Lisboa, 03 de dezembro de 2018 - De acordo com o mais recente estudo da Accenture, o potencial económico das tecnologias digitais está a ser colocado em risco por sistemas inadequados de educação e formação no trabalho. A menos que sejam adotadas novas abordagens de aprendizagem, o fracasso em acabar com a disparidade de competências pode levar a uma penalização na ordem dos 11,5 biliões de dólares em crescimento do PIB por parte de 14 economias do G20. Um valor estimado pelo investimento em tecnologias inteligentes nos próximos dez anos.

The growth premium in peril if economies are unable to meet the demand for skills

O relatório It’s Learning. Just Not As We Know It, publicado em colaboração com a G20 Young Entrepreneurs’ Alliance (G20 YEA), inclui uma análise inovadora que ajuda as organizações a avaliar a sua futura força de trabalho para preparar estratégias de qualificação. O relatório da Accenture revela como as tecnologias inteligentes irão mudar as tarefas que constituem o trabalho e identifica as novas competências que serão necessárias para as realizar, apelando ao compromisso dos sistemas de educação e formação corporativa com três áreas de ação de forma a desenvolver essas novas competências de forma mais eficaz.

De acordo com o relatório da Accenture, em média, das 14 economias contempladas, 51% do tempo laboral está sujeito a um potencial aumento à medida que as tecnologias inteligentes melhoram as competências dos colaboradores. 38% desse tempo poderia potencialmente ser automatizado, mas, no entanto, o impacto varia entre os cargos e os mercados geográficos, apontando para a necessidade de intervenções direcionadas para a aceleração das oportunidades e gestão dos riscos.

Nos EUA, por exemplo, os trabalhadores com funções ligadas à empatia e ao apoio, como os enfermeiros, representam a maior parcela individual de emprego e têm as maiores oportunidades de reforçar a produtividade através do crescimento. 64% do seu tempo laboral poderia ser aumentado, sendo que o estudo da Accenture conclui que 14% deste incremento poderá ocorrer nos próximos dez anos. Investimentos adequados na capacitação poderiam satisfazer a procura de até 1,4 milhões de trabalhadores adicionais nessas funções durante a próxima década.

José Gonçalves, Presidente da Accenture Portugal, refere que “independentemente de as novas tecnologias automatizarem o trabalho, a aposta na qualificação é uma prioridade urgente. No entanto, os líderes empresariais devem avaliar como a tecnologia poderá reconfigurar as metodologias de trabalho nos seus setores e o conjunto de competências que será exigido aos seus colaboradores para esta reconfiguração”.

A crescente importância de novas competências

De acordo com o estudo, o raciocínio complexo, a criatividade, a inteligência socioemocional e a perceção sensorial são aptidões que têm vindo a ganhar importância em quase todas as funções de trabalho. Prevê-se que, com a adoção destas tecnologias inteligentes, tais competências ganhem ainda mais relevância.

Segundo José Gonçalves, Presidente da Accenture Portugal, “grande parte das abordagens de ensino utilizadas atualmente já não se adequam aos dias de hoje, quanto mais ao futuro. A neurociência e ciências comportamentais mostram-nos que há melhores formas de aprender. Muitas das competências com maior importância no trabalho do futuro são melhor adquiridas através da experiência prática. Precisamos de uma revisão das abordagens de qualificação que coloque as técnicas de aprendizagem experiencial em primeiro plano”.

A Accenture apresenta uma abordagem tripla para resolver a crise de competências no trabalho:

  • Aceleração da aprendizagem experimental: implementação de uma variedade de técnicas, desde o design thinking às ferramentas de simulação para funções mais técnicas; de iniciativas de treino no trabalho a esquemas de aprendizagem. Nas escolas, proporcionar atividades de aprendizagem baseadas em projetos de aprendizagem em equipa. Aplicar novas tecnologias como realidade virtual e Inteligência Artificial (IA) de maneira a tornar a aprendizagem mais imersiva, envolvente e personalizada.
  • Mudança de foco das instituições para os indivíduos: os objetivos de formação e educação devem incentivar cada indivíduo a desenvolver uma combinação mais ampla de competências, em vez de apenas produzir um x número de formados em cursos específicos. Essa “mistura” deve incluir um foco no raciocínio complexo, criatividade e inteligência socioemocional.
  • Capacitar colaboradores: os trabalhadores mais velhos, os menos qualificados, os que desempenham funções de trabalho manual e físico e em empresas mais pequenas estão mais vulneráveis, têm menos acesso a formações. A intervenção direcionada é necessária para orientar estes alunos num percurso de carreira e uma formação adequada. Os cursos devem ser mais modulares e flexíveis para que se adaptem facilmente aos compromissos dos novos modelos de financiamento devem incentivar a uma aprendizagem ao longo da vida, como subsídios de apoio aos planos de formação pessoal.

Para mais informações sobre esta análise visite Closing the Skills Gap in the Future Workforce| Accenture

Sobre o estudo

A Accenture usou um método de análise estatística de cluster para avaliar as competências, habilidades e atividades de trabalho. Esta análise foi usada para desenvolver 10 agrupamentos de funções e ocupações empiricamente derivadas que utilizam competências semelhantes, executam tarefas semelhantes e que se espera que sejam afetados de maneira idêntica por tecnologias inteligentes. Os 10 role clusters foram utilizados para categorizar a composição da força de trabalho de 14 países do G20. Para calcular o prémio de crescimento, a Accenture analisou a forma como as tecnologias inteligentes afetarão as tarefas específicas e as necessidades de competências. Usando dados do Occupational Information Network (O*NET) of the U.S. Department of Labor e da International Labour Organization (ILO), a Accenture calculou o tempo total potencial suscetível à automação e aumento para diferentes ocupações.

O crescimento do PIB (2018-2028) foi modelado sob duas hipóteses de oferta com o objetivo de medir o PIB em causa no caso das necessidades de qualificação não serem satisfeitas. O prémio de crescimento foi apresentado em dois cenários diferentes sobre o investimento em tecnologias inteligentes. A Accenture também realizou entrevistas em profundidade com líderes empresariais, especialistas e profissionais de vários setores, e contou com o conhecimento e experiência dos próprios profissionais da Accenture em aprendizagem, tecnologia e desenvolvimento de talento. Para ver a metodologia completa, visite: Closing the Skills Gap in the Future Workforce| Accenture

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