Estudo da Accenture aponta indústria automóvel, banca e seguros como as áreas com maior capacidade para adaptar e transformar as suas operações para adotar tecnologias e responder a desafios operacionais futuros. Saúde e Média terão mais dificuldades.

As empresas estão em diferentes níveis de maturidade operacional, independentemente do sector em que atuam. Mas só as organizações cujas operações estiverem munidas de soluções operacionais inteligentes – ou seja, processos assegurados por novas tecnologias –, serão mais resilientes perante a incerteza e estarão um passo à frente para alavancar a sua eficácia operacional e aumentar ganhos, segundo o estudo "Fast Track to Future-Ready Performance" da Accenture.

Ora, a indústria automóvel, a banca e as seguradoras partem em vantagem, segundo a análise que procurou perceber como é que as organizações podem transformar a sua performance para estar melhor preparadas para o futuro. A chave estará em tornar as empresas "mais ágeis", através da adoção de novas tecnologias. O estudo aponta que as empresas que adotam modelos de operações inteligentes aumentam a sua rentabilidade em 6,4%.

Ao Jornal Económico, a managing director e responsável pela área de Operations na Accenture Portugal, Carla Baltazar, explica que o sector tecnológico e o sector das seguradoras são aqueles que têm, "geralmente", maior capacidade de adoção de soluções inteligentes, o que os coloca, à partida, na linha da frente perante a incerteza dos desafios futuros.

"No entanto, à medida que a aceleração digital for avançando, prevemos que algumas indústrias possam emergir no pódio da categoria «Future-ready» [definição da Accenture para qualificar as organizações melhor preparadas para os desafios operacionais futuros] até 2023, como por exemplo a indústria automóvel, as seguradoras e a banca", afirma.

Já as áreas das comunicações, media e saúde não terão maior dificuldade na adoção de soluções operativas inteligentes.

O estudo conclui que a adoção de modelos de operações inteligentes, alicerçadas em automação em escala de processos, inteligência artificial ou em cloud, impulsionam a capacidade de trabalho instalada, permitindo às empresas melhorar a sua eficiência e captar "dados mais relevantes", melhorando a qualidade da informação disponível. Assim, "criam-se vantagens competitivas" e a organização "reforça o seu poder de contornar a incerteza económica".

"As organizações que adotam modelos de operações inteligentes alcançam ganhos médios de eficiência de 13,1%"

"Ao adotarem modelos de operações inteligentes, as empresas estão a alterar a forma como o trabalho diário é feito, facilitando o curso normal dos seus processos. Acreditamos que o potencial humano retido em tarefas que podem ser automatizadas em escala contribui para alguma ineficiência e perca de tempo, com impacto nos resultados da organização. Queremos aliar o talento à tecnologia, para que possamos ajudar a alocar o talento a outros desafios, numa fusão entre o humano e a máquina que, no final do dia, possa criar maior valor para todos", argumenta Carla Baltazar.

Apesar da conclusão, o estudo aponta que apenas 7% das empresas entram hoje na categoria "Future-ready". Como se pode aumentar essa percentagem? A responsável pela área de Operations da Accenture Portugal diz que para se alcançar o nível máximo de maturidade operacional, "as organizações devem traçar um caminho de transformação dos seus modelos operacionais que passa pela cloud, integração de machine intelligence, de modo a aumentar o número de pessoas com recursos tecnológicos", promovendo a automatização em escala, melhorando a qualidade da informação para "gerar informação útil que ajude à tomada de decisões". Acresce a procura por uma "força de trabalho ágil", acedendo "ao talento dentro do seu ecossistema empresarial, mobilizando os colaboradores especializados sempre que for necessário".

Estes passos podem ser feitos por qualquer organização, embora “as empresas de maior dimensão tenham mais facilidade em melhorar as suas operações, devido à capacidade financeira associada aos investimentos iniciais que algumas iniciativas requerem”. "O que não invalida que as empresas de menor dimensão não possam também atingir níveis mais elevados de eficiência", defende.

"As organizações que adotam modelos de operações inteligentes alcançam ganhos médios de eficiência de 13,1%. A forma como o trabalho diário é feito e a alocação dos melhores recursos para cada tarefa contribuem inequivocamente para um incremento significativo de produtividade", afiança.

Contudo, Carla Baltazar admite que as dicas ilustradas no estudo da Accenture exigem planeamento, algo em que o tecido empresarial português não tem tradição. "É urgente trabalhar a mentalidade de muitas organizações, transformando a sua visão de curto para médio e longo prazo", alerta

Ciente que o paradigma atual "não está naquilo que é necessário investir em estratégia e inovação para acelerar o crescimento ou a rentabilidade", a responsável da Accenture aponta o investimento em planeamento "como ponto básico de partida".

"Podemos afirmar que a inexistência deste investimento é um enorme risco, tendo em conta que o não acompanhamento das empresas concorrentes, portuguesas ou globais, leva a uma desvantagem imediata com consequências consideráveis para os negócios das organizações. Claro que o tema do investimento também é uma barreira, mas o retorno começa a ocorrer, na maioria das vezes, durante o primeiro ano, com uma expressão muito relevante nos anos seguintes", conclui a gestora da Accenture Portugal.

Jornal Económico | 26/02/2021 | Carla Baltazar

Carla Baltazar

Managing Director – Accenture Operations Portugal

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