Nos últimos quatro anos, a Accenture Portugal registou um crescimento de dois dígitos, duplicando o volume de negócios em Portugal. “Há cerca de quatro anos tínhamos uma faturação de €110 milhões; no ano fiscal de 2020 [que terminou em agosto do ano passado] chegámos quase aos €220 milhões”, diz, em entrevista ao Expresso, o presidente da Accenture Portugal, José Gonçalves. “Este ano esse crescimento manteve-se.” A expansão sentiu-se igualmente ao nível dos recursos humanos, com a empresa a alcançar as 3600 pessoas no país no último ano fiscal — número que atualmente já ultrapassa os quatro mil.

“A chave do nosso sucesso passa por uma grande proximidade com os clientes e pelo forte ADN tecnológico, que antes era visto como um handicap e agora é uma vantagem competitiva e uma oportunidade de crescimento brutal”, explica José Gonçalves. Dentro das três grandes áreas geradoras de negócio, a tecnologia é a que mais pesa no volume de negócios, seguindo-se as operações e depois a estratégia e consultoria.

Os resultados vieram a reboque do crescimento no mercado nacional, onde a organização “cresceu muito em quota de mercado”, especialmente nas áreas de banca e seguros, Administração Pública e saúde — que vieram juntar-se a outras nas quais a Accenture já se destacava, como energia e recursos naturais, telecomunicações e media. Mas foram também impulsionados pelas exportações para mercados como os Estados Unidos e a Europa.

“Desde cedo, esta equipa de gestão — que está há quatro anos sob a minha liderança — percebeu que tinha que potenciar mais a exportação”, partilha. “Hoje, 40% dos nossos resultados são exportação para outros grandes clientes internacionais da Accenture. Há uns anos era residual.”

O mundo como negócio

“Para termos sucesso, temos que olhar o mundo como o nosso negócio. Como? Exportando cada vez mais e apostando no digital”, clarifica o presidente. “Os nossos centros de excelência são o paradigma disso mesmo: são vocacionados a olhar para o mundo e para o seu mercado potenciando serviços digitais — exportamos serviços de implementação de tecnologias digitais, desenvolvimento tecnológico e operações de processos, onde introduzimos tecnologia para melhorar a eficiência.”

Atualmente, a Accenture tem no país vários centros de excelência, com os dois centros de tecnologia avançada em Lisboa e em Braga e os dois de operações inteligentes em Lisboa e em Miraflores a destacarem-se como aqueles que mais contribuem para a capacidade de exportação de serviços de alto valor acrescentado.

“Se o nosso negócio fosse apenas centrado em Portugal, não teríamos sucesso nesta estratégia; não estaríamos a contribuir para as exportações do país nem a criar muito mais emprego”, realça José Gonçalves. Nos centros de excelência trabalham atualmente mais de mil trabalhadores, na sua maioria altamente qualificados — e só em Braga estão 400 destes profissionais. “Aliás, do total dos nossos trabalhadores em Portugal, cerca de 80% têm grau académico ou frequentaram o ensino superior.”

Formação e aquisições

Além do impacto na forma de trabalhar da empresa, a pandemia de covid-19 que atinge desde o ano passado Portugal e o mundo não afetou o negócio e a estratégia da Accenture de aposta na transformação digital e, em particular, nos serviços de computação na nuvem (cloud), garante o presidente da empresa no país. “Somos líderes na transformação digital e nos serviços da cloud. Paradoxalmente, a pandemia veio acelerar a necessidade de as empresas potenciarem essa oportunidade.”

O líder explica que o foco da organização tem sido “promover no país a consciência de que a transformação digital não é adoção de tecnologia, mas um meio para criar valor”, e destaca três componentes fundamentais: redução de custos através da automatização, formatação de ofertas de vendas de base digital e desenho de negócios que, by design, atacam o mercado internacional.

E é com o digital como horizonte que a empresa tem apostado no investimento em formação — reservando para o efeito cerca de €3 milhões em Portugal — e nas aquisições de outras empresas, para as quais disponibiliza todos os anos “cerca de mil milhões de euros” a nível global.

“Investimos fortemente em aquisições de agências de experiência e de marketing digital, sendo a Fjord [consultora global de design de serviços] o caso mais paradigmático em Portugal. Na área da transformação digital, temos comprado algumas empresas interessantes. Somos muito agressivos no desenvolvimento de talento e na compra de empresas em três áreas: transformação digital dos negócios, serviços de cloud e serviços de data security [segurança].”

A título de exemplo, a Accenture adquiriu, no ano passado, a espanhola Enimbus, especializada em serviços de migração para a cloud, a empresa de cibersegurança Revolutionary Security e a Arca, empresa ibérica de serviços de engenharia com foco em operações de redes de quinta geração (5G). “Nós não compramos empresas com um grande volume de negócios, que podem desvirtuar o ADN, os valores e a cultura da Accenture. Queremos organizações que tragam talento para dentro da Accenture. O volume de negócios resultará de conseguir desmultiplicá-las dentro da Accenture, ao serviço da rede de clientes e de relações que temos.”

Expresso | 14/05/2021 | José Gonçalves

José Gonçalves

Presidente – Accenture Portugal

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