Bruno Martinho, da consultora Accenture, aborda os principais desafios e oportunidades da transição energética em Portugal. “Temos os ingredientes todos para capturar esta mais valia para Portugal”.

A transição energética é uma oportunidade para Portugal na próxima década, defende Bruno Martinho, administrador da consultora Accenture.

“A transição energética é uma oportunidade económica com impacto no PIB da zona euro, mas também na criação de postos de trabalho. É uma oportunidade em particular para Portugal de nos reposicionarmos num ecossistema de energia que vai sendo cada vez mais importante não só à escala local, mas também à escala europeia”, disse Bruno Martinho.

“Tipicamente, o sistema energético foi montado e idealizado de montante a jusante. O que estamos a ver agora é a possibilidade de a geração começar em qualquer ponto da cadeia de valor seja mais próximo do consumidor ou das empresas. Esta geração vai ser cada vez mais descentralizada”, analisou.

O responsável da Accenture pela área da tecnologia e da energia sublinhou a “inteligência que regula os fluxos de energia” e que o encontro entre a procura e a oferta vai ser “feito de forma cada vez mais individualizada, em comunidades, seja com empresas, seja em relações entre produtores de energia, e consumidores”.

Bruno Martinho também destacou as “oportunidades” que vão surgir da digitalização cada vez maior nesta área, considerando que é importante pensar no que a “nova possibilidade tecnológica e de inovação digital nos pode trazer como novas oportunidades de negócio e criação de valor”.

O gestor da Accenture destacou o European Green Deal (Acordo Verde Europeu) da Comissão Europeia considerando que “é particularmente relevante” e que é uma “oportunidade”: “Temos de tentar capturar para Portugal esta transição energética e também a criação de valor e desenvolvimento de centros de competência a este nível”.

Em Portugal, o Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC) vai servir de roteiro para a transição energética até 2030.

“Naturalmente, temos aqui todas as plataformas que permitem sustentar isto. Se queremos ter mais energias renováveis, uma mobilidade mais alavancada em eletricidade e outras fontes, precisamos de infraestruturas que suportem toda esta transição energética”, afirmou Bruno Martinho.

“Estamos a falar das redes de distribuição de eletricidade, e sobretudo uma interligação numa plataforma europeia. Naturalmente quando temos energias renováveis - que são fontes menos previsíveis, estamos a falar do vento e sol -, o que vai ser necessário para termos depois um maior aproveitamento energético a nível europeu é interligar todas as redes, este é um dos objetivos. Já vivemos numa plataforma ibérica de energia, está se a avançar para termos um mercado europeu, com maior interligação a França, este é muito o caminho”, declarou.

O administrador da Accenture também aponta o tema do “hidrogénio verde, a plataforma em Sines, o H2Sines, que é uma parte de um ecossistema de hidrogénio que tem o seu ponto fulcral em Roterdão [Holanda]. Todas essas infraestruturas vão ter de estar interligadas”.

Bruno Martinho também considera que as metas estabelecidas para a transição energética vão ser “cada vez mais agressivas”.

“O tema da pandemia, o European Green Deal e o pacote de estímulos vão provocar que as metas para 2030 vão ser muito mais agressivas. Exemplo, em 2030, existe a meta de baixar em 40% as emissões de gases com efeito estufa face a 1990, mas neste momento o que está a ser colocado em cima da mesa é passar a 55%. Já a quota de energias renováveis estava em 32% e fala-se agora em passar para 38%-40%. Na eficiência energética, temas como cidades mais inteligentes, é passar de 32% para 40%. Isto significa que vamos gastar menos energia para uma maior eletrificação da economia”, afirmou.

“Isto são tudo metas muito ambiciosas e, se juntarmos um pacote de estímulos, há aqui um movimento do ponto de vista regulatório e político, há uma oportunidade de criação de novas linhas de negócio, novas oportunidades para as empresas, e também novas oportunidades para as pessoas na sua qualificação e postos de trabalho”, destacou.

“Temos os ingredientes todos para capturar esta mais valia para Portugal”, concluiu Bruno Martinho.

Jornal Económico | 23/11/2020 | Bruno Martinho

Bruno Martinho

Managing Director – Accenture Portugal, Responsável pela Área de Technology Strategy & Advisory​​

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