Na Accenture a área de Inclusão e Diversidade assenta no princípio de que o todo é maior que a soma das partes. Em entrevista, a nova responsável por esta área defende que “a performance de uma empresa e das suas equipas é tanto melhor, mais produtiva, criativa e rentável quanto melhor gerida for esta multiplicidade”. A Accenture Portugal integra já cerca de 2900 pessoas oriundas de 32 nacionalidades e de quatro gerações. 43% são mulheres, sendo que 30% estão em cargos de direcção e 22% nos lugares de administração.

Como surgiu a oportunidade de assumir a liderança da área da Inclusão e Diversidade da Accenture, depois da sua experiência na Direcção de Recursos Humanos, e com que estratégia de actuação irá desenvolver esta área?

A área de Inclusão e Diversidade da Accenture tem já uma grande dimensão a nível global, agindo em diferentes frentes sempre com o objectivo de sermos uma empresa que acredita que o todo é maior que a soma das partes, princípio que se aplica à diversidade que compõe o nosso universo de colaboradores. Quando se tornou possível criar esta área em Portugal, decidi agarrar este desafio com a maior motivação e orgulho, pois é uma oportunidade de olhar para o todo e para o particular ao mesmo tempo.

Após 14 anos na liderança de Recursos Humanos da Accenture em Portugal, entre as diferentes responsabilidades que fui tendo, esta área era de longe a que mais me apaixonava.

De todos os nossos core values, há um que me toca particularmente, o stewardship, onde se espera um comprometimento de todos nós, enquanto pessoas, de deixar um mundo melhor de um ponto de vista social, económico e ambientalmente responsável para as gerações vindouras.

A empresa e as nossas contratações continuam a crescer e esse crescimento tem de garantir a sustentabilidade em todos os seus vectores. Actualmente já temos em Portugal cerca de 2900 pessoas oriundas de 32 diferentes nacionalidades e de quatro gerações diferentes, o que torna este desafio muito apaixonante.

A estratégia de actuação que estamos a desenvolver nesta área implica promover a diversidade no seio da Accenture, ou seja, promover a variabilidade que existe no que respeita a etnias, culturas, género, religiões, diferentes gerações, orientações sexuais, entre tantas outras que se podem enumerar. Garantir a diversidade no ambiente de trabalho significa o nosso compromisso em desenvolver uma postura de abertura, garantindo que a riqueza da força de trabalho advém da utilização desta diversidade, onde a performance da empresa e das equipas é tanto melhor, mais produtiva, criativa e rentável quanto melhor gerida for esta multiplicidade.

A criação de uma cultura de inclusão e diversidade desbloqueia o potencial humano, o que contribui para a evolução de uma sociedade mais sustentável.

Mas a estratégia que queremos seguir é sobretudo a de conciliar a diversidade com a promoção de uma cultura de inclusão, em que gerir o talento e o potencial de todos os profissionais e favorecer o colectivo implica acolher os colaboradores nas suas diferenças, respeitá-los e apoiá-los. Estou convicta que a criação de uma cultura de inclusão e diversidade, através do estabelecimento de uma estratégia bem delineada e funcionando como um agente de mudança, desbloqueia o potencial humano, o que irá contribuir não só para a evolução da Accenture como para a evolução de uma sociedade mais sustentável e melhor.

Como comenta o facto de a Accenture ter sido recentemente eleita a empresa mais diversificada e inclusiva do mundo pelo índice da Thomson Reuters ESG (Environment, Social and Governance)? E de ter participado em inúmeros outros rankings nesta matéria, ao longo do último ano?

Este ranking é o mais recente de uma série de distinções atribuídas à Accenture no âmbito da diversidade e inclusão – o que comprova um sólido compromisso para que todas as nossas pessoas, enquanto seres únicos, possam ter as mesmas oportunidades para definirem o seu caminho e perseguirem o seu sonho.

As empresas são compostas por pessoas diferentes e únicas, inter-relacionadas e interdependentes, vivendo uma realidade dinâmica. Criar a força de trabalho do futuro significa construir equipas diversas, que atraiam os melhores e mais talentosos de todo o mundo, e inclusivas, que permitam que todos sejam ouvidos e que a sua voz conte.

Esta cultura onde se estimula um ambiente de trabalho colaborativo e acolhedor provoca uma motivação e compromisso por parte dos colaboradores, assim como equipas mais estimuladas, o que contribui para que os resultados das empresas sejam melhores e o negócio saia fortalecido.

O nosso compromisso começa no topo, com a administração, e estende-se a todas as dimensões da empresa.

Mas este ranking é também uma distinção que demonstra que na Accenture se vivem os nossos core values, tentando que estejam sempre presentes no dia-a-dia, na relação com o indivíduo e no trabalho em equipa. Um dos pilares da nossa cultura, o Respeito pelo Indivíduo, baseia-se num princípio ético fundamental, que nos permite ter e dar a oportunidade para expressar as nossas ideias num ambiente de respeito mútuo, tornando tão importante a nossa política de open door, mantendo um local de trabalho onde se aceita e compreende as diferenças de cada um de nós, onde a ética empresarial é levada muito a sério e é praticada no dia-a-dia de trabalho de cada pessoa, nas tomadas de decisão e no negócio da organização. Em suma, num ambiente em que a inclusão e diversidade são efectivamente uma prática e não apenas um plano de intenções.

Em que medida é a diversidade uma fonte de inovação, criatividade e vantagem competitiva, como defende a Accenture?

Acreditamos que a diversidade é fonte da inovação, criatividade, e vantagem competitiva. Mas essa diversidade só é consequente se criarmos um ambiente de trabalho inclusivo, onde todos se sentem bem e com um verdadeiro sentimento de pertença. Temos um compromisso sólido e inabalável com todos os nossos colaboradores, pautando a agenda de Inclusão & Diversidade através das nossas acções diárias. Esta colaboração entre as nossas pessoas, clientes e comunidades continua a acelerar o progresso e a fomentar uma cultura de igualdade onde todos podem crescer, colaborar e prosperar.

O nosso compromisso começa no topo, com a administração, e estende-se a todas as dimensões da empresa. Incentivamos e damos condições de autonomia e delegação de gestão às pessoas, permitindo que todos os conhecimentos e atitudes diferentes façam com que possamos, enquanto equipa, contribuir mais e melhor para o desempenho da nossa organização.

Abraçamos a nossa diversidade distinta como uma “cultura de culturas”, promovendo que todas as pessoas que connosco trabalham vivam e partilhem os nossos valores comuns em todo o mundo. Paralelamente, cada um traz as suas competências e experiências próprias para dar o máximo contributo, tanto internamente como junto de todos os nossos stakeholders e do negócio.

Na Accenture existem dois factores que diferenciam a progressão na carreira: meritocracia e talento.

A adaptação ao crescimento da organização estendeu-se a todas as áreas de negócio e a todas as áreas corporativas com um moldar da forma de trabalhar e interagir. O que nos parecia, no início, uma estratégia pontual e específica depressa se tornou um caminho inquestionável a seguir, em que todos deveriam estar incluídos. Sabemos que sendo todos diferentes enquanto indivíduos, também todos somos bons em coisas diferentes. Dentro da Accenture, as pessoas são verdadeiros parceiros e todos nos comprometemos a caminhar para o mesmo objectivo, de modo a poder proporcionar também, a cada um, um crescimento profissional, promovendo o seu engagement e um bom ambiente de trabalho.

Mais recentemente desenvolvemos uma campanha intitulada “Be Yourself, Make a Difference”, que realça a individualidade de cada um dos nossos colaboradores como a chave essencial de uma equipa de pessoas únicas, autênticas e originais que partilham diferentes perspetivas e realidades, tanto do ponto de vista profissional como pessoal.

Defendem que “factores como flexibilidade, promoção do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, autonomia ou respeito pelo indivíduo garantem quatro vezes maior probabilidade de as mulheres alcançarem cargos superiores de direcção a nível global, ou seja, por cada 100 executivos do género masculino, poderiam existir até 84 mulheres na mesma função, face ao actual rácio de 100 para 34”. O que está a Accenture a fazer para incrementar ainda mais estes factores dentro da organização, e qual o actual rácio de executivos do género masculino e feminino?

De acordo com o que já comentei, as competências, capacidades e o valor que cada um aporta são críticos para o sucesso das equipas e das empresas. A flexibilidade, a promoção do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, a autonomia ou o respeito pelo indivíduo são alguns dos fatores mais importantes para criar uma cultura de igualdade. Promovemos um ambiente capacitador, que confia nas suas pessoas, respeita os indivíduos e oferece liberdade para serem criativos e para trabalharem de forma flexível.

Mas implementar na estratégia políticas ou programas de inclusão e diversidade por si só não chega. Para garantirmos o sucesso desta estratégia e o cumprimento dos compromissos estabelecidos temos de medir o seu impacto, fazendo um acompanhamento contínuo das acções implementadas e ajustando em caso de necessidade.

No que respeita à igualdade de género, temos o compromisso de alcançarmos a paridade em 2025, o que quer dizer que 50% da força de trabalho da Accenture a nível mundial serão mulheres.

Desde há muitos anos que desenvolvemos um estudo anual chamado “Getting to Equal”, que promove a discussão sobre as disparidades de género e apresenta conclusões suportadas por pesquisas inovadoras sobre o tema do avanço na carreira das mulheres até ao topo e a diferença salarial entre homens e mulheres.

No que respeita à igualdade de género, temos o compromisso de alcançar a paridade em 2025, a nível mundial.

Em toda a nossa estrutura em Portugal contamos com 43% de mulheres, sendo que 30% estão em cargos de direcção e 22% nos lugares de administração. As contratações de mulheres atingiram no último ano os 43%. Sabemos que ainda temos um longo desafio a percorrer, mas consideramos que estamos no bom caminho para atingirmos o propósito com que nos comprometemos de atingir a paridade até 2025 e ter 25% de mulheres em lugares de administração até 2020.

Além da diversidade cultural inerente às diferentes nacionalidades, destacamo-nos por ser uma organização inclusiva onde impera o respeito pelo indivíduo, que apoia a comunidade LGBT, que participa activamente nos fóruns de discussão para a inserção de PwD (Person With Disabilities),que incentiva a igualdade de género respeitando e valorizando o papel da mulher na sociedade e que conta com o envolvimento de todos os seus colaboradores para continuar esta missão.

E como está a consultora a equiparar o salário das mulheres e dos homens, considerando que “o salário das mulheres poderia aumentar em cerca de 51% por ano em empresas com uma cultura mais inclusiva”? Que diferenças existem ainda a este nível?

Na nossa política de compensação e benefícios não existe nenhuma diferenciação no que respeita a este tema. Desde o processo de recrutamento, passando por todo o ciclo de vida do colaborador dentro da Accenture, existem dois factores que interessam e diferenciam a progressão na carreira, que são a meritocracia e o talento potencial de cada indivíduo.

Que balanço faz dos progressos já registados nas várias acções que a Accenture implementou para garantir um local de trabalho mais inclusivo e diversificado?

Ao nível da criação de um conselho de administração diversificado em termos de representação geográfica e género, contamos com cinco mulheres na comissão executiva da Accenture Portugal, sendo que duas delas são as responsáveis pelos nossos escritórios do Porto e de Braga. Mas é um número que certamente vai ser reforçado nos próximos anos, mantendo-nos fiéis ao compromisso anteriormente citado.

No que diz respeito à promoção da igualdade no local de trabalho, temos mantido a nossa estratégia de contratação no sentido de atingir o objectivo que nos propusemos de alcançar a paridade de género até 2025. Recebemos actualmente um maior número de candidaturas por parte de jovens licenciadas que procuram a Accenture para iniciar as suas carreiras quer na área da gestão, quer na área da tecnologia. Políticas e práticas que são favoráveis à família, que apoiam ambos os sexos e que são livres de preconceitos para atrair e reter pessoas, fazem-nos acreditar que a Accenture está a abrir novos caminhos ao medir e analisar as percepções e as experiências das pessoas nos seus locais de trabalho, e que essa mensagem passa para o mercado da procura de trabalho.

Já a nível de investimento em talento, no último ano, a empresa investiu 935 milhões de dólares em aprendizagem e desenvolvimento profissional, onde se inclui a formação de novas competências em áreas-chave como a cloud, inteligência artificial ou robótica. Uma das conclusões do estudo “Getting to Equal 2018” refere que o mundo digital ajuda as mulheres a progredir ao longo da sua carreira profissional, agindo como um acelerador nas suas carreiras e sendo um instrumento poderoso na educação e na obtenção de emprego. Outra das conclusões é que este investimento na formação das tecnologias digitais acelera a diminuição das disparidades salariais entre homens e mulheres. Se as mulheres tirarem vantagem do digital tanto na sua educação, flexibilidade, oportunidades de evolução e empreendedorismo, a redução do gender gap no local de trabalho é acelerada.

Mas a aposta no desenvolvimento do talento inclui também, e com um compromisso sério, o desenvolvimento de cada indivíduo como ser único. Estamos a viver uma grande mudança cultural para alcançarmos o desejo de sermos a empresa mais truly human no mundo digital. Ser truly human significa ter estas quatro dimensões em equilíbrio: body, heart, mind e soul. É estarmos fisicamente energizados, mentalmente focados, com forte sentimento de pertença e sentido de propósito. E é este propósito que faz parte do nosso dia-a-dia, do nosso DNA, dar oportunidades iguais a todos.

Finalmente quanto ao compromisso com a transparência, a Accenture é a primeira empresa de serviços profissionais a publicar, de forma voluntária, informação demográfica acerca dos seus colaboradores. Sendo uma empresa cotada, rege-se por políticas de transparência muito sólidas e códigos de ética que efectivamente funcionam.

Enquanto organização líder de mercado, com uma reconhecida imagem de inovação, procuramos fomentar estes valores também no mercado, desafiando constantemente os nossos clientes e parceiros a desenvolver as melhores práticas.

Em 2018, lançámos o estudo “Creating a Culture Where Everyone Thrives”, que mostra quais os principais impulsionadores de uma cultura de trabalho em que todos possam avançar e prosperar. Ao adoptar medidas para criar um melhor ambiente de trabalho, observámos que o indicador-chave de sucesso não está só em implementar práticas e políticas que são necessárias, mas sobretudo definir, comunicar e medir as acções com transparência, implementando estratégias que podem fazer uma diferença tangível na valorização das experiências que os nossos colaboradores vivem.

A estratégia de Inclusão & Diversidade assenta no conceito “Leading in the New”, que tem a inovação como protagonista, levando-nos a acrescentar valor a tudo aquilo que fazemos, ao mesmo tempo que rompemos com os paradigmas tradicionais. Ao alcançarmos o sucesso nesta estratégia iremos potenciar cada um dos factores com um impacto maior do que teriam de forma isolada, promovendo uma cultura de propósito, responsabilidade, pertença e confiança.

HR Portugal | 18/10/2018 | Fernanda Barata de Carvalho

Fernanda Barata de Carvalho​

Diretora de Capital Humano, Inclusão & Diversidade - Accenture Portugal

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