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INSPIRAÇÃO


Dinamismo e Independência

Entrevista com Andreia Martins, Diretora de Desenvolvimento de Soluções da Oi

Da infância até estabelecer-se como uma das principais executivas da Oi, Andreia Martins apoiou-se na busca pela independência para construir sua carreira.

Você consegue descrever o momento, durante sua infância ou adolescência, que lhe despertou para o fascínio pelos números? Quem lhe inspirou nesse processo?

Minha mãe é formada em Ciências Contábeis e sempre trabalhou na área. Sempre a admirei trabalhando e por sua independência. Além disso, no primário, na quarta série, tive uma professora que adorava matemática e nos enchia de “continhas”. Durante o ginásio, por volta da sexta ou sétima série, eu estava com 11 ou 12 anos e comecei a estudar “Matrizes” e “Equações de 2º Grau”. Senti mais prazer em estudar. Lembro-me que o professor que eu tinha era muito divertido e próximo dos alunos.

Também faço parte de uma família na qual meus primos diretos são bem mais velhos do que eu. No meio deles, vi muitos exemplos bem-sucedidos de Engenheiros, Contadores e Analistas de Sistemas (que, na época, não eram chamados assim). Posso dizer que minha maior influência veio da minha mãe – como exemplo de independência – , de um bom professor de matemática e da família alargada.

O que lhe fascina na inovação e na capacidade transformadora da TI?

Gosto da possibilidade de, a cada projeto, poder transformar a vida de alguém. Gosto da novidade, não só a tecnológica. Me refiro à possibilidade de atuar projetos jurídico, de RH, de contabilidade e etc.

Gosto do dinamismo de TI e de, a cada dia, novas tecnologias estarem disponíveis para fazermos diferente tudo aquilo que algum dia já fizemos. Mais recentemente, o que também tem me desafiado muito em TI é a gestão de pessoas. Como executiva, cada vez mais, o que eu entendo é de gestão de pessoas. Por meio delas e de seu conhecimento, trago a tecnologia para minhas realizações.

"Gosto da possibilidade de, a cada projeto, poder transformar a vida de alguém. Gosto da novidade, não só a tecnológica."

Uma carreira em Exatas nem sempre é vista como uma escolha típica para mulheres. Qual sua grande motivação para escolher uma trajetória em Engenharia e, posteriormente, em tecnologia?

A minha sede sempre foi por independência. Sempre fui, desde criança, muito focada e responsável. Na minha época de vestibular, em 1986, não existia faculdade específica de Informática. Existia a “Matemática com Ênfase em Informática” e o famoso curso de “Tecnólogo em Processamento de Dados da PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)”. Eu tinha um primo bem mais velho que estudava Matemática na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e tinha evoluído para a Informática. Tinha também uma prima que estava fazendo o curso para se tornar Tecnóloga na PUC.

Eu gostava muito de Matemática, Física e Química. Por outro lado, odiava História. Optei pela Engenharia Eletrônica por conta do gosto pela Matemática, Física e Química. As três juntas! Disciplinas que os cursos de Tecnólogo ou Matemática não me dariam.

A tecnologia veio depois. Estava quase me formando em Engenharia e o mercado de trabalho no Brasil para engenheiros estava péssimo. Novamente, a minha sede por independência falou mais alto e já comecei a pensar em um plano B. Foi quando, em um estágio, um colega me falou sobre o curso de extensão em Análise de Sistemas da PUC. Fui lá, me inscrevi e gostei.

Nunca fui questionada sobre a escolha da Engenharia ou pelo fato de ser uma carreira mais masculina. Na verdade, lá no fundo, acho que quando escolhi a formação, novamente minha sede por independência falou mais alto. Me explico. Se a opção fosse Contabilidade, minha mãe, meu pai, minha irmã, meus primos poderiam acabar querendo influenciar muito nas minhas escolhas. A Engenharia não os possibilitaria fazer isto, pois conheciam muito pouco.

"Nunca fui questionada sobre a escolha da Engenharia ou pelo fato de ser uma carreira mais masculina. Na verdade, lá no fundo, acho que quando escolhi a formação, novamente minha sede por independência falou mais alto."

Você consegue se lembrar do impacto que sentiu ao entrar na sala de aula, em seu primeiro dia, na turma de Engenharia Eletrônica da CETEF/RJ?

Lembro-me muito bem. Me senti o máximo. Eu ali, naquela faculdade Federal, fazendo Engenharia e começando tudo com 16 anos! Só isto! Lembro que senti um frio na barriga, pensando: “E agora? A bola está comigo e tenho que chutar para frente.”

Se você voltasse no tempo, ao primeiro dia de aula na CETEF/RJ, e tivesse a oportunidade de dizer a si mesma uma frase, qual seria?

Coragem, garota! Acredite no seu futuro, aproxime-se das pessoas certas, arrisque-se e não tenha medo de errar e recomeçar! As possibilidades da vida são criadas por nós mesmos, desde que haja dedicação e honestidade de propósito.