Skip to main content Skip to Footer

NOTÍCIAS


Inteligência artificial vai trazer ganhos de produtividade até 40%

Entrevista a António Ribeiro, Senior Manager da Accenture Technology


85% dos executivos mundiais inquiridos pelo Accenture vão investir em componentes de inteligência artificial nos próximos três anos, melhorando a produtividade

Lembra-se do filme Inteligência Artificial (IA), realizado por Steven Spielberg em 2001, mesmo ao virar do milénio? Nele os robôs pareciam humanos a tal ponto de se confundirem com pessoas de carne e osso, quer em interação quer em sentimentos. Ou então do Blade Runner, de 1982, em que os carros voadores eram uma realidade, ou até mesmo do Matrix, Relatório Minoritário, entre tantos outros de ficção científica? Qualquer uma destas películas se centrava na temática da inteligência artificial, ou seja, em dar capacidades humanas às máquinas. E fizeram história no cinema. A grande questão é que atualmente, como alerta António Brancal Ribeiro, Senior Manager da Accenture Tecnhology, já não podemos falar dela como futurismo. "A inteligência artificial já não é ficção científica, é hoje uma realidade. Abrange um conjunto bastante díspar de capacidades e tecnologias, mas a sua utilização prática para pessoas e organizações já é possível. A forma como a vamos desenvolver, dependerá muito das próprias organizações."

E várias são as multinacionais que se estão a posicionar neste campo, para não perderem a corrida. Não é por acaso, pois, que depois de a Google ter apresentado, em 2014, planos para produzir carros inteiramente autónomos - entretanto anunciou que apenas se ficaria pelo desenvolvimento de software -, várias marcas de automóveis, como recentemente a Volkswagen, que anunciou o modelo Sedric como o primeiro totalmente autónomo, apresentem os seus projetos nesta área, perspetivando-se que alguns deles possam circular nas estradas já a partir de 2020. E não se trata apenas de automóveis: são várias as indústrias, em campos até inimagináveis, a posicionarem-se no mercado da inteligência artificial, trazendo o futuro até ao presente. A Accenture, multinacional de consultoria, com presença direta em Portugal, realiza há uma década o estudo Technology Vision, onde identifica, a nível mundial, as principais tendências na área das tecnologias e como se relacionam com as empresas e organizações. Para o relatório de 2017 - designado de Amplify You, Tecnologia para as Pessoas - entrevistou 5400 executivos e homens de negócio em 31 países sobre as suas expectativas relativamente ao impacto das tecnologias nos seus negócios. Como resultado da investigação, a Accenture Tecnhology, ramo da consultora dedicado a esta área, identificou em parceria com o Dinheiro Vivo. cinco grandes tendências que já estão, efetivamente, a ser implementadas e a ter efeitos práticos no mundo.

IA cada vez mais humanizada

A primeira delas é o desenvolvimento da inteligência artificial, que será cada vez mais o grande interface entre pessoas e tecnologia, e cuja tendência crescente será no caminho da maior humanização e em linguagem natural. Ou seja, "deixamos de ter utilizadores e passamos apenas a ter pessoas. Anteriormente o 'utilizador' tinha de aprender a mexer com a tecnologia, que não era amigável, e em que eram as pessoas que tinham de aprender a lidar com ela, devido à complexidade associada. Agora, o caminho é inverso: a tecnologia é que vai adaptar-se e aprender com as pessoas. Isso abre possibilidades imensas e replicáveis em praticamente todas as áreas”, conforme nos explica António Brancal Ribeiro.

As fronteiras da tecnologia, que conhecíamos tipicamente como o ecrã e o teclado, começam a desaparecer, neste novo paradigma. Ou seja, antes tínhamos de aprender a falar com a tecnologia, agora é a tecnologia que fala connosco, na nossa linguagem, que poderá ser a voz, na nossa língua materna. Um dos exemplos de sucesso desta tendência é a aplicação da Amazon, a Alexa, uma assistente virtual com reconhecimento de voz, para seleção de música, fazer listas de compras, entre outras funcionalidades. A Amazon anunciou já que a ferramenta permitiu incrementar as vendas em mais de 50% nos seus clientes que a utilizam.

Esta interação, que passa a ser de voz/audição, vai permitir uma completa mudança nas relações entre as empresas e os seus clientes. "A partir do momento em que conseguimos interagir com a tecnologia através da voz, toda a nossa vida fica mais fácil", afirma o sénior manager. Esta nova forma de interagir, vai ser fundamental para um aumento global de produtividade, já que se prevê que o uso massificado da inteligência artificial possa aumentar a produtividade até aos 40%. De acordo com os resultados deste estudo da Accenture, cerca de 79% dos executivos entrevistados acreditam que a inteligência artificial vai ter um impacto disruptivo na forma como os seus negócios vão evoluir e 85% afirmam mesmo que vão investir nesta área nos próximos três anos. Cerca de metade dos grandes operadores mundiais já estão a apostar na inteligência artificial, sendo que há alguns que têm esta tecnologia mais consolidada do que outros. São exemplo disso a já falada Amazon, os fornecedores de música como o Spotify, os operadores de viagens mundiais, que apostam sobretudo num marketing mais direcionado para o tipo de cliente que os procura e para os seus gostos pessoais.

(Dinheiro Vivo | 11/03/2017)