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NEWS RELEASE


E o Oscar da transformação digital vai para... o CFO!



Nuno Manuel Sousa
Senior Manager da Accenture Strategy

Acredite no título. Não houve qualquer troca de envelopes. O leading role na agenda da transformação digital das organizações vai mesmo para o CFO. Poucos terão previsto que os CFO viessem a desempenhar o papel de destacados protagonistas da transformação digital, mas à medida que se tornam evidentes os elevados níveis de retorno de investimento como resultado da digitalização, fica também demonstrada a necessidade de as novas tecnologias digitais ocuparem um lugar core nas suas agendas.

As tecnologias digitais já fazem parte das operações financeiras de várias organizações. A adoção de tecnologias como o blockchain, para a realização de operações seguras e instantâneas, e o recurso a robôs para a automação de processos transacionais e preparação automática de relatórios, são hoje uma realidade nas áreas financeiras de mais de 25% das organizações inquiridas num recente estudo da Accenture Strategy. A palavra-chave do momento é "agilidade". Com efeito, os resultados passados têm pouca relevância e soluções antigas para problemas novos e em constante mudança são apenas sinónimo de ineficiência.

Os acionistas, os media, o mercado e um conjunto alargado de stakeholders reagem em tempo real à performance financeira das organizações. Vivemos um imediatismo nas reações e nas decisões como em nenhuma outra época. A utilização de tecnologias de advanced analytics aliada à conectividade - Internet of Things (IoT) - permite às organizações a recolha de dados operacionais e financeiros instantâneos e a elaboração de previsões de resultados com um enorme grau de precisão. A boa utilização destas tecnologias permite a melhoria dos processos de gestão e de tomada de decisão, disponibilizando mais tempo às equipas financeiras para atividades de maior valor acrescentado. Há, por isso, que reorientar a transformação digital das áreas financeiras para a definição de modelos inovadores, que estabeleçam novas formas de trabalhar, alavancando ao máximo as novas tecnologias digitais.

Novas formas de trabalhar exigem novos tipos de competências, como, por exemplo, data science e sociologia, que são consideradas cada vez mais importantes pelos líderes das áreas financeiras. Vai tornar-se cada vez mais comum encontrar profissionais financeiros especializados em interpretação do impacto da mudança no comportamento do consumidor devido à tecnologia. A era digital traz uma mudança sem precedentes ao nível da força de trabalho. Digital significa muito mais que social, analytics ou cloud. As organizações que não estejam a endereçar a automatização de processos, blockchain e inteligência artificial, no mínimo, já estão atrasadas.

As tecnologias digitais não são apenas um enabler, são uma alteração significativa na forma como as áreas financeiras operam, permitindo repensar o seu papel nas organizações, a partir de uma base zero, com vista a maximizar a criação de valor. Os CFO que não se assumirem como evangelizadores da transformação digital nas suas organizações poderão aspirar a ganhar um Razzie, mas nunca um Oscar, nem sequer para o papel de melhor ator secundário.

(Jornal Económico | 17/03/2017)