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NOTÍCIAS


Portugal pode beneficiar de um crescimento de 3,2 mil milhões de euros até 2020 se melhorar a sua Economia Digital

Lisboa, 27 de setembro 2017 – O aumento do Índice de Densidade Digital (IDD) tem um impacto significativo na produtividade e no crescimento anual do PIB nacional. Quem o refere é a Accenture Strategy, que juntamente com a Oxford Economics, desenvolveu, pelo terceiro ano consecutivo, um indicador que identifica a real penetração das tecnologias nas economias de vários países. O IDD realça também que o impacto é tanto maior quanto menor a maturidade digital do país – pelo que o gap se traduz numa oportunidade clara de aumentar o ritmo de crescimento económico em Portugal.

Portugal surge entre as 25 primeiras economias do mundo analisadas pelo estudo, numa posição superior quando comparado com o PIB dos restantes países analisados.

A base deste estudo da Accenture Strategy centra-se no cálculo do Índice de Densidade Digital (IDD) dos países, analisando a evolução de mais de 30 indicadores que de forma ponderada representam o nível de competências digitais (i.e. profissões e competências individuais de natureza digital, exigidas para a execução de novas atividades), a utilização de métodos de trabalho digitais (e.g. acesso móvel aos sistemas das empresas), o investimento em novas tecnologias (e.g. robotics, inteligência artificial, analytics), as infraestruturas do país (e.g. disponibilidade e velocidade da internet), as políticas e estímulos ao desenvolvimento de uma economia digital (e.g. ease of doing business), entre outras variáveis.

Segundo Luís Pedro Duarte, vice-presidente da Accenture e responsável pelo estudo, “o papel das tecnologias digitais está a mudar – deixou de ser fundamentalmente de ganhos de eficiência para servir de base à inovação e disrupção em estreita relação com a estratégia de negócio. As barreiras existentes entre as indústrias estão a ser quebradas e as empresas dominantes a ser desafiadas ou até ultrapassadas por novos modelos de negócio, alavancados em tecnologias digitais. A velocidade de mudança é cada vez mais rápida e toda esta transformação requer uma reflexão sobre os impactos, não só nas organizações, como na sociedade e na economia.”

Iniciativas para o desenvolvimento da Economia Digital

Para Portugal beneficiar do crescimento económico, o estudo da Accenture Strategy identifica as dimensões em que manifesta um maior distanciamento face aos casos de referência. São assim detetadas as áreas onde a intervenção deverá ser prioritária:

  • Duplicação do peso dos especialistas de tecnologia na força de trabalho, de 2,5% para 5%;
  • A proporção do investimento anual das empresas em analytics e em soluções de cloud devem aumentar em 35% e 250%, respetivamente;
  • Incremento de aceleradores.

No primeiro caso, regista-se que as competências tecnológicas digitais dominam a lista das mais procuradas pelas empresas – ex: cloud, data mining, mobile development e cybersecurity – e o número de novos alunos formados pelas universidades nestas áreas não chega para responder aos empresários portugueses. A percentagem de diplomados no ensino superior na área de Ciências, Matemática e Informática em Portugal é de 7% (na Alemanha, por exemplo, é de 14%). É assim crítico que Portugal ponha em marcha ações de capacitação digital:

  • Adotar modelos de recrutamento flexíveis (ex: aquisição de competências através da atração de recursos internacionais);
  • Fomentar a reconversão de perfis para o digital (ex: criação de programas universitários específicos para pessoas com experiência).

Relativamente ao segundo vetor, é fundamental intensificar os esforços do desenvolvimento de analytics para obter um maior conhecimento do cliente e garantir serviços mais personalizados e simplificados. Com um investimento de cerca de 40 milhões de euros neste domínio (dados de 2016), Portugal utiliza apenas 0,6% do orçamento do software das empresas de tecnologia.

Ao nível de cloud computing (ex: virtualização de servidores e bases de dados), menos de 20% das empresas portuguesas utilizam este serviço, sendo um fator de inibição a falta de sensibilização dos decisores. Como principais alavancas de valor da adoção de cloud para o negócio, destacam-se a sensibilização para a eficiência de custos, a atração de empresas internacionais para aumentarem investimento e, apesar de 71% dos executivos acharem ter uma estratégia digital bem definida, mais de 80% não tem a tecnologia nem as operações adequadas para a executar.

Aceleradores: literacia digital e investimento estrangeiro em tecnologias

Em termos de aceleradores, o Estado desempenha um papel fulcral na potenciação de políticas e iniciativas que impulsionem as empresas e cidadãos na adoção do digital. Numa primeira instância, a promoção da literacia digital dos cidadãos está no caminho crítico para o desenvolvimento da Economia Digital. Em Portugal, 26% dos indivíduos nunca usaram internet, comparativamente com 14% na UE28. Deve assim ser incentivada a formação de cidadãos no digital.

Esta investigação da Accenture Strategy realça que, estando ultrapassado o período de constrangimentos financeiros do país que levou ao congelamento de várias iniciativas de digitalização, é altura de se voltarem a promover iniciativas que garantam a desmaterialização continuada dos serviços da Administração pública.

O IDD destaca também que a procura por capital e novos investimentos em Portugal que ajudem a uma revitalização mais rápida da economia, pode ser acelerada através da captação de investimento estrangeiro.

“A solução nacional está na proatividade em inovar e evoluir a um ritmo superior, e na preparação das empresas para fazerem parte de um novo ecossistema: entre parceiros internacionais e de outras indústrias, startups e universidades. Deve aproveitar-se a qualidade das universidades portuguesas e estimular a competitividade das cidades, posicionando-as como hubs de atração de talento e investimento”, conclui Luís Pedro Duarte, da Accenture.


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Accenture
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Tel: (+351) 21 380 36 36