Ricardo Sousa, Cloud Lead da Accenture Portugal, esteve presente no IDC Cloud Leadership Forum e falou de disrupção na cloud. A própria Accenture foi uma das empresas que começou o seu trajeto para a cloud há pouco tempo, mas, atualmente, 93% do IT da empresa já está na cloud. Há uma verdadeira disrupção e é preciso apanhar o barco o quanto antes. Em conversa com o IT Insight, Ricardo Sousa explicou a necessidade de adoção da cloud e as perspetivas de futuro no mercado

- Qual é a necessidade de disrupção na cloud, sabendo que existem empresas que há oito anos nem estavam neste mercado e agora até são líderes?

Esta disrupção nasce destas vagas de inovação e transformação que ocorrem cada vez mais rápido. Aquilo que antigamente tinha ciclos de inovação e transformação lentos, tem gradualmente vindo a aumentar. Cada vez mais a transformação e a inovação ocorrem mais depressa e com mais significado. Estas inovações e transformações são cada vez mais radicais com efeitos mais significativos naquilo que é o tecido empresarial, nas empresas, no mercado, na própria forma como o consumidor vê aquilo que quer comprar. Acho que o exemplo dado – de que há oito anos não havia nada e hoje estão onde estão – tem exatamente a ver com isso; a inovação é muito rápida, o que possibilita que negócios que nasceram ontem, sejam amanhã líderes de mercado. Se nós não nos colarmos a essa disrupção, vamos perder o barco. É essa a necessidade de abraçarmos a disrupção.

- Como é que uma empresa pode fazer isso? Não há soluções que sirvam todas as organizações.

A cloud pode ser uma alavanca para a disrupção, é com certeza uma alavanca para a transformação digital, mas não é a única. A organização não vai para a cloud porque quer ir para a cloud. A cloud não é um objetivo. A cloud é um meio para atingir um objetivo. O objetivo é transformar o negócio, é responder de uma forma mais próxima aquilo que efetivamente os consumidores pretendem ou aquilo que o mercado exige; é a forma de se diferenciar no mercado ou até abraçar e atacar novos mercados. Esse tem de ser o driver, o driver aqui tem de ser o negócio. Obviamente que a empresa tem de querer crescer, tem de querer prosperar e querer fazê-lo de uma forma diferente. Deve procurar ajuda, apoio, aconselhamento, numa perspetiva de negócio e como é que a tecnologia pode apoiar o negócio a crescer e a desenvolver-se.

- É sempre difícil fazer previsões, mas o que se pode esperar neste setor da cloud que está em constante evolução?

Fazer previsões é sempre complicado, mas, ainda assim, tendo em conta aquilo que são as tendências e aquilo que o mercado nos vem dizendo e temos vindo a assistir, é que a velocidade da adoção da cloud é cada vez maior. Os dados indicam-nos que num curto espaço de tempo, mais de dois terços das organizações já vão ter um plano claro do ponto de vista de adoção de cloud e de como o seu trajeto vai ocorrer. Nesta realidade – e nós conhecemos isto historicamente -, Portugal está sempre um bocadinho atrás. Não é que sejamos mais lentos, simplesmente as coisas ocorrem um bocadinho desfasadas do tempo. Isso é um bom prognóstico para nós, ou seja, permite-nos de alguma forma pilotar aquilo que é a nossa experiência futura e aquilo que deve ser a nossa ação para acompanharmos a evolução do mercado nacional. Para as empresas nacionais, será simples. Aquilo que vivemos hoje internacionalmente, é que este caminho já está a ser feito, já não há empresas que não falem de cloud. O que existe são empresas que podem ainda não ter feito muitas coisas na cloud, mas já têm os seus planos, os seus testes, as suas experiências. Já estão a utilizar de alguma forma – mais simples ou mais complexa – essas tecnologias para o potenciar.

Por outro lado, é um desafio grande para a economia portuguesa para as empresas que têm uma presença internacional e pretendem continuar esse seu esforço de internacionalização porque têm de estar a par e passo do que é a evolução do mercado. E a evolução do mercado é esta: a cloud é uma inevitabilidade, vai acontecer, ou já está a acontecer, e temos de saber tirar partido dela. É aí que, na nossa opinião, a Accenture pode ajudar. No nosso próprio caso, não decidimos há muito tempo que íamos para a cloud. A realidade é que num espaço de quatro ou cinco anos temos hoje 93% do nosso IT na cloud. Temos de uma forma híbrida, de forma abrangente, cobrindo uma panóplia de opções tecnológicas existentes adaptadas aquilo que é o nosso negócio e são as nossas necessidades.

- A longo prazo, é de esperar que mais de 90% das empresas estejam na cloud?

Diria que sim. Aquilo que será a norma futura é de que não teremos que nos preocupar com isto. Será tão natural quanto abrir a torneira e sair água. Se preciso de um sistema que me dê informação sobre como é que os meus clientes estão a consumir os meus produtos e simplesmente acedo a essa informação e tenho-a disponível. Não quero ter que pensar que foi necessário um servidor, uma base de dados, uma rede de comunicações... isto tem de sair naturalmente. Essa é a evolução. Há uma peça central que é relevante – e vai continuar a ser sempre relevante – que é a inteligência que nós colocamos sobre a tecnologia. A tecnologia por si só ajuda-nos a ser inteligentes, mas não nos torna inteligentes. Temos de a utilizar de forma a potenciar os nossos dados de negócio, para extrair desses dados algum tipo de inteligência. Isto acaba por ser um call to action. Temos de fazer as empresas agirem. É necessário – e tendo em conta que operamos no mercado nacional – termos um mercado nacional saudável. É importante que as empresas tomem as ações necessárias para se manterem competitivas no mercado global atual.

IT Insight | 12/03/2019 | Ricardo Sousa

Ricardo Sousa

Senior Manager – Accenture Technology Portugal

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