Num contexto de um mundo cada vez mais digital, não faz sentido imaginar que a disrupção dos negócios só vai impactar os outros ou que se pode resistir fazendo mais do mesmo. Há, no entanto, setores onde a ameaça aos serviços "tradicionais" é mais evidente, como é o caso dos Serviços Postais. Mas, por outro lado, também as oportunidades são mais evidentes neste setor que em outros, onde a incerteza pode dificultar a tomada de decisão dos gestores.

Sempre que se evoluiu nas tecnologias de comunicação eletrónicas, os serviços postais foram afetados. A diferença é que, neste momento, se chegou a um ponto de fluxo mínimo de trocas de informação tradicionais em meio físico.

Por outro lado, nunca foi tão crítico como agora ter uma logística de entregas e recolhas tão avançada, para conseguir uma experiência de excelência para os clientes. Essas são as boas notícias para os operadores que se consigam transformar, capitalizando nas vantagens competitivas de uma rede logística madura e de uma proximidade ao cliente e experiência de serviço coerente com o que se deseja neste novo contexto.

A disrupção digital neste setor terá, a curto prazo, acesso a soluções que lhes permitem fazer as entregas através de uma rede logística com os máximos níveis de complementaridade e flexibilidade, que poderá ser gerida por robots ou ecossistemas de parceiros, por exemplo.

Com este cenário em mente, a Accenture fez uma análise das tendências de distribuição e das práticas de negócio de 25 organizações dos setores postal e de entrega de encomendas nas regiões da Europa, América e Ásia e concluiu que o investimento em tecnologias digitais avançadas poderá gerar, em média, mais de 500 milhões de dólares (cerca de 420 milhões de euros) anuais em receitas para as empresas de distribuição de correio e encomendas postais. Uma estratégia digital acertada poderá também ajudar as empresas a desbloquear o potencial dos sistemas de entrega do século XXI. Esta estratégia digital vai permitir que as empresas se mantenham relevantes. Vão conseguir rodar de um modelo de negócio criado para a distribuição postal que está a definhar, para um modelo de prestação de serviços e entrega de encomendas com um volume em crescimento exponencial, num contexto de mercado digital.

Temas como smart collectors, armazéns digitais, veículos conectados, augmented workforce, robotização de processos, redes de distribuição inteligentes e gestão integrada de parceiros de negócio são cada vez mais comuns no léxico de um operador postal. Numa era em que os clientes estão sempre conectados e são cada vez mais nativos digitais, habituar-se à experiência de cliente digital não pode terminar quando se efetua uma encomenda.

A robótica tem potencial para transformar as operações de armazém, das empresas de distribuição de correio, dando suporte em picos de procura e reduzindo custos. Já a RA e as aplicações de suporte estão a garantir novas competências à força de trabalho.

Eduardo Fitas

Managing Director – Accenture Portugal

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