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NOTÍCIAS


Accenture abre centro em Braga e cria 100 empregos

Entrevista a José Gonçalves, Presidente da Accenture Portugal


A consultora vai inaugurar um novo centro de competências de aplicações de tecnologias de informação em Braga. O objetivo é criar 100 postos de trabalho "a curto prazo", revelou José Gonçalves, presidente da Accenture Portugal.

A Accenture vai inaugurar um novo centro de competências em Portugal. E Braga foi o local escolhido para receber o novo investimento da consultora, revelou José Gonçalves, presidente da Accenture Portugal, em entrevista ao Negócios. A inauguração do novo centro de aplicações de tecnologias de informação vai decorrer em maio, e "o plano de negócios" prevê "o recrutamento de 100 pessoas a curto prazo", detalhou o responsável. O processo de contratações vai incidir em áreas de engenharias como, por exemplo, "informáticas, computacionais, eletrotécnicas ou eletrónicas", contou o responsável que assumiu a liderança da empresa há cerca de seis meses. A escolha da cidade de Braga para acolher o novo centro de competências teve como base dois fatores: "Braga tem efetivamente uma universidade de excelência e uma população muito jovem. E este ‘mix’ faz com que haja um talento disponível que para a Accenture é muito atrativo. É possível recrutar em Braga pessoas com muito talento", reforçou.

Questionado sobre uma eventual parceria com a Universidade do Minho, José Gonçalves adiantou que "[a parceria] ainda não está formalizada, mas há contactos nesse sentido. Há uma relação muito próxima com a universidade e com outros ‘stakeholders’ locais". Aliás, o segundo facto que levou a Accenture a abrir este centro em Braga prendeu-se precisamente com o terem sido "muito bem-recebidos. Há um ambiente de empreendedorismo em Braga. Os ‘stakeholders’ locais e as entidades têm vontade e demonstram-na ao desenvolver um ecossistema de empreendedorismo", referiu. Além da abertura deste novo centro no Norte do país, a Accenture também expandiu, recentemente, o centro de BPO ("Business Process Outsourcing"). À localização das Amoreiras, em Lisboa, juntou outro centro, em Miraflores.

Como explicou José Gonçalves, "crescemos tanto nestes serviços que nos vimos obrigados, no bom sentido, a criar um novo centro em Miraflores para alargar as competências de BPO". A expansão da rede de centros de competências insere-se também na estratégia da consultora de crescer na vertente das exportações, mas "não queremos exportar serviços de baixo valor, mas sim serviços altamente qualificados", sublinhou. Hoje, continuou, a actividade de operações da Accenture Portugal, somando o centro das Amoreiras com o de Miraflores, tem 500 pessoas a trabalhar. E o objectivo, tal como para o centro de Braga, "é continuar a crescer".

O gestor da transformação

José Gonçalves, licenciado em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho, integrou a Accenture em 1994. Desde então, liderou vários processos de consultoria e tecnologias de informação dentro da multinacional. Quando assumiu a liderança da Accenture Portugal, a 1 de Setembro de 2016, conta que encontrou "uma empresa com muita saúde". A transformação digital está no centro das apostas para o seu mandato. Antes de assumir este cargo tinha sido vice-presidente da empresa e "managing director" responsável pela área de Energia, Recursos Naturais e Utilities.

"Há sinais positivos" de recuperação nos clientes

Depois "da forte crise", a Accenture Portugal começa a ver "alguma capacidade para respirar" por parte de algumas empresas, contou José Gonçalves, presidente da consultora. "Não é ainda a recuperação que gostaríamos de ver, temos de ser bastante francos. Mas há sinais positivos. Diria que não há ainda um optimismo demasiado elevado, mas há sinais de que os clientes começam a recuperar, sobretudo os clientes que são o nosso ‘target’: as grandes empresas nacionais", referiu. Esta recuperação não é sentida de forma geral no tecido empresarial: "Há um ‘tier’ mais de pequenas e médias empresas (PME) no qual, se calhar, essa recuperação não está tão clara", comentou. Mas "os sinais económicos recentes que temos são positivos. A ver se no curto prazo temos mais boas notícias", sublinhou.

Questionado sobre eventuais alterações das estratégias das empresas nos últimos tempos, José Gonçalves explicou que "pelo momento recente que passámos em Portugal, de uma forte crise com a intervenção da troika e pouco acesso a capital, as empresas, basicamente, tiveram um grande foco em eficiência e redução de custos". "É normal", explicou. "Quando o mercado não cresce, a forma de tentar ter um negócio rentável é através da redução de custos". Depois de nos últimos anos o "foco em eficiência" ter sido o "paradigma" sentido pela Accenture, a consultora começa "a ver alguma capacidade de empresas maiores para respirar", e de estarem "a pensar em inovação e em como atacar o mercado de forma diferente com novos produtos e serviços", revelou. Dada esta alteração, José Gonçalves acredita que "a balança entre eficiência e foco nos clientes e o mercado de inovação tender-se-á a equilibrar mais nos próximos tempos".

(Jornal de Negócios | 21/03/2017)