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INSPIRAÇÃO


Ideias e realizações para um mundo em transformação

Entrevista com Luzia Sarno, CIO da Copersucar

Luzia Sarno estabeleceu sua história entre a precisão dos números e o despertar de quem fez de sonhos, realizações em tecnologia. Criou, desta equação, uma visão única sobre o digital e de sua capacidade de acessar e transformar o mundo.

Você se formou em Matemática. Em qual momento da sua vida nasceu a paixão pelos números?

Sempre gostei de Exatas e Biológicas, tanto que no Ensino Médio cursei a linha de Biológicas. Até acho que seria uma excelente médica – para atender em Pronto Socorro, pois gosto de adrenalina (risos). A decisão pela faculdade foi bem “profunda”, já que a minha irmã é advogada e, meu irmão, médico. Baseado no que já via deles estudando, resolvi ir para Exatas. Porém, disse aos meus pais que era muito clichê ter uma engenheira para fechar o trio. Resolvi fazer Matemática.

"O primeiro estágio foi em Tecnologia e a vida profissional na área era muito melhor do que a acadêmica. Me apaixonei e estou aqui até hoje."

A resposta da minha mãe foi que eu não teria “paciência para ser professora” e ela me conhece bem. Eu não conhecia direito as opções da Matemática na Universidade de São Paulo (USP), onde o primeiro ano era único e, depois, escolhíamos a especialização. Odiei Computação (risos) e realmente Licenciatura e Matemática pura não me agradaram também. Estatística adorei. O primeiro estágio foi em Tecnologia e a vida profissional na área era muito melhor do que a acadêmica. Me apaixonei e estou aqui até hoje.

Como você imaginava o futuro naquela época?

Não tinha muita noção do que faria da vida, muito menos visualizava o potencial de como a tecnologia poderia impactar o mundo. Mas sempre gostei de ficção científica e gostava de imaginar um mundo disruptivo. No trabalho, sempre direcionava os projetos de forma a aplicar a tecnologia na vida prática, gostava de criar e propor coisas novas e experimentar diferentes ideias. Nos primeiros anos de trabalho criei um protótipo de rede neural para analisar risco de crédito, por exemplo. Sentia o potencial do que tínhamos em mãos e tentava encaixar em algo que fosse útil à empresa.

A tecnologia pode ajudar a construir oportunidades e promover o equilíbrio entre gêneros? Estamos no caminho certo?

Antes de falar de gêneros, penso nas oportunidades para todos. Acho que a tecnologia pode atrapalhar ou ajudar muito. Explico melhor. O mundo se fecha para as pessoas excluídas digitalmente, seja pela geração, condição educacional ou pela pura falta de aptidão. Não conseguem fazer atividades corriqueiras (imposto de renda, uso digital de bancos, por exemplo), e se afastam social e profissionalmente ao não usar uma rede social, um comunicador, e-mail. Por outro lado, a tecnologia traz, para os que entendem e gostam de usá-la, um mundo muito maior do que imaginaram, com acesso a conteúdos que jamais teriam acesso de outra forma. Portanto, abre oportunidades de modo mais igualitário.

"O mundo se fecha para as pessoas excluídas digitalmente, seja pela geração, condição educacional ou pela pura falta de aptidão."

Em relação a questão do gênero, o preconceito contra uma programadora ou alguém com outra preferência sexual, por exemplo, é eliminado, pois você nem conhece o ser humano do outro lado do planeta e o que importa é o trabalho que ele/ela entrega. Entretanto, temos visto decair, cada vez mais, o número de mulheres trabalhando na área, pois ela é bem demandante e ainda a carga da família para a mulher não é proporcional, dificultando a subida dela a posições mais estratégicas.

Quais seriam as três palavras que você diria para uma jovem que começa sua carreira profissional agora?

Podem ser quatro? Escolha algo que ame – e todo o resto será consequência. Se escolheu errado, volte três casas e comece de novo. Se conheceu algo novo que gostou mais, troque e vá em frente. O que importa é ser feliz, dinheiro nenhum vai compensar se você não estiver bem.