Um estudo da consultora Accenture, feito em maio de 2020 junto de 478 executivos de topo de empresas com receita anual superior a 500 milhões de dólares, veio revelar o otimismo dos líderes europeus em relação à recuperação e à competitividade da Europa após a pandemia.

Dois terços (66%) dos líderes empresariais em todo o mundo mostram-se otimistas e acreditam na rápida recuperação do mercado europeu face à crise económica causada pela pandemia. A expectativa generalizada é a de que a recuperação venha a ser mais veloz na economia alemã, nas nórdicas e na britânica – só depois a França, Espanha e Itália conseguirão recuperar.

Quanto à rapidez da recuperação da Europa, 37% dos inquiridos preveem que, nos próximos 12 meses, a recuperação seja lenta, mas constante, em U, e cerca de três em cada 10 entrevistados (29%) esperam que a recuperação seja bastante rápida e em V, ou seja, uma crise profunda seguida de uma rápida subida.

Quatro em cada 10 entrevistados (39%) acreditam que as empresas europeias serão mais competitivas em relação aos seus pares nos EUA do que eram antes da crise. Face às empresas chinesas, 43% inquiridos, que operam em 15 setores de atividade e estão localizados 15 países na Europa, América do Norte e na região Ásia-Pacífico, acreditam que as empresas europeias são mais competitivas.

Contudo, há um risco identificado pelo estudo Bold Moves in Tough Times: o risco de os executivos europeus serem excessivamente cautelosos em relação à forma como se preparam para a recuperação, em comparação com os seus pares na América do Norte e nos países da região Ásia-Pacífico.

Algumas das conclusões a este respeito mostram que os executivos europeus estão mais focados na inovação incremental e não tanto na inovação disruptiva: mais da metade (53%) dos entrevistados europeus assumiram uma diminuição dos investimentos em inovação, afirmando que não vão relançar nenhuma iniciativa nos próximos seis meses, em comparação com 33% dos entrevistados na América do Norte e 49% na região Ásia-Pacífico.

Na Europa, apenas uma em sete empresas (16%) apresenta investimentos em iniciativas que permitam uma maior agilidade para a recuperação, em comparação com uma em cada quatro (25%) na Ásia-Pacífico e uma em três (34 %) na América do Norte.

Por fim, indica o comunicado de imprensa da Accenture, os líderes na Europa têm menor probabilidade de colaborar com outras empresas para mitigar o impacto da crise e acelerar a recuperação do que a América do Norte e Ásia-Pacífico (48% dos europeus, em comparação com 53% na América do Norte e 55% na Ásia-Pacífico).

“A confiança é crítica no ambiente económico atual, que ainda se mostra volátil e incerto”, defende Jean-Marc Ollagnier, CEO da Accenture Europa. No entanto, continua o responsável, “esta meta dependerá das ações inovadoras que surgirem como reflexo desse otimismo.”

Na sua opinião, “o maior risco é de que os líderes empresariais europeus confiem demasiado no apoio do governo, permaneçam na defensiva, e não invistam na inovação que muda paradigmas – porque a concorrência global não vai esperar.”

O CEO aconselha os líderes empresariais da Europa a começar já hoje a reinventar-se para a sobrevivência num mundo pós-COVID-19. Para si, o momento deve ser para pensar e agir de forma diferente e assumir riscos equilibrados que permitam a criação de resiliência a longo prazo. “É urgente que se renovem modelos de crescimento capazes de se adaptarem ao que chamamos de ‘novo normal’.”

Como a Europa pode apanhar a América do Norte e a Ásia

O relatório da Accenture destaca áreas críticas nas quais as empresas europeias precisam de se concentrar para diminuir ou mesmo anular a lacuna de competitividade com os seus pares norte-americanos e asiáticos.

Acelerar o ritmo de transformação digital: as empresas com recursos digitais mais avançados mostraram-se mais resilientes durante a pandemia. Estas soluções permitiram a adaptação das suas equipas para trabalho remoto, o ajuste das suas cadeias de fornecimento e adequação rápida e em grande escala a novas formas de compra. Os executivos europeus veem claramente a necessidade de aumentar a velocidade da transição digital, salientado por dois terços (63%) dos inquiridos que referiram que as suas empresas vão acelerar a transformação digital, incluindo o uso de plataformas na cloud.

Criar experiências para consumidores cada vez mais responsáveis: Os hábitos de compra durante o confinamento devido à COVID-19 levaram a que os consumidores fizessem compras mais conscientes e migrassem massivamente para os canais online – uma realidade que permanecerá no mundo pós-pandemia. Neste sentido, as empresas vão precisar de fornecer uma experiência completa – que traga os clientes no início, durante o estágio de inovação, e continue com os processos de vendas e serviços. Quase dois terços (62%) dos líderes empresariais europeus, num grupo de dirigentes de indústrias de bens de consumo identificam a oportunidade de se desenvolverem hábitos de compra cada vez mais orientados por critérios sociais e ambientais.

Aproveitar a tecnologia para reinventar o setor industrial: a COVID-19 desencadeou debates sobre a necessidade de as empresas trazerem as operações de volta aos seus mercados internos. No entanto, a relocalização pode não ser uma boa solução para o renascimento industrial europeu. Para criar resiliência operacional de longo prazo, reinventar os seus modelos de negócios e criar novos fluxos de receita, as empresas devem aproveitar tecnologias digitais avançadas, como modelagem preditiva, gémeos digitais e computação de ponta, entre outras. Com 42% dos entrevistados europeus a planearem acelerar o investimento em transformação digital, em comparação com apenas 32% e 30% na América do Norte e na Ásia, respetivamente, há uma oportunidade para as empresas europeias assumirem a liderança no setor industrial.

Líder | 27/08/2020 | Jean-Marc Ollagnier

Jean-Marc Ollagnier

CEO – EUROPE

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