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Futuro impõe grandes mudanças

Eduardo Fitas, Vice-presidente da Accenture, responsável pela área de Comunicações, Media e Tecnologia, assina o editorial da revista Comunicações.

O WORLD ECONOMIC FORUM publicou um estudo sobre tendências do trabalho e competências do futuro. Em quatro áreas principais, há temas que são de particular importância para a competitividade de países e empresas. Por exemplo, e ao contrário do que nos diz o senso comum, a inteligência artificial e a automação vão criar mais postos de trabalho, desde que a inovação seja gerida de forma socialmente responsável e a formação de competências seja ajustada às necessidades do futuro. Se o primeiro ponto, da responsabilidade social, é sempre relativo, sobre o segundo podemos ter intervenção direta. Outra das tendências chama a atenção para o facto de que serão as cidades, e não diretamente as empresas, a competir pelo talento. Para um país como o nosso, que começou recentemente a conseguir criar uma imagem de desenvolvimento tecnológico, este aspeto é de crítica importância para conseguir capturar valor efetivo.

Cada vez mais, as cidades têm de conseguir definir uma política que cubra formação académica, fixação de talento e políticas favoráveis para localização das empresas, no contexto da economia digital, entre outros fatores. Outra das quebras de paradigma apontadas nestas previsões passa pelo regime de trabalho. Cada vez mais, a força de trabalho será composta por freelancers e não por recursos com vínculo a empresas e perspetiva de carreira definida. Esta será uma transformação que afetará, sobretudo, as áreas de gestão de recursos humanos, criadas desde sempre para gerir uma força de trabalho própria e não algo "líquido", como já se começa a constatar nas novas gerações que chegaram ao mercado de trabalho.

O último ponto aponta para uma transformação na formação, que deixará de ser organizada em silos, para ser cada vez mais orientada a projetos multidisciplinares. O que ajudará a preparar melhor os alunos para um modelo de formação contínua, cada vez mais necessário no futuro. É a rápida evolução tecnológica que o impõe, para que o valor da força de trabalho não se torne obsoleto rapidamente. A formação terá de ser mais focada nas necessidades futuras e menos nas competências adquiridas no passado. Com este olhar para o futuro, só me resta, em nome da equipa que todos os trimestres faz esta revista, desejar um Feliz Ano, ainda mais Novo que o costume!

Comunicações | 01/12/2017 | Eduardo Fitas