A maior parte das organizações foram educadas para construir vantagens competitivas dentro de portas, seguindo o princípio de que o segredo era a alma do negócio. Por isso, foram desenhando modelos que criaram cada vez mais silos, desde o topo às funções mais operacionais. O contexto social e de mercado atual impõe, contudo, uma completa alteração deste paradigma. Qualquer estudo sobre hábitos de consumo mostra que os clientes diferenciam cada vez menos as indústrias. Ao invés, procuram cada vez mais plataformas que lhes forneçam de forma integrada produtos, serviços e experiências.

Por isso, as organizações que passaram toda a sua vida a criar competências para trabalhar uma indústria específica, terão agora de evoluir para um contexto distinto, onde a performance depende da inovação, do controlo de custos e do risco partilhado. Em qualquer dimensão em que se analisem os desafios de uma empresa, a resposta aponta sempre para a criação de um ecossistema de parceiros como a melhor, ou mesmo a única solução. Este é o maior desafio que se coloca hoje à gestão.

Os temas tecnológicos, a gestão de talento, a distribuição de investimentos, a necessidade de operar a diferentes velocidades, enquanto se gere a atividade presente e se preparam os negócios futuros, tudo são desafios mais fáceis de gerir num modelo de ecossistema de parceiros. Da mesma forma, o tema da colaboração dentro de cada organização, quebrando-se as barreiras criadas com as estruturas verticais, também se torna obrigatório. Nesta edição, temos exemplos de sucesso criados através de modelos colaborativos, muitos, pioneiros na Europa.

Como a iniciativa pública Portugal Inovação Social, que está a criar um ecossistema de inovação e empreendedorismo social de âmbito nacional e regional. Ou o tradicional setor têxtil, onde fomos os primeiros ao nível europeu a apostar no desenvolvimento de tecidos inteligentes. Ou ainda a área das smart cities, com a utilização massiva da tecnologia, incluindo o teste ao 5G. Esperamos que no novo ano se mantenha a motivação para a transformação digital como alicerce do crescimento económico do país. E, se possível, a um ritmo cada vez mais acelerado, pois não somos os únicos a jogar este jogo. Um excelente 2019 para todos!

Comunicações | 01/12/2018 | Eduardo Fitas

Eduardo Fitas

Managing Director – Accenture Portugal

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