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NOTÍCIAS


Ecossistemas digitais vão gerar novos negócios

Entrevista a Susana Ferreira, Senior Manager


A criação de parcerias entre empresas, e entre plataformas digitais e os seus clientes, vai quebrar barreiras e dar origem a novas atividades, muitas ainda por "inventar".

Atualmente já todos os negócios são digitais, e as adaptações tecnológicas futuras não estarão nas ferramentas em si, mas na sua adaptação às pessoas. A conclusão está no relatório Technology Vision 2017, estudo sobre o impacto das tecnologias nas empresas e na vida das pessoas, realizado pela consultora Accenture, multinacional com presença em Portugal. Este research, designado de Amplify You, Tecnologia para as Pessoas, realizado a nível mundial, com recurso a cerca de 5400 entrevistas a executivos e homens de negócio em 31 países, identifica cinco grandes tendências na área das tecnologias que já estão, efetivamente, a ser implementadas e a ter efeitos práticos no mundo e é aqui analisado em parceria com o Dinheiro Vivo.

Segundo a consultora, com o mundo em mudança a todos os níveis, ser-se líder de mercado não é apenas uma questão de incorporar tecnologias, mas sim encontrar um lugar na evolução da sociedade e capacitar as pessoas através de parcerias na vida quotidiana. E só as empresas líderes estarão dispostas a abraçar a estratégia "pessoas primeiro". Pois em todas as indústrias, e a todos os níveis dos negócios, a única coisa que têm em comum são as pessoas. Uma das tendências identificadas é, pois, o necessário desenvolvimento de "ecossistemas coletivos de cadeias de valor para o mundo digital, em que as empresas integram as suas funcionalidades core de negócio com terceiros. Isto será fundamental para o seu crescimento a longo prazo", conforme explica Susana Ferreira, sénior manager da Accenture Technology.

Ou seja, segundo a consultora, as empresas do futuro utilizam, e utilizarão cada vez mais, plataformas de terceiros para suportar funcionalidades do seu negócio, escolhendo desta forma os parceiros estratégicos que as ajudarão a construir a próxima geração de serviços. "Para permanecer competitivo nesta jornada de longo prazo, todo o negócio deve alterar o seu objetivo de ganhos a curto prazo, e focar-se na adoção de uma estratégia mais holística, preparando-se assim para o futuro", explica Susana Ferreira. Se pensarmos no desenvolvimento das fintech, empresas financeiras totalmente suportadas em plataformas digitais, vemos que é urgente que os operadores financeiros tradicionais montem a sua própria rede de ecossistemas digitais, pois, caso contrário, será muito complicado reagir de uma forma disruptiva.

Susana Ferreira diz que esta tendência será um elemento-chave para a sustentabilidade das empresas, e que estas poderão adotar estas estratégias construindo as suas próprias plataformas ou alavancando-se em plataformas existentes, por ser mais rápido e barato. A forma como vão construir a rede de parceiros é agora mais importante do que nunca. Deverão centrar-se em encontrar o parceiro certo que resolva não só os problemas de hoje, mas também os de amanhã, deverão trabalhar em conjunto para maximizar o seu potencial e, sobretudo, redefinir o departamento de IT, que deverá ter o papel de orquestrador. "A economia dos ecossistemas irá derrubar barreiras nos negócios tal como os conhecemos hoje em dia, gerando novos negócios e novas cadeias de valor, o que irá beneficiar o todo coletivo", conta.

Os exemplos Uber e Airbnb

Uber e o Airbnb são tipicamente os exemplos mais conhecidos nesta temática, mas já existem outros também muito relevantes em áreas como a saúde, com o Qualcomm Life's znet, uma parceria entre concorrentes, a Philips e a Qualcoom, com o objetivo de alargarem a oferta na área da saúde, tal como também a GM criou uma parceria com a Lyft na área da partilha de transporte, a Express Drive. Outro exemplo relevante é a cadeia de hotéis Hyatt, que utiliza a plataforma Facebook Messenger para que os seus clientes façam reservas e verifiquem o seu estado.

Outra característica desta tendência é a crescente parceria entre as empresas e os próprios clientes. O Facebook é hoje o maior produtor de conteúdos no mundo, mas são inteiramente produzidos pelos seus clientes. Para atingir este patamar é necessário conquistar confiança, e este é um dos maiores desafios no mundo digital, "uma vez que apenas metade do público diz que confia nas empresas para fazer o que é correto, e ainda uma percentagem menor considera os líderes empresariais como uma fonte de informação credível.

Para que as pessoas valorizem estas novas parcerias, as empresas devem continuar a trabalhar para conquistar e manter a confiança em cada interação e devem ter os mesmos objetivos que os clientes têm para si. A melhor maneira para o fazer é repensar os modelos de negócio e as suas relações e, ao mesmo tempo, colocar o poder nas mãos dos clientes e colaboradores. "A tecnologia deve funcionar para as pessoas e não por causa delas", remata Susana Ferreira. A criação destes ecossistemas e parcerias irá permitir às empresas ter um acesso rápido a um conjunto de clientes até agora inexistente, que tendencialmente irá impulsionar as vendas, melhorar o atendimento ou criar uma melhor experiência. Mas ao fazer isso também estão a transformar as cadeias de valor de forma a desafiar a forma de pensar tradicional.

(Dinheiro Vivo | 18/03/2017)