A Accenture acredita que a migração para a cloud em Portugal acelere ao longo dos próximos três anos, fazendo crescer os atuais 20% de empresas a trabalhar na nuvem, para os 80%. Uma jornada de transformação obrigatória para quem não quiser perder o comboio da competitividade e da inovação.

A atual situação da covid-19 criou um ponto de inflexão que exige que cada empresa acelere a migração para a cloud, "como base para a sua transformação digital e que ajude a construir a resiliência, novas experiências e produtos, confiança, velocidade e redução de custos estruturais que a crise económica e social exige". As palavras são de Rui Barros, administrador responsável pela área de tecnologia na Accenture Portugal que revelou ainda, em entrevista ao Dinheiro Vivo, que "a cloud não é uma aspiração futura - é um imperativo urgente no core do negócio". O responsável da Accenture explica que a cloud oferece maior eficiência, flexibilidade, inovação acelerada, sendo "um facilitador crítico das tecnologias digitais avançadas, que abrem a porta a novos modelos de negócios e fontes de receita", não esquecendo a sustentabilidade, reforçada redução significativa de emissões de CO2 associadas à utilização e consumos de energia mais eficientes dos sistemas de informação.

Dinheiro Vivo: A estratégia da Accenture está focada na cloud. Este caminho já vinha sendo seguido antes da pandemia ou o contexto atual obrigou a repensar esta estratégia?

Rui Barros: Esta é uma área na qual a Accenture tem vindo a investir nos últimos cinco anos, o que é visível pela aquisição de mais de 10 empresas prestadoras de serviços de cloud, de modo a responder às necessidades a nível de negócio, a uma escala global. No conjunto de aquisições destacamos a Gekko, em França, e a Enimbos, em Espanha, para competências de Amazon Web Services, a Olikka, na Austrália, para competências Microsoft Azure, ou a Cirruseo, em França, para a plataforma Google Cloud.

DV: E do lado das empresas também já existia um interesse na cloud que 2020 veio acentuar...

RB: Nos últimos anos, o crescimento acentuado da economia global fez com que as empresas tivessem de melhorar a sua eficiência e aumentar os níveis de inovação, de modo a tornarem-se mais competitivas nos seus mercados. Num contexto de pandemia, muitas empresas viram-se forçadas a alterar as suas prioridades para uma ótica de sobrevivência e correspondência ágil e célere às mutações da economia e dos seus clientes. A migração para a cloud já era uma realidade bem presente, mas a necessidade de adaptação dos negócios a estas novas dinâmicas, e a maior digitalização da economia acelerou o processo, tornando-se também um dos principais focos da nossa estratégia.

DV: Desde março, Portugal deu um enorme salto tecnológico em poucas semanas. Como é que a Accenture acompanhou esta mudança?

RB: A pandemia foi um nítido catalisador para este salto tecnológico que, de outra forma, levaria cerca de cinco anos a atingir. Com esta necessidade instalada, e dada a crescente procura por soluções de cloud, a Accenture lançou recentemente a Accenture Cloud First. Um investimento de mais de 2.5 mil milhões de euros que viabiliza a criação de um novo conjunto de serviços que tem como objetivo acelerar a jornada de migração dos nossos clientes para a cloud, centralizando numa única área o acesso a uma rede global de cerca de 70 mil profissionais com profundos conhecimentos nesta área, um conjunto integrado de capacidade de dados, infraestrutura e aplicações integradas, um forte ecossistema de competências e uma cultura de mudança, juntamente com soluções de indústria.

DV: Dos projetos de transformação digital que acompanharam desde então nota-se uma clara tendência de migração para a cloud?

RB: Sim. A cloud é cada vez mais a tecnologia base e o alicerce da transformação digital. Em breve deixará de se falar de cloud como uma área de inovação porque passará a ser uma tecnologia comum, presente de forma massiva em todas as organizações. Atualmente, assistimos no mercado a uma procura crescente das organizações por novas soluções nativas baseadas na cloud pública, quer seja em modelo de SaaS (software as a service) ou PaaS (platform as a service), potenciadas pelos principais parceiros globais nesta área. Em simultâneo, as empresas procuram migrar e transformar os seus sistemas core para novas plataformas baseadas na cloud que lhes proporcione maior flexibilidade, agilidade e capacidade de oferecer novos produtos e serviços em menor período temporal, ajustando-se à incerteza no mercado e à procura dos consumidores por novas experiências digitais.

Dinheiro Vivo | 05/12/2020 | Rui Barros

Rui Barros

Managing Director – Accenture Technology Portugal

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