Da prevenção à velocidade de testagem, diagnóstico e criação de medicamentos, a inovação tem sido constante no setor da saúde, diz Sofia Marta, vice-presidente da Accenture Portugal. A sustentabilidade têm de estar sempre em mente, sublinha.

A pandemia colocou na ordem do dia os cuidados de saúde, um tema que já anteriormente era alvo de discussão em Portugal, mas que agora assume um papel central. Envolvidos no maior desafio coletivo do nosso tempo, é simultaneamente importante não descurar as preocupações com sustentabilidade, um princípio elencado pela ONU como prioritário na próxima década e que a aceleração digital que a Covid-19 causou pode ajudar a cumprir.

Esta mesma ideia é defendida por Sofia Marta, vice-presidente da Accenture Portugal e responsável pela área de health and public sector (saúde e administração pública), em entrevista. A empresa foi um dos parceiros da Semana da Responsabilidade Social, onde promoveu um debate sobre "Inovação e tendências sustentáveis na saúde", evento do qual o Jornal Económico foi media partner.

"É cada vez mais evidente o esforço conjunto para oferecer serviços e soluções que privilegiem a segurança de profissionais e utentes, a agilidade dos processos e a distância entre as pessoas", começa por destacar. Exemplos disso são a redução de do investimento em materiais descartáveis de comunicação, dados os canais digitais crescentemente privilegiados, ou a proliferação da telemedicina.

"Prevemos que haja, muito em breve, uma em cada três consultas a serem feitas de forma virtual, uma inovação que só é mensurável quando comparados com os dados recentes que nos dizem que apenas uma em cada vinte consultas são feitas à distância", enquadra a vice-presidente da consultora.

Esta é uma tendência que, apesar de não ser nova, como o comprova a linha Saúde24, deu um salto com a passagem forçada de inúmeras atividades para um regime não-presencial. E para tal a inovação e tecnologia desempenharam papéis fundamentais.

"Desde a prevenção à velocidade de testagem, diagnóstico, criação de novos medicamentos, a inovação tem sido uma constante no setor da saúde, manifestando-se através de transformações tecnológicas muito evidentes, como por exemplo as consultas à distância ou o suporte dado pelas soluções de inteligência artificial", relembra Sofia Marta.

Outro aspeto que permite uma resposta mais completa, adequada e rápida é a digitalização da informação sobre os utentes, que permite a partilha entre vários especialistas geograficamente distantes. Esta partilha de informação e conhecimentos é uma das bases da plataforma colaborativa que permitiu a várias farmacêuticas o desenvolvimento em tempo recorde de uma vacina contra a Covid-19, algo que seria impossível num passado não muito distante.

"Só assim conseguiremos ser mais ágeis e efetivos para fazer face às necessidades deste setor, sejam elas a nível de novas terapêuticas, quer sejam na forma como se vai interagir com os pacientes, ou mesmo na maneira como se vai atuar na prevenção da doença", argumenta a vice-presidente da Accenture, que advoga ainda que as empresas estejam "capazes de responder rápido, lidar com a incerteza e abraçar a mudança, e neste contexto a colaboração é fundamental".

Ainda assim, o futuro apresenta desafios. A saúde mental dos profissionais de saúde, por exemplo, é uma preocupação, especialmente depois de 70% destes terem reportado alguma perturbação do foro psicológico durante a pandemia. O caso torna-se mais grave considerando a escassez destes profissionais.

Por outro lado, "relativamente às pessoas é necessário recuperar a confiança e credibilidade das organizações, consolidar as respostas de saúde neste novo paradigma do virtual versus físico, passando a saúde e o bem-estar a ser parte integrante de todos os negócios na sua generalidade", argumenta Sofia Marta.

Como tal, a importância de eventos como a Semana da Responsabilidade Social é cada vez maior, pela promoção do debate de ideias em torno da preocupação comum com o desenvolvimento sustentável das mais variadas vertentes, como aponta a vice-presidente da Accenture.

"O papel da tecnologia tem sido, e continua a ser, de extrema importância no desenvolvimento de inúmeros setores, saúde incluída, no sentido de se renovar e otimizar processos de forma a colocar em consonância os objetivos concretos do setor e a melhoria do seu contributo para a sustentabilidade ambiental", conclui.

Jornal Económico | 20/11/2020 | Sofia Marta

Ana Sofia Marta

Vice-presidente, responsável pela área de Saúde e Administração Pública – Accenture Portugal

MAIS SOBRE ESTE TEMA

Into the NEW
GDPR: A data opportunity in disguise

SUBSCRIÇÃO
Mantenha-se informado com a nossa newsletter Mantenha-se informado com a nossa newsletter