duas grandes áreas em termos de volume são a "cloud" e "big data analytics", resume.

O que espera a Accenture para este ano?

Com dois centros tecnológicos a funcionar, em Lisboa e em Braga, a Accenture pretende este ano "consolidar" as operações na capital, onde atualmente trabalham 600 pessoas, e "crescer" em Braga, que conta com 200 colaboradores. A empresa não adianta metas de reforço de pessoal para 2019. Em Lisboa, a empresa tem o que apelida de "campus" das Amoreiras, ocupando escritórios em diversos edifícios. Quanto a áreas de negócio, 2019 será marcado pela aposta contínua nas tecnologias mais dinâmicas, em particular os serviços para a "cloud" e "big data analytics". Os centros da Accenture em Portugal são especializados em algumas áreas, nomeadamente "utilities", sistemas de portagens ("tolling") e gestão de grandes forças de trabalho ("field force management"). Uma nova aposta é o "low code", plataformas para desenvolvimento de software com pouco código.

Jornal de Negócios | 11/03/2019 | Susana Mata

Susana Mata

Managing Director –​ Accenture Portugal

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